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O mito do contexto

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O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Ter 25 Nov 2008, 1:32 pm

O mito do contexto

“O relativismo cultural e a doutrina do contexto fechado constituem sérios obstáculos à disposição de aprender com os outros.” (Karl Popper)

Para Karl Popper, uma das componentes do irracionalismo moderno é o relativismo, entendido como a doutrina segundo a qual a verdade é relativa à nossa formação intelectual. Em outras palavras, a verdade mudaria de contexto para contexto, o que impossibilitaria um entendimento mútuo entre culturas, gerações ou períodos históricos diferentes. Eis a frase que define esse “mito do contexto”, segundo Popper:

A existência de uma discussão racional e produtiva é impossível, a menos que os participantes partilhem um contexto comum de pressupostos básicos ou, pelo menos, tenham acordado em semelhante contexto em vista da discussão.

Para Popper, esta afirmação é não apenas falsa, mas também perigosa. Se acolhida de forma generalizada, pode inclusive contribuir para o aumento da violência, minando a unidade da humanidade. Sem dúvida uma discussão entre participantes que não compartilham do mesmo contexto pode ser difícil, mas é um exagero afirmar que é impossível ter um debate proveitoso sem esta premissa. Popper vai além, e acredita que um debate entre pessoas com várias idéias em comum pode ser bastante agradável, mas talvez não seja tão proveitoso quanto um debate entre pessoas com pontos de vista totalmente divergentes.

Uma história muito usada para reforçar o mito do contexto é aquela contada por Heródoto, o pai da historiografia. Diz ela que o rei persa Dario I, querendo dar uma lição aos gregos residentes em seu império, teria chamado esses gregos e perguntado por qual preço eles estariam dispostos a devorar os cadáveres dos seus próprios pais. Naturalmente, os gregos responderam que por preço algum aceitariam fazer isso. Em seguida, Dario I teria chamado um grupo de indianos que tinham por hábito comer os pais mortos. Através de um intérprete, ele perguntou aos indianos, na presença dos gregos, por qual preço aceitariam queimar os restos de seus parentes falecidos. Os indianos teriam ficado indignados, exortando o rei a não dizer blasfêmias. Os adeptos do relativismo costumam usar este exemplo como evidência de que há um abismo intransponível dependendo do contexto. Mas Popper não concorda.

Na verdade, Popper sustenta que tal discussão não teria sido infrutífera. A experiência do confronto entre hábitos tão diferentes sem dúvida permitiu algum aprendizado novo aos envolvidos. A conclusão de Heródoto é que devemos olhar com tolerância para os costumes que são diferentes dos nossos, e isso já seria um resultado positivo do choque de culturas. O fosso existente entre contextos ou culturas diferentes pode ser ultrapassado, e essa é a tese de Popper. O próprio avanço da civilização Ocidental é fruto do choque de diferentes culturas. Podemos aprender com os diferentes contextos, e podemos evoluir em nosso conhecimento acerca do mundo. O método que permite este aprendizado é o da crítica. Conforme coloca Popper, “uma das principais tarefas da razão humana é tornar o universo em que vivemos algo compreensível para nós”. Essa é a tarefa da ciência. E todos os povos têm capacidade de utilizá-la.

As barreiras às discussões racionais e críticas são muitas, sem dúvida. Os elementos pessoais ou emocionais podem dificultar esse debate. O instinto de tentar “vencer” um debate precisa ser vencido pela razão, pois uma “vitória” no debate não significa nada, “ao passo que a mínima clarificação de um problema que se tenha – mesmo a menor contribuição para uma compreensão mais clara da sua própria posição ou da de um opositor – constitui um grande sucesso”. Tentar, em suma, se aproximar genuinamente da verdade, eis um ideal importante que pode ser buscado. Por outro lado, uma expectativa extremamente otimista em relação aos debates, de que é possível obter freqüentemente como resultado a vitória da verdade sobre a falsidade, pode levar a uma frustração que conduz ao pessimismo generalizado sobre a fecundidade das discussões.

Mantendo-se o realismo acerca das dificuldades desses debates, ele pode produzir efeitos extremamente positivos. As leis e costumes de um povo fazem enorme diferença para todos que vivem sob a sua alçada. Alguns costumes podem ser cruéis, bárbaros, enquanto outros podem aliviar o sofrimento ou favorecer a cooperação mútua e voluntária. Alguns povos respeitam a liberdade individual, outros não, ou em grau bem menor. Como afirma Popper, “estas diferenças são extremamente importantes e não podem ser postas de lado ou ignoradas pelo relativismo cultural ou através da afirmação de que leis e costumes diferentes se devem a padrões diferentes, ou a diferentes formas de pensamento, ou a diferentes marcos conceituais que são, por isso, incomensuráveis ou incomparáveis”. Popper acha justamente o contrário: devemos tentar compreender e comparar. Devemos tentar avaliar quem tem as melhores instituições, e devemos aprender com elas através de um olhar crítico.

