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Os Juízos da Aliança de Apocalipse (Levítico 26:18-28, Deuteronômio 28, 32)

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Os Juízos da Aliança de Apocalipse (Levítico 26:18-28, Deuteronômio 28, 32)

Mensagem por Ab82 em Qui 05 Set 2013, 1:28 pm


INTRODUÇÃO


Depois de descobrir quando o livro de apocalipse foi escrito, e de que maneira deveríamos interpretá-lo, eu quis descobrir porque e para quê este livro tinha sido escrito. Por exemplo, o que o livro de Apocalipse está dizendo e por que ele utiliza tantos símbolos? Existe alguma razão para que o Apocalipse utilize tantas figuras? A resposta a esta questão é um enfático sim!


Eu já mencionei como as figuras de duas "mulheres" (a prostituta e a noiva), que são duas "cidades" (Babilônia e Nova Jerusalém), são símbolos das duas alianças (assim como as duas mulheres / cidades de Gl. 4:21-31 também são). Apocalipse está revelando os eventos que envolveram a destruição da antiga aliança e o pleno estabelecimento da nova. A prostituta é destruída e, em seguida, a noiva se casa. Para apoiar isso recorro ao fato de que as figuras do julgamento consequente da transgressão da aliança são recorrentes por todo o Apocalipse. O cristão moderno não as identifica, porque ele infelizmente não está familiarizado com o Antigo Testamento.


O livro de Apocalipse busca muito de suas figuras nas maldições da aliança de Levítico e Deuteronômio. Na verdade, a própria estrutura do Apocalipse (quatro conjuntos de sete julgamentos) é construída de acordo com as maldições da aliança que estavam para cair sobre Israel (que também consistia de quatro séries de sete julgamentos). Estas maldições culminariam com a destruição da prostituta (Israel infiel) em Apocalipse 17-18 (ver Dt. 31:16-18; Ez. 16) pelo Anticristo (a besta).


Em Levítico e Deuteronômio, Deus falou das pragas e maldições que viriam sobre o Seu povo infiel da Antiga Aliança quando eles a violassem. Em Levítico 26 Deus disse aos filhos de Israel que se eles transgredissem a aliança, Ele viraria Sua face contra eles (Levítico 26:14-17). Se Israel não se arrependesse, Deus falou que lhes visitaria com quatro conjuntos de pragas e punições (Levítico 26:18, 21, 24 e 28). Cada um desses conjuntos de punições deveria ter cumprimento sete vezes.


Levítico 26:18 - E, se ainda com estas coisas não me ouvirdes, então eu prosseguirei a castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. (ACF)


Levítico 26:21-22 - E se andardes contrariamente para comigo, e não me quiserdes ouvir, trar-vos-ei pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados. (ACF)


Levítico 26:23-24 - Se ainda com estas coisas não vos corrigirdes voltando para mim, mas ainda andardes contrariamente para comigo, Eu também andarei contrariamente para convosco, e eu, eu mesmo, vos ferirei sete vezes mais por causa dos vossos pecados. (ACF)


Levítico 26:28 - E se com isto não me ouvirdes, mas ainda andardes contrariamente para comigo, Também eu para convosco andarei contrariamente em furor; e vos castigarei sete vezes mais por causa dos vossos pecados. (ACF)


Este padrão de punições da aliança de Israel, quatro conjuntos de punições, cada um tendo cumprimento sete vezes, fornece a estrutura das pragas e punições encontradas no livro do Apocalipse. Os quatro conjuntos de punição sétupla no Apocalipse são:


I. Os sete selos (Apocalipse 6:1-17; 8:1)


II. As sete trombetas (Apocalipse 8:2-10:7)


III. Os sete trovões (Apocalipse 10:3-4) 


IV. As sete taças (Apocalipse 16:1-21)


Sobre os sete trovões: João foi instruído a não escrever sobre os trovões, por isso não sei exatamente o que eles representam. Porém, tendo em vista que os outros três conjuntos de sete (os selos, trombetas e taças) eram pragas e punições, é bem provável que os sete trovões fossem também um conjunto de sete punições. Isto é especialmente verdadeiro à luz do fato de que o ‘trovão’ é frequentemente associado com a voz de Deus em ira e julgamento (2 Sam. 22:14-16; Sl. 18:13-15; Is. 29:6.). Ladd escreveu o seguinte sobre isso: "A única dica que temos para saber como a mensagem dos sete trovões deve ser compreendida é o fato de que em todas as outras passagens do Apocalipse onde trovões ocorrem, eles formam uma premonição de decisões provenientes da ira divina (8:5, 11:19, 16:18). Isso se encaixa no contexto presente, onde o anjo anuncia que a consumação do julgamento divino está prestes a ocorrer". [1] Se João tivesse recebido permissão para escrever sobre os sete trovões, provavelmente teria nos dito algo semelhante aos outros conjuntos de sete julgamentos, algo como "o primeiro trovão soou" (e um determinado julgamento aconteceu), "o segundo trovão soou" (outro julgamento), e assim por diante.


Antes de tudo, o propósito de Deus nos castigos pela transgressão da aliança não era destruir Seu povo, mas reformá-lo para levá-lo ao arrependimento (“Se ainda com estas coisas não vos corrigirdes voltando para mim, mas ainda andardes contrariamente para comigo, Eu também andarei contrariamente para convosco, e eu, eu mesmo, vos ferirei sete vezes mais”) Com isto em mente, observe como a falta de arrependimento em resposta às decisões em Apocalipse é descrita no quadro das punições (por exemplo: “E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos...” Ap. 9:20, ACF; ver 16:9)


As punições do Apocalipse culminam com o julgamento e a destruição da grande prostituta em Apocalipse 17-18. Isto é exatamente o que Deus disse a Moisés que aconteceria com os filhos de Israel nos "Últimos Dias" (“...então este mal vos alcançará nos últimos dias, quando fizerdes mal aos olhos do SENHOR, para o provocar à ira com a obra das vossas mãos”. Dt. 31:29, ACF). Nos últimos dias (da antiga aliança) Israel acabaria por quebrar a aliança (prostituindo-se) e seria destruída.


