Sumiço de milhões dos cofres públicos durante os governos de Iris Rezende e Maguito Vilela (PMDB) vira caso de polícia com a prisão de um diretor do banco de Goiás e ameaças de morte
No final da manhã de 21 de outubro passado, três homens tratavam de enfiar cinco caixas dentro do porta-malas de um Ômega escuro. Eram aproximadamente 12h30 e na calçada à frente do prédio sede do Banco do Estado de Goiás (BEG), pedestres passavam apressados pelo carro, estacionado numa das esquinas mais movimentadas do centro de Goiânia, no cruzamento das avenidas Goiás e Anhanguera. Concluída a operação aparentemente insuspeita, o funcionário da tesouraria do banco Pedro Cosme Viveiros voltou para o interior do edifício e se dirigia ao elevador quando foi interpelado pelo diretor financeiro do banco, Edivaldo da Silva Andrade, que conversava ao telefone celular. "Sobrou alguma coisa?" "Não, senhor", respondeu Viveiros prontamente. A missão fora cumprida. A furtiva movimentação liderada por Edivaldo naquela prosaica manhã de quarta-feira acabara de retirar do banco, debaixo do nariz de dezenas de pessoas, R$ 5 milhões em notas de R$ 100 e R$ 50, ao todo 92.250 cédulas cuidadosamente contadas e embaladas por Pedro Cosme, que não tinha idéia de que o dinheiro seria desviado. Provisionado a mando de Edivaldo sob o pretexto de que seria usado para honrar o pagamento de indenizações trabalhistas em favor de ex-funcionários da Caixa Econômica do Estado de Goiás (Caixego) – instituição cuja liquidação ordinária vinha sendo conduzida pelo próprio Edivaldo –, o dinheiro tomou chá de sumiço.
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