Hegel e Marx foram, talvez, os mais influentes pensadores do mito do contexto. Para Marx, a ciência era dependente das classes sociais. Haveria uma ciência proletária e outra burguesa, cada qual prisioneira de seu contexto. A classe é que definiria o pensamento do indivíduo, sendo totalmente impossível um debate racional. A falibilidade humana pode representar um perigoso atrativo para tais doutrinas. O fato de existir parcialidade em todos os seres humanos não quer dizer que uma aproximação da verdade seja inviável. O curioso é que o próprio Marx, que não era proletário, arrogava-se a capacidade de pensar por esta classe, uma gritante contradição à sua própria crença. É evidente que o contexto pode influenciar nossos pensamentos. Mas parece claro também que os homens desfrutam da magnífica capacidade de olhar crítico, de debate racional independente de seu contexto. Não existe uma razão diferente para cada situação. Existe uma razão, que pode não ser infalível, mas em compensação é capaz de nos afastar dos erros e, portanto, nos aproximar da verdade.

A conclusão fica com Popper: “As prisões são os contextos. E aqueles que não gostam de prisões opor-se-ão ao mito do contexto. Acolherão com agrado a discussão com um parceiro vindo de outro mundo, de outro contexto, pois tal oferece-lhe a oportunidade de descobrir as suas amarras até aí não sentidas, ou de quebrá-las e desse modo ultrapassarem-se a si próprios. Mas o sair da prisão não é, seguramente, uma questão de rotina: só pode ser o resultado de um esforço crítico e de um esforço criativo”.

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Qui 27 Nov 2008, 3:49 pm

O Cisne Negro


Rodrigo Constantino

“Não importa quantos cisnes brancos você veja ao longo da vida; isso nunca lhe dará certeza de que cisnes negros não existem.” (Karl Popper)

Antes da descoberta da Austrália, as pessoas do Velho Mundo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos, e tal crença era altamente corroborada pela evidência empírica. No entanto, bastou verificar a existência de um cisne negro para derrubar essa crença. Isso ilustra os graves limites de nosso aprendizado por observações. O livro The Black Swan, de Nassim Taleb, trata justamente desse interessante tema, e é possível notar a forte influência de Popper e de Hayek em sua análise. O livro é uma forma de apelo por maior humildade epistemológica, infelizmente algo em falta na maioria dos homens, que necessitam do conforto de previsões e, portanto, costumam ignorar os limites do nosso conhecimento. É um livro sobre a incerteza, sobre os raros eventos que mudam o rumo das coisas sem aviso prévio e sem que os modelos estatísticos possam antecipá-los.

A idéia central de Taleb está relacionada à cegueira em relação ao fator randômico das diferentes áreas da vida. Cada um pode observar sua própria história de vida para verificar quanto os fatos ocorridos divergiram dos planos traçados anteriormente. A escolha da profissão, o encontro com a futura mulher, as mudanças repentinas do rumo da vida, quanto cada uma dessas coisas havia sido corretamente prevista? A lógica do “cisne negro” torna aquilo que não sabemos algo muito mais relevante do que aquilo que sabemos. Os “pontos fora da curva” ocorrem com muito mais freqüência do que antecipamos, e nossa incapacidade de prevê-los é nossa incapacidade de prever o curso da história. Basta verificar os erros grosseiros das previsões passadas para se ter mais humildade em relação às previsões do futuro. É preciso deixar um espaço enorme para os eventos imprevisíveis. A maioria das descobertas tecnológicas, por exemplo, não foi planejada, mas sim fruto de “cisnes negros”. O mecanismo de tentativa e erro é crucial para garantir esse avanço. Taleb chega a afirmar que o livre mercado funciona porque permite que as pessoas tenham sorte.