Deuteronômio 31:16-17 - E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele. Assim se acenderá a minha ira naquele dia contra ele, e desampará-lo-ei, e esconderei o meu rosto dele, para que seja devorado; e tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não me alcançaram estes males, porque o meu Deus não está no meio de mim? (ACF)


APOCALIPSE E AS MALDIÇÕES DA ALIANÇA DE LEVÍTICO


Além de fornecer a estrutura para os quatro conjuntos de punições sétuplas encontrados em Apocalipse, algumas das outras ligações entre as maldições da aliança de Levítico 26 e Apocalipse são as seguintes:


Levítico 26:3-6 - Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, Então eu vos darei as chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua colheita, e a árvore do campo dará o seu fruto; E a debulha se vos chegará à vindima, e a vindima se chegará à sementeira; e comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra. Também darei paz na terra, e dormireis seguros, e não haverá quem vos espante; e farei cessar os animais nocivos da terra, e pela vossa terra não passará espada. (ACF)


Foi dito a Israel que se ela obedecesse ao Senhor haveria paz na Terra, e a espada não iria passar por ela. O segundo selo do Apocalipse mostra uma inversão disso, a paz é retirada da Terra e uma espada é dada ao cavaleiro do cavalo vermelho.


Apocalipse 6:3-4 - E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. (ACF)


Nota: A palavra grega "ge", que é geralmente traduzida como "terra" em Apocalipse é muitas vezes mais adequadamente traduzida como a Terra (ou seja, a Terra Prometida).  


Levítico 26:26 - Quando eu vos quebrar o sustento do pão, então dez mulheres cozerão o vosso pão num só forno, e devolver-vos-ão o vosso pão por peso; e comereis, mas não vos fartareis. (ACF)


O terceiro selo em Apocalipse 6 mostra o fornecimento de grão (e, portanto, pão) sendo interrompido. O preço do grão em Apocalipse 6:6 é de dez a quinze vezes o preço normal. Conforme profetizado em Levítico, é tão escasso que é medido pelo peso.


Apocalipse 6:6 - E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho. (ACF) 


A fonte de pão dos judeus foi interrompida de forma extremamente severa na guerra judaica (66-70 d.C.) Josefo registra que pessoas trocavam seus bens por uma única medida de trigo ou cevada. [2]


Levítico 26:22, 25 - Porque enviarei entre vós as feras do campo, as quais vos desfilharão, e desfarão o vosso gado, e vos diminuirão; e os vossos caminhos serão desertos. - Porque trarei sobre vós a espada, que executará a vingança da aliança; e ajuntados sereis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo. (ACF) 


O quarto selo do Apocalipse mostra a morte por animais selvagens, a espada e a peste que Deus havia ameaçado enviar em caso de transgressão da aliança.


Apocalipse 6:7-8 - E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra [Ge]. (ACF)


Novamente, "terra" deve ser traduzida como Terra em Apocalipse 6:8. Foi um quarto dos habitantes da Terra de Israel que foram mortos pelas pragas de 66-70 d.C., não um quarto dos habitantes do planeta terra.


APOCALIPSE E AS MALDIÇÕES DA ALIANÇA DE DEUTERONÔMIO


O livro de Deuteronômio também descreve as maldições que cairiam sobre Israel quando a aliança fosse quebrada. Algumas das ligações entre as maldições da aliança descritas em Deuteronômio e os juízos de Apocalipse são as seguintes:


Deuteronômio 28:26 - E o teu cadáver servirá de comida a todas as aves dos céus, e aos animais da terra; e ninguém os espantará. (ACF)


Apocalipse 19 mostra as aves do ar sendo convidadas para um banquete sobre os mortos na destruição da prostituta Babilônia no ano 70 d.C. Poucos foram os sobreviventes que ficaram para espantar as aves em Jerusalém no ano 70 d.C. Durante o cerco houve tantos mortos que os judeus não puderam sepultar a todos, por isso eles atiraram os cadáveres ao longo dos muros da cidade. Corpos em decomposição enchiam os desfiladeiros ao redor de Jerusalém (Josefo, A Guerra Judaica 5,7,3).


Apocalipse 19:17, 21 - E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizen o a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande d Deus... E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes. (ACF)


Deuteronômio 28:49-52 - O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço; E comerá o fruto dos teus animais, e o fruto da tua terra, até que sejas destruído; e não te deixará grão, mosto, nem azeite, nem crias das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, até que te haja consumido; E sitiar-te-á em todas as tuas portas, até que venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas em toda a tua terra; e te sitiará em todas as tuas portas, em toda a tua terra que te tem dado o SENHOR teu Deus. (ACF)


A nação de rosto feroz que Deus enviaria para o cumprimento final das maldições da aliança (em 70 d.C.) era Roma. Os romanos não mostraram misericórdia para jovem ou velho (Josefo, A Guerra Judaica 6,8,5), pois eles falavam uma língua que os judeus não entendiam (latim) e seu símbolo era a águia. Em Apocalipse 8:13 vemos uma águia voando e proclamando aflições contra os habitantes da Terra (Nota: a NVI e a ACF dizem "anjo" ao invés de "águia". Os textos críticos e majoritários dizem "águia", e, muito provavelmente, esta é a leitura correta.)