Taleb define aquilo que chama de “tripé da opacidade”, algo que a mente humana sofreria ao entrar em contato com a história. Seriam eles: a ilusão de compreensão, com todos achando que sabem o que se passa num mundo que é bem mais complexo do que percebem; a distorção retrospectiva, que transforma a história mais clara após os fatos, organizando-os de forma bem mais simplista do que a realidade; a sobrevalorização da informação factual, particularmente quando “autoridades” criam categorias, quando idealizam os fatos de maneira platônica. Tentamos explicar os fatos do passado de forma bem mais simplista do que ocorreram, e tudo parece mais razoável e previsível depois disso. Em retrospecto, chegamos a questionar como outros foram capazes de ignorar o que estava para acontecer. A categorização dos fatos acaba produzindo uma redução de sua verdadeira complexidade. Taleb conclui que nossas mentes são brilhantes máquinas para explicar os fenômenos ocorridos, mas geralmente incapazes de aceitar a idéia da imprevisibilidade acerca do futuro.

O mundo seria dividido, segundo Taleb, entre Mediocristan e Extremistan, os conceitos que ele criou para explicar realidades diferentes. No primeiro caso, a distribuição normal da famosa curva de Gauss explica razoavelmente os eventos. No segundo caso, os eventos são escaláveis, e os resultados não se encaixam no padrão estatístico dominante. O peso dos indivíduos, por exemplo, faz parte do primeiro mundo. Já a renda deles está na segunda categoria. A profissão de garçom gera determinado salário médio, com certo desvio padrão. Mas a profissão de escritor produz resultados bem diferentes, com desigualdades monstruosas e disparidades muito distantes daquelas calculadas pela curva normal. As recompensas de uns poucos escritores que chegam ao sucesso são infinitamente maiores do que as da média, e muitos simplesmente não vendem quase nada. O mesmo vale para atores, onde poucos atingem a fama e a fortuna, enquanto muitos fracassam e ficam no total anonimato. Para Taleb, a sorte exerce um importante papel nesses resultados, mas a mente humana costuma atribuir tudo às habilidades e esforços apenas. O mundo é cada vez mais Extremistan, com as novas tecnologias e a globalização. No entanto, a maioria ainda usa as velhas ferramentas estatísticas do Mediocristan para analisar os fatos.

A observação de fatos passados para a inferência do futuro carrega enormes problemas. Um exemplo muito bom citado por Taleb é a alimentação de um peru desde o seu nascimento até o Dia de Ação de Graças. Supondo que ele recebeu certa quantia de comida a cada dia, por mil dias, o gráfico de seu peso ou tamanho no tempo será praticamente uma reta, com pouca variância. De fato, a confiança em relação ao futuro, com base nos dados passados, aumenta a cada dia, ainda que ele esteja cada vez mais próximo da morte. Algo funcionou por vários dias de forma bastante regular, até que, de repente, ele deixa de funcionar de forma inesperada. Esse tipo de erro – o uso ingênuo de observações passadas como representativo do futuro – é a causa de nossa incapacidade de compreensão do “cisne negro”. O capitão do Titanic afirmou, em 1907, que jamais estivera envolvido em qualquer acidente, com toda a sua experiência. Até que algo deu errado em 1912, e o navio afundou. Quanto realmente os dados passados podem ser utilizados para prever o futuro?

Nassim Taleb vem do mercado financeiro, e essa é uma área excelente para ensinar sobre imprevisibilidade. Em 1982, os grandes bancos americanos perderam praticamente todo o ganho acumulado anteriormente. Tudo que fora gerado antes, na história desses bancos, perdido em um único ano. Eles haviam emprestado grandes somas para países da América Central e do Sul, e esses países deram o calote na mesma época. Um “evento excepcionalmente raro”, conforme as estatísticas. No entanto, ocorreu. O crash de 1987 nas bolsas é outro exemplo, ou então a bancarrota do Long Term Capital em 1998, criado por economistas com prêmio Nobel, “gênios” que encaravam as finanças como algo pertencente ao mundo “normal”. Seus complexos modelos estatísticos não foram capazes de prever os fatos, que teriam probabilidade infinitesimal, mas aconteceram. A arrogância desses “cientistas” era enorme. Faltaram justamente mais humildade e ceticismo. Faltou entender que “cisnes negros” existem.