Apocalipse 8:13 - Então, vi e ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar! (ARA)


A águia que voa diz que os próximos três toques de trombeta são três aflições que são voltadas especificamente para os moradores da terra (ver Oséias 8:1 “Põe a trombeta à tua boca. Ele virá como a águia contra a casa do SENHOR, porque transgrediram a minha aliança, e se rebelaram contra a minha lei"). A seção seguinte de Apocalipse, após a águia que voa (cap. 9) contém referências à invasão de Tito a Terra Santa. 


Deuteronômio 28:53-57 - E comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o SENHOR teu Deus, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão. Quanto ao homem mais mimoso e delicado no meio de ti, o seu olho será maligno para com o seu irmão, e para com a mulher do seu regaço, e para com os demais de seus filhos que ainda lhe ficarem; De sorte que não dará a nenhum deles da carne de seus filhos, que ele comer; porquanto nada lhe ficou de resto no cerco e no aperto, com que o teu inimigo te apertará em todas as tuas portas. E quanto à mulher mais mimosa e delicada no meio de ti, que de mimo e delicadeza nunca tentou pôr a planta de seu pé sobre a terra, será maligno o seu olho contra o homem de seu regaço, e contra seu filho, e contra sua filha; E isto por causa de suas páreas, que saírem dentre os seus pés, e para com os seus filhos que tiver, porque os comerá às escondidas pela falta de tudo, no cerco e no aperto, com que o teu inimigo te apertará nas tuas portas. (ACF)


Quando os exércitos romanos invadiram a Terra Santa no ano 67 d.C. eles sitiaram as cidades de Israel sistematicamente ao percorrerem seu caminho para Jerusalém. Jerusalém era uma cidade fortificada e a tática principal de Roma era cercar a cidade para enfraquecê-la pela privação de recursos essenciais, como alimentos (ver Lucas 19:41-44). A fome consequente era tão ruim que a busca desesperada por alimentos lançava membros da mesma família uns contra os outros (ver Josefo, A Guerra Judaica 5,10,3). A fome em Jerusalém se tornou tão grave que Josefo registrou um incidente em que uma mulher de origem nobre matou, cozinhou e comeu seu filho recém-nascido.


“Uma mulher chamada Maria, filha de Eleazar, muito rica, tinha vindo com algumas outras, à aldeia de Batechor, isto é, casa de hissope, refugiar-se em Jerusalém, e lá se viu cercada. Aqueles tiranos, cuja crueldade martirizava os habitantes, não se contentaram em lhe arrebatar tudo o que tinha levado de mais precioso, tomaram-lhe ainda por diversas vezes o que ela havia escondido para seu alimento. A dor de se ver tratada daquela maneira lançou-a em tal desespero, que, depois de ter feito mil imprecações contra eles, usou de palavras ofensivas, procurando irritá-los, a fim de que a matassem, mas nem um só daqueles tigres, por vingança de tantas injúrias ou por compaixão, lhe quis usar dessa graça. Ela se viu reduzida assim, às últimas, não podia esperar socorro de ninguém; e a fome que a devorava, e ainda mais, o fogo que a cólera tinha acendido no seu coração, inspiraram-lhe uma resolução que causa horror à própria natureza. Ela arrancou o filho do próprio seio e disse-lhe: "Criança infeliz, da qual nunca se poderá chorar bastante a desgraça de ter nascido durante esta guerra, durante a carestia e no meio de diversas facções, que conspiram sem trégua, para a ruína de nossa pátria, para que te haveria eu de conservar a vida? Para ser talvez escrava dos romanos, quando mesmo eles nos quisessem ajudar? A fome nos teria feito morrer antes mesmo de cairmos em suas mãos. E esses tiranos, que nos pisam a garganta, não são eles ainda mais temíveis e cruéis que os romanos e a fome? Não é então preferível que tu morras, para servir-me de alimento, para enraivecer esses revoltosos e deixar atônita a posteridade, com uma ação tão trágica, que não seria a única a faltar para encher a medida dos males que tornam hoje os judeus o povo mais infeliz da terra?" Depois de ter assim falado ela matou o filho, cozeu-o, comeu uma parte e escondeu a outra".[3]


A mulher foi descoberta quando seus companheiros judeus que estavam famintos sentiram o cheiro da carne que cozinhava e foram investigar. Este ato (cumprindo Deuteronômio 28:53) horrorizou os judeus e os romanos.


Uma das pragas que cai sobre a prostituta da Babilônia é a fome (“Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga.” Ap. 18:8, ACF). Estas pragas que estavam para cair sobre a prostituta da Babilônia são exatamente o que aconteceu com Jerusalém no ano 70 d.C.


Deuteronômio 29:19-20 - E aconteça que, alguém ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede a bebedeira. O SENHOR não lhe quererá perdoar; mas fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo contra esse homem, e toda a maldição escrita neste livro pousará sobre ele; e o SENHOR apagará o seu nome de debaixo do céu. (ACF)


Apocalipse, Deus promete ao vencedor que, ao contrário daqueles que ficaram sob as maldições da aliança, eles não teriam a sua vida extinta.


Apocalipse 3:5 - O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. (ACF)


Deuteronômio 28:59-60 - Então o SENHOR fará espantosas as tuas pragas, e as pragas de tua descendência, grandes e permanentes pragas, e enfermidades malignas e duradouras; E fará tornar sobre ti todos os males do Egito, de que tu tiveste temor, e se apegarão a ti. (ACF)


Deus disse aos filhos de Israel que enviaria "grandes pragas" sobre eles em caso de transgressão da Aliança. Ele disse que também enviaria as pragas do Egito sobre seu povo infiel da Antiga Aliança. Perceba que certo número de punições de Apocalipse é paralelo às pragas do Egito. Jerusalém é ainda referida como "Egito" (Ap. 11:8). Os juízos do Apocalipse recordam, pelo menos, sete das dez pragas que Deus trouxe sobre o Egito.


1. Água transformada em sangue: A primeira praga do Egito (Êxodo 7:17-21)


Apocalipse 16:3-4 - E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente. E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue.  (ACF)


2. Rãs: A segunda praga do Egito (Êxodo 8:2-4)


Apocalipse 16:13-14 - E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para congregá-los para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso. (ACF)


Esses demônios semelhantes a rãs saem para reunir os reis da terra e do mundo inteiro para a batalha do grande Dia do Senhor. Deve-se notar que a Escritura mostra consistentemente a batalha do dia final do Senhor como sendo em Jerusalém (Isaías 1-5; Daniel 11:40-12:7; Joel 2:1-11, 3:12-17 ; Sofonias 1; Zacarias 14:1-9)


3. Pestilência: A quinta praga do Egito (Êxodo 9:3-7)


Apocalipse 6:8 - E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra [Ge], com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra [Ge]. (ACF)


4. Úlceras: A sexta praga do Egito (Êxodo 9:8-12)


Apocalipse 16:1-2 - E ouvi, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus. E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem. (ACF)


5. Granizo: A sétima praga do Egito (Êxodo 9.18-26)


Apocalipse 16:21 - E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande. (ACF)


Josefo registra que os romanos usavam catapultas para fazer chover grandes pedras brancas em Jerusalém. Estas pedras pesavam cada uma 1 talento (cerca de 100 libras, ver Ap. 16:21 NVI). Estas pedras eram brancas (como granizo) e sua aproximação podia ser facilmente percebida, por isso, os romanos as escureciam, e as tornavam ainda mais mortais. Este bombardeio sobre os judeus é retratado como uma praga de granizo para destacar o fato de que este era o cumprimento de uma das maldições da aliança que Deus disse que iria trazer sobre o povo infiel da Antiga Aliança. (Livro V, Cap. XVIII; Josefo, Guerra dos Judeus)


6. Gafanhotos: A oitava praga do Egito (Êxodo 10:4-20)


Apocalipse 9:1-3, 7-11 - E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar. E da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra. - E o parecer dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia umas como coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens. - E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como de leões. E tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos correm ao combate. E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses. (ACF)


Este julgamento da trombeta (a quinta) que envolve uma invasão de gafanhotos merece atenção especial, por favor, permita-me uma breve digressão sobre ele. Primeiro, esta é a invasão que Joel profetizou (em Joel 1:1 - 2:11) para acontecer a Jerusalém no último dia do Senhor (“Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto.” Joel 2:1, ACF). Esses gafanhotos têm dentes como leões (Ap. 9:8; ver Joel 1:4-6), o sol escurecerá em Sua vinda (Ap. 9:2 ver Joel 2:2, 10); suas asas soam como cavalos e carros correndo ao combate (Ap. 9:9; ver Joel 2:4-5).


Embora o exército de gafanhotos em Apocalipse 9, em última análise, seja demoníaco (saindo do abismo, versos 1-3), eu acredito que há muitas referências físicas contidas nestes símbolos para ajudar na identificação dos correlatos históricos desta visão. Primeiro, é dito que o rei que comanda este exército de gafanhotos se chama (em grego) "Apoliom" (V. 11). Aune observou uma ligação etimológica entre Apollyon (que significa "destruidor") e o nome do deus Apolo. [4] Osborne também observou, dizendo: "O nome do deus grego Apolo foi tomado a partir deste termo, e o gafanhoto era um de seus símbolos, já que ele era o deus da peste e da praga". [5] O nome grego Apolo é Apollon. Apollo/Apollon era o deus de muitas coisas, sendo uma de suas designações, “O destruidor dos ímpios”. Muitos dos antigos associaram o nome de Apolo com a raiz da palavra apollumi "para destruir" (Ver a referência de Aune acima), como o deus que visitava os homens com pragas, um de seus símbolos era o gafanhoto.


Está bem, tudo isso é levemente interessante, mas o que isso tem a ver com a invasão de Jerusalém em 70 d.C. no último dia do Senhor? A conexão entre Apollyon e Apollo / Apollon é importante porque a legião romana que Tito liderou era dedicada a Apolo. Essa legião era a Apolinário XV ("sagrado a Apolo"). Assim, o deus da legião de Tito era Apollo (que em grego é Apollon), o destruidor dos ímpios.


Em Apocalipse 9 versos 5 e 10, há referências a essa invasão como se ela durasse cinco meses (“E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem... E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses”).[6] Quando Tito veio do Egito para o cerco final de Jerusalém (pouco antes da Páscoa de 70 d.C.), o ataque subsequente durou cinco meses. O historiador romano B. W. Jones escreveu que a vitória final de Tito sobre Jerusalém "foi alcançada após um cerco de cinco meses".[7] Curiosamente, o momento em que pragas de gafanhotos acontecem na Palestina são os cinco meses de maio a setembro, este foi o momento do cerco final de Jerusalém.


Dado que a Apolinário XV foi dedicada a Apolo (e que o gafanhoto era um de seus símbolos), é possível que a legião de Tito portasse estandartes com figuras de um gafanhoto. Observe que a forma dos "gafanhotos" em Apocalipse 9 é semelhante a cavalos preparados para a batalha (v. 7), o som de suas asas era como carros em execução para a batalha (v.9). Esses gafanhotos tinham um ferrão em sua cauda, como um escorpião. Uma das armas empunhadas para a batalha sobre os carros romanos por seus cavalos de guerra era um lançador de flecha rápida, que foi apelidado pelos romanos de Scorpio, a “ponto-cinquenta”.[8] Adicionado a isso, a armadura do exército romano era segmentada, (semelhante à fisiologia de um gafanhoto), eles até pareciam gafanhotos.


Mais uma vez, em última análise, o exército aqui é demoníaco. Isto não é simplesmente uma representação simbólica do exército romano, é uma representação simbólica, uma revelação, do exército demoníaco que estava por trás do exército romano. O significado da referência aos gafanhotos aparece pelo menos duas vezes. Primeiro, é uma das pragas do Egito (e, portanto, uma das maldições da aliança). Segundo, faz alusão a Joel 1-2 e o ataque a Jerusalém no último dia do Senhor. Como em outros lugares em Apocalipse, as referências físicas (neste caso para o exército romano) contidas nos símbolos fornecem correlações históricas que ajudam a identificar a manifestação que esta invasão demoníaca levaria no reino físico. Mais uma vez, o livro do Apocalipse está apresentando o reino invisível do espírito, tornando-se visível por meio de símbolos.


7. Escuridão: A nona praga do Egito (Êxodo 10:21-27).


Apocalipse 16:10 - E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor. (ACF)


Esta praga não atingiu a Terra, mas o trono da besta (O Império Romano). Ela fala do tumulto e confusão que aconteceu após a morte de Nero (Julho de 68 d.C.). A grande tribulação envolveu todo o mundo habitado. Roma estava à beira do colapso nesta época de extremo caos em todo o império, porque tinha passado por três guerras civis seguidas. O Império não iria se recuperar até dezembro de 69 d.C. O historiador romano Kenneth Wellesley, ao falar da revolução mundial dos reinos em 69 d.C., disse o seguinte: 


"O 'longínquo, porém único', ano de 69, como Tácito já o havia chamado, oferece uma riqueza de incidente dramático. Depois da sólida e próspera segurança da primeira dinastia ou dinastia Julio-claudiana, o chão se abre. O vasto edifício do império mundial está abalado. Aspirantes levantam-se contra aspirantes. Os exércitos da fronteira movem-se sobre Roma a partir de Espanha, Alemanha, dos Bálcãs e do Oriente. As fronteiras são violadas pelos próprios bárbaros. Há conspirações no palácio, assassinatos súbitos, batalhas desesperadas, atos de heroísmo e traição. A cena muda continuamente de um extremo do império para o outro, da Grã-Bretanha à Palestina, de Marrocos ao Cáucaso. Três imperadores - Galba, Otão, Vitélio, - chegaram ao fim. O quarto, Vespasiano, sobrevive pelo destino, por acaso, ou por mérito, e funda sua dinastia para o bem ou para o mal".[8]


Deuteronômio 29:22-23, 32:28, 32 - Então dirá à geração vindoura, os vossos filhos, que se levantarem depois de vós, e o estrangeiro que virá de terras remotas, vendo as pragas desta terra, e as suas doenças, com que o SENHOR a terá afligido; E toda a sua terra abrasada com enxofre, e sal, de sorte que não será semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma; assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o SENHOR destruiu na sua ira e no seu furor. - Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento... Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm. (ACF)


Apocalipse 11:8 - E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado. (ACF)


Em Deuteronômio, Deus havia dito que Seu povo infiel da antiga aliança sofreria as pragas do Egito, e a Terra seria queimada como Sodoma. Apocalipse faz essa conexão entre Jerusalém (a cidade onde Jesus foi crucificado) e observe que a cidade onde o Senhor foi crucificado é chamada de "Sodoma e Egito". "A Grande Cidade” é a mesma Babilônia, que também é designada como "Grande Cidade" (Apocalipse 17:18; 18:21). O julgamento da prostituta Babilônia (Israel infiel) em Apocalipse foi a consumação do julgamento de Deus sobre os infiéis moradores da Terra no ano 70 d.C.


Deuteronômio 31:16-17 - E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele. Assim se acenderá a minha ira naquele dia contra ele, e desampara-lo-ei, e esconderei o meu rosto dele, para que seja devorado; e tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não me alcançaram estes males, porque o meu Deus não está no meio de mim? (ACF)


Apocalipse 17:1, 16-17 - E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas... E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo. Porque Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento,  e tenham uma mesma ideia, e que deem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus. (ACF)


Quando Israel ia após outros deuses, e vivia como os gentios, era como uma esposa infiel, uma prostituta (ver Ez. 16, 23). Deus até mesmo ordenou a Oséias que se casasse com uma prostituta como lição de como era ser casado (ou seja, em relação de aliança) com seu povo infiel da antiga aliança.


Oséias 1:2 - O princípio da palavra do SENHOR por meio de Oséias. Disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições, e filhos de prostituição; porque a terra certamente se prostitui, desviando-se do SENHOR. (ACF)


A relação da aliança de Deus com o seu povo é comparada a uma aliança de casamento. Esta figura é fundamental para o Apocalipse, a esposa infiel da antiga aliança é destruída e, em seguida, a noiva fiel da nova aliança torna-se casada (Ap. 19; cf. Mt. 22, 1-10). O reino de Deus foi totalmente estabelecido em 70 d.C. (Ap. 20), e foi tirado dos judeus e entregue ao povo de Deus da nova aliança (Mt. 21:36-45).


Apocalipse 17-19 estabelece o clímax do julgamento de Deus sobre a Terra, por meio da besta romana (o governo demoníaco operante através de Tito) que destrói a “cidade” meretriz de Babilônia (novamente, um símbolo do povo infiel da antiga aliança). Babilônia era a "Grande Cidade" onde o Senhor foi crucificado (Ap. 11:8, 17:18), representando Israel infiel. Observe que a prostituta nega que ela é uma viúva (ela ficou viúva quando matou seu próprio marido, Jesus), mas continua afirmando que ainda é uma rainha (Ap. 18:7). Ela está absolutamente enganada sobre isso, e logo as pragas viriam sobre ela, e então, ela choraria como uma viúva deve chorar (Ap. 18:8). Eu já mencionei como as pragas da prostituta Babilônia (peste, fome, luto, e fogo) são exatamente o que aconteceu com Jerusalém no ano 70 d.C.


Deuteronômio 31:19-22 - Agora, pois, escrevei-vos este cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel. Porque introduzirei o meu povo na terra que jurei a seus pais, que mana leite e mel; e comerá, e se fartará, e se engordará; então se tornará a outros deuses, e os servirá, e me irritarão, e anularão a minha aliança. E será que, quando o alcançarem muitos males e angústias, então este cântico responderá contra ele por testemunha,  pois não será esquecido da boca de sua descendência; porquanto conheço a sua boa imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado. Assim Moisés escreveu este cântico naquele dia, e o ensinou aos filhos de Israel. (ACF)


No Antigo Testamento, há duas canções de Moisés, uma em Êxodo 15 e uma em Deuteronômio 31:14-32:47. A canção de Êxodo fala da libertação do povo de Deus desde faraó e o Egito (Êxodo 15:4); a que eu citei acima, de Deuteronômio, fala do julgamento da aliança de Deus que viria em resposta a Israel meretriz (Dt. 31: 16-21). O cântico de Moisés, que é cantado em Apocalipse, alude a estas duas músicas, que fala da libertação do verdadeiro povo de Deus (desde a besta), bem como a vinda de seu julgamento. O significado do julgamento do cântico de Moisés em Apocalipse 15 não deve ser ignorado, a canção é cantada pouco antes do julgamento de Deus ser enviado em Apocalipse 16 (novamente, esses julgamentos culminam com o julgamento de Israel infiel, prostituta Babilônia, Ap. 16: 19).


Apocalipse 15:2-4 - E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos. (ACF)


O cântico de Moisés deveria ser cantado como testemunha contra os filhos de Israel, quando o juízo de Deus viesse sobre eles, por quebrar a aliança (por "prostituir-se com os deuses de terra estrangeira”, Dt. 31:16). Este cântico de Moisés é cantado em Apocalipse pouco antes da ira de Deus ser derramada no capítulo 16. Assim como Deus havia dito em Deuteronômio (31:19-29), a canção era um testemunho contra os habitantes da Terra, uma testemunha de como os juízos de Deus vieram sobre eles.


Israel transgrediu a aliança e sofreu os juízos de Deus em vários momentos de sua história (ver Dn. 9:10-14), o julgamento final por quebrar a aliança veio no ano 70 d.C. Isso ocorreu porque a rejeição dos judeus e o assassinato de Jesus foram a ruptura definitiva de sua relação de aliança com Deus. Novamente, observe como a prostituta é uma viúva (embora ela negue, Ap. 18:7), ela passou de rainha a uma viúva quando matou seu próprio rei (ou seja, Jesus, cf. Mt 21:5). A sentença final para a infidelidade de Israel veio no ano 70 d.C. com a destruição da nação judaica, na Segunda Vinda de Jesus (cf. Dn. 12:7). Este foi o tempo em que os gentios se alegraram como parte do verdadeiro povo de Deus (Dt. 32:28-43), algo que não aconteceu em nenhum dos julgamentos [pré-70 d.C.] dos filhos de Israel. Em Deuteronômio 28:63-64, Deus disse que quando os julgamentos da aliança acontecessem, Ele arrancaria os filhos de Israel para fora da terra e os espalharia desde uma extremidade da terra até a outra (ver. Ap. 13:10). Isso acabou por ser cumprido no ano 70 d.C. quando os romanos espalharam os judeus entre as nações (cf. Lucas 21:20-24). 


Deuteronômio 28:63-64 - E será que, assim como o SENHOR se deleitava em vós, em fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim o SENHOR se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e desarraigados sereis da terra a qual passais a possuir. E o SENHOR vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra; e ali servireis a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; ao pau e à pedra. (ACF)


Finalmente, Deus disse que quando o Seu povo da antiga aliança sofresse as maldições da aliança eles seriam levados de volta para o Egito como escravos.


Deuteronômio 28:68 - E o SENHOR te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te tenho dito; nunca jamais o verás; e ali sereis vendidos como escravos e escravas aos vossos inimigos; mas não haverá quem vos compre. (ACF)


Josefo registrou que isso aconteceu no final da guerra judaica em 70 d.C. Naquela época os mais altos e mais robustos dos sobreviventes da destruição de Jerusalém foram levados para Roma, o resto foi levado para o Egito como escravos.


Como os romanos estavam cansados de matar e havia ainda uma grande multidão de gente, Tito ordenou que os poupassem e não os passassem a fio de espada, a não ser os que ameaçassem defender-se. Todavia, os soldados não deixaram de matar os velhos e mais os mais fracos, indo contra sua ordem. Conservaram somente os que eram fortes e vigorosos, capazes de servir, e os encerraram no Templo destinado às mulheres. Tito os confiou a um dos que ele tinha libertado, de nome Fronto, no qual ele depositava grande confiança, com o poder de agir conforme melhor lhe parecesse. Fronto mandou matar os ladrões e os rebeldes que se acusavam mutuamente e reservou para o triunfo os mais jovens e os mais formosos. Mandou com cadeias para o Egito os que tinham mais de dezessete anos, para trabalhar nas obras públicas, e Tito distribuiu um grande número deles pelas províncias para servirem de espetáculo de gladiadores e combater contra as feras. Os que tinham menos de dezessete anos foram vendidos. Dessa forma, enquanto estes míseros eram encaminhados como escravos, onze mil outros morreram, uns, porque seus guardas que os odiavam não lhes deram de comer, outros, porque não o queriam fazer, desgostosos como estavam da vida, preferiam mesmo morrer e também porque dificilmente se encontrava trigo para alimentar tanta gente. [9]


Além disso, conforme profetizado em Deuteronômio 28:68, por causa do excesso de prisioneiros judeus, era difícil encontrar compradores para eles.


“Vendiam gente do baixo povo, que sobrevivia ainda, depois de tantos males, mas obtinham pouco lucro, porque, ainda que eles fossem em grande número, tantos homens e mulheres como crianças eram vendidos por muito pouco e encontravam poucos compradores”. [10]


Os juízos do Apocalipse culminam com a destruição da prostituta (Ap. 17-18) e, em seguida, há um novo céu e nova terra, Ap. 21-22 (figuras da ordem da nova aliança). Eu acredito que a maioria dos cristãos desconhece como o Antigo Testamento utiliza a criação do céu e da terra como uma figura da aliança. Em Isaías, Deus comparou a criação da antiga aliança com a criação dos céus e da terra.


Isaías 51:15-16 - Porque eu sou o SENHOR teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O SENHOR dos Exércitos é o seu nome. E ponho as minhas palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da minha mão; para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo. (ACF)


Quando o Templo foi destruído por Nabucodonosor no século 6 a.C., Jeremias comparou a destruição a um retorno ao caos que existia na terra no primeiro dia da criação (cf. Gn. 1,2-3).


Jeremias 4:18-22 - Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Estou com dores no meu coração! O meu coração se agita em mim. Não posso me calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. Destruição sobre destruição se apregoa; porque já toda a terra está destruída; de repente foram destruídas as minhas tendas, e as minhas cortinas num momento. Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem. Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia; também os céus, e não tinham a sua luz. (ACF)


Assim, no Antigo Testamento, a criação da antiga aliança foi comparada à criação do céu e da terra (Is. 51:15-16). Transgredir a antiga aliança foi comparado a um retorno ao caos inicial dos céus e da terra, antes da criação do homem (Jr. 4:19-26). Somado a isso, os céus e a terra foram as "testemunhas" da aliança de Deus com Israel (Dt. 30:15-20). Dada esta utilização da criação-destruição dos céus e da terra como figura da aliança, não deve ser surpreendente que Isaías 65-66 compare a destruição do povo infiel da antiga aliança de Deus, e o estabelecimento de uma nova aliança, com um novo povo e a criação de novos céus e nova terra. Isso é significativo porque as imagens do Apocalipse de um novo céu e nova terra são retiradas de Isaías 65-66 (o único lugar no Antigo Testamento que fala explicitamente sobre um novo céu e nova terra).


Isaías 65-66 fala da destruição do povo da antiga aliança e o pleno estabelecimento do povo de Deus da nova aliança (em novos céus e nova terra). Isaías disse que o povo rebelde da antiga aliança de Deus (Is. 65:2) seria destruído e um povo que não era chamado pelo nome de Deus, um povo que não buscava a Deus (Is. 65:1; cf. 1 Pedro 2:7 - 10), seria então estabelecido.


Isaías 65:1-3, 12-17 - Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui. Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos; Povo que de contínuo me irrita diante da minha face, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos... Também vos destinareis à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes; falei, e não ouvistes; mas fizestes o que era mau aos meus olhos, e escolhestes aquilo em que não tinha prazer. Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que os meus servos comerão, mas vós padecereis fome; eis que os meus servos beberão, porém vós tereis sede; eis que os meus servos se alegrarão, mas vós vos envergonhareis; E deixareis o vosso nome aos meus eleitos por maldição; e o Senhor DEUS vos matará; e a seus servos chamará por outro nome. Assim que aquele que se bendisser na terra, se bendirá no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos. Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. (ACF)


Em Romanos, Paulo diz explicitamente que Isaías 65-66 está contrastando Israel da Antiga Aliança com o povo de Deus da nova aliança (Rm. 10:19-21; ver 9:21-33). O povo infiel da antiga aliança seria destinado à espada (Is. 65:12) no momento em que o povo da nova aliança fosse estabelecido. Este é o momento em que haveria novos céus e nova terra (figuras simbólicas da ordem da nova aliança, Is. 65:17). Um contraste paralelo entre o lamento e a alegria é mostrado em Apocalipse 18-19. Em Apocalipse, há alegria quando a noiva se casa (Ap. 19:1-9), no momento em que há pranto pela destruição da prostituta (Apocalipse 18:9-20). Isaías mostra o contraste entre o lamento e a alegria desses dois povos ("Eis que os meus servos exultarão pela alegria de coração, mas vós gritareis pela tristeza de coração; e uivareis pelo quebrantamento de espírito”,  Is. 65:14, ACF). Isaías diz que o povo de Deus da Nova Aliança seria chamado por um nome diferente.


("E deixareis o vosso nome aos meus eleitos por maldição; e o Senhor DEUS vos matará; e a seus servos chamará por outro nome”. Is. 65:15, ACF), Como aconteceu de fato, o nome diferente era "Cristãos". Isso aconteceu no ano 70 d.C., na destruição da nação judaica (cf. Dn. 12:1-7). De acordo com Isaías, este era o momento em que haveria novos céus e nova terra (Is. 65:17-25).


Os novos céus e nova terra em Apocalipse (e Isaías) não são o céu. Observe que ainda há ímpios neles, porém aqueles que não têm parte na Nova (Aliança) Jerusalém (Apocalipse 22:14-15). O novo céu e a nova terra são uma representação simbólica da ordem espiritual deste planeta pós 70 d.C. A ordem da antiga aliança (antigos céus e terra) "foge" quando a ordem da nova aliança (o novo céu e a nova terra) é estabelecida (Ap. 20:11; 21:1-2). É preciso lembrar constantemente que as verdades de Apocalipse são comunicadas por meio de símbolos (Apocalipse 1:1).


Nos novos céus e na nova terra, aqueles que fazem parte da noiva - Nova Jerusalém - têm acesso à árvore e à água da vida (Ap. 22:1-2); aqueles que estão fora da cidade da nova aliança não têm acesso. A Nova Jerusalém é uma figura da noiva de Cristo (Apocalipse 21:9-10, e somente aqueles que estão no Livro da Vida do Cordeiro fazem parte dela (Ap 21,22-27). Aqueles que não fazem parte da Nova Jerusalém não fazem parte da nova aliança. Não há mais morte para aqueles que estão dentro da cidade (Ap 21:1-4); aqueles que estão fora da cidade já estão mortos (espiritualmente separados de Deus). A menos que eles se voltem para o Senhor e tornem-se parte da noiva da nova aliança, acabarão no lago de fogo (Apocalipse 20:15; 21,7-8, 27; 22:14-15).


Epílogo:


Preterismo também é conhecido como "escatologia do pacto." Embora o futurismo afirme que o Apocalipse é uma descrição mais ou menos literal do fim do mundo, o Preterismo diz que o Apocalipse é uma representação simbólica do fim da ordem do antigo pacto e pleno estabelecimento da ordem da nova aliança no ano 70 d.C . Embora o futurismo afirme que o Apocalipse deve ser interpretado literalmente, sempre que possível (boa sorte com isso), o Preterismo diz que Apocalipse deve ser interpretado simbolicamente. Enquanto a revelação é essencialmente simbólica, há referências físicas contidas nos símbolos para ajudar a correlacionar um símbolo, ou conjunto de símbolos, com o seu cumprimento histórico (por exemplo, a grande saraivada que pesa um talento, Ap. 16:21). Dadas as inúmeras referências das maldições da aliança em Apocalipse (na verdade o livro é padronizado nos quatro conjuntos de julgamentos sétuplos da aliança de Lv. 26), a escatologia do pacto merece uma reflexão séria e cuidadosa, tanto do leigo quanto do estudioso.


Notas:


1. Ladd, Apocalipse, 143


2. Josefo escreveu: “Vários ricos venderam secretamente todos os seus bens por uma medida de trigo; e os mais desprendidos, por apenas uma medida de cevada. Encerravam-se depois nos lugares mais ocultos de suas casas, onde alguns comiam esse grão, sem ser moído, outros o reduziam a farinha segundo a necessidade ou temor lho permitia. Não se viam mais mesas postas; cada qual tirava de debaixo do carvão o que comer, sem se dar ao trabalho de deixá-lo cozer. Jamais se poderia ver miséria tão deplorável”. Josefo, A Guerra Judaica, 5, 10, 2 trans. Gaalya Cornfeld (Grand Rapids: Zondervan, 1982), 387.


3. Livro VI, Cap. XXI, Josefo, Guerra dos Judeus


4. Aune, Apocalipse 535.


5. Grant R. Osborne, Apocalipse, Comentário Exegético do Novo Testamento de Baker, ed. Moises Silva (Grand Rapids: Baker, 2002), 374


6. Em Apocalipse 9:5-6 nos é dito que o exército demoníaco não tinha permissão para matar homens (“Foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem... Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles”). A morte aqui provavelmente refere-se à morte espiritual, ou seja, a separação de Deus (cf. Ap. 21:8; Mat. 8:22). O homem procuraria a morte (espiritual) que apesar de terrível, não se compara com a angústia de estar na presença de um Deus irado. Apocalipse 6:16-17: “e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da ira deles; e quem poderá subsistir”?


7. B. W. o Jones escreve, “A vitória, alcançada depois de um cerco de cinco meses foi celebrada por Tito com um longo discurso de elogio para o valor do exército, com recompensas para atos excelentes de coragem e um banquete festivo (BJ 7.1-17).” o BW Jones, O Imperador Tito, 55.


8. Kenneth Wellesley, Tacitus: The Histories (New York: Penguin Books, 1975), 9-10.


9. Livro sexto, Cap. 44, Josefo, Guerra dos Judeus


10. Livro Terceiro, Cap. 40, Josefo, Guerra dos Judeus 


Autor: Duncan McKenzie
Tradução: Paulo Tiago Moreira Gonçalves 


Duncan McKenzie é um psicólogo (Ph.D. em psicologia) que vive em Los Angeles, Califórnia. Ele tem estudado profecia bíblica nos últimos 25 anos. Embora ele tenha crescido sob um background com professores de profecia populares dos anos 70 e 80, seus estudos desde aquela época o levaram em uma direção muito diferente. McKenzie é autor de dois livros: “The Antichrist and the Second Coming: A Preterist Examination – Volume 1 (Daniel and 2 Thessalonians) e Volume 2 (The Book of Revelation). 


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