O viés de confirmação é um dos grandes inimigos na compreensão do “cisne negro”. A mente humana busca confirmar teorias através da observação dos fatos. Muitas pessoas confundem, por exemplo, a afirmação verdadeira de que “quase todos os terroristas são muçulmanos” com aquela falsa que diz que “todos os muçulmanos são terroristas”. Na verdade, uma minúscula parcela dos muçulmanos é terrorista, mas a confusão produz uma estimativa absurda de que cada muçulmano em particular pode ser um terrorista. As pessoas vão, então, observar os ataques terroristas, quase todos praticados por muçulmanos, e vão concluir que os muçulmanos são terroristas. As pessoas tendem a procurar fatos que corroboram com suas teorias prévias, e tratam esses fatos como evidências. A grande contribuição de Popper foi justamente inverter o ônus da prova, tentando refutar as teorias em vez de confirmá-las. A diferença é que milhões de cisnes brancos observados não provam que todos os cisnes são brancos, enquanto basta um único cisne negro para negar isso. Podemos nos aproximar da verdade através da negação de teorias, mas não pela sua verificação. É arriscado demais construir uma teoria geral com base nos fatos observados.

Um exemplo bobo do cotidiano pode ilustrar melhor o ponto. Todos conhecem a máxima “sorte de principiante”, a crença disseminada de que os jogadores costumam ter mais sorte no começo. No fundo, isso não passa de uma ilusão. Aqueles que começam a jogar serão sortudos ou azarentos. No entanto, aqueles com sorte tendem a insistir no jogo, acreditando que vencer é seu destino. Os outros, desanimados com as perdas iniciais, tendem a abandonar o jogo. Eles somem das estatísticas. Aqueles que continuam no jogo lembrarão a sorte inicial. Isso explica a tal “sorte de principiante”, nada mais. Chamamos isso de viés de sobrevivência, e o mesmo pode ser observado na análise de investidores bem-sucedidos. O cemitério está repleto de evidências silenciosas. No entanto, costumamos olhar apenas para os sobreviventes e inferir teorias que explicam seu sucesso, ignorando a quantidade enorme de pessoas com as mesmas habilidades que fracassaram no caminho. Essa noção está por trás também do insight de Bastiat, quando lembrou que existe aquilo que se vê, e aquilo que não se vê. Várias medidas do governo, por exemplo, são celebradas porque as pessoas focam apenas nos resultados imediatamente observáveis, esquecendo os mortos no caminho, aquilo que não se vê.

O mundo é bem mais complexo do que pensamos ou modelamos. Taleb expressa seu espanto no fato de que continuamos acreditando que somos bons em prever fatos usando ferramentas que excluem os raros eventos, mesmo diante de um histórico terrível de previsões passadas. Aprendemos com a história que não aprendemos muito com a história. Somos arrogantes em relação àquilo que achamos que sabemos, e ignoramos que aquilo que não se sabe pode ser fatal. Costumamos sobrevalorizar o que sabemos e subestimar a incerteza. Deveríamos ser bem mais céticos com os “profetas”, analisando sua taxa passada de erros. Isso serve para quase todos os campos, e há séculos que os “profetas” conquistam multidões dispostas a focar somente nos acertos, ignorando os erros. Nostradamus ficou famoso dessa forma, assim como atualmente temos a “mãe” Diná e outros “profetas”. Mesmo os economistas insistem na mania de fazer previsões como se fossem capazes de antecipar os complexos eventos futuros. Ambientalistas usam modelos estatísticos para inferir como será o clima um século na frente. Governos apelam para “especialistas” para desenhar planos econômicos com base em estimativas de décadas à frente. A necessidade humana de controlar ou antecipar o futuro garante o emprego de todos esses “profetas”. Poucos são os céticos que se dão ao trabalho de olhar para trás e verificar a quantidade de previsões erradas de todo tipo de especialista.

As inovações tecnológicas que mudaram o mundo nos últimos séculos foram, em grande parte, não planejadas. Além disso, quando uma nova tecnologia surge, costumamos subestimar ou sobrevalorizar sua importância de forma grosseira. Thomas Watson, o fundador da IBM, chegou a prever que não haveria necessidade para mais do que uns poucos computadores no mundo. Quando o Esperanto foi criado, muitos acharam que o mundo inteiro estaria se comunicando na mesma língua artificialmente desenhada. Diferente do que previram, não estamos passando nossos finais de semana em estações espaciais desde 2000. Quando o homem chegou à Lua, a Pan Am chegou a reservar viagens para lá. Ignorou apenas que estaria falida pouco depois. O Viagra deveria ser uma droga para a hipertensão. Das cem maiores empresas atuais, poucas estarão na lista em 50 anos.

Em suma, são infindáveis exemplos de mudanças relevantes sem previsão alguma, ou de previsões de mudanças incríveis que não se realizaram. O homem tem dificuldade de aceitar esse processo evolutivo como fruto de mudanças randômicas. Ele necessita da sensação de controle, da imagem de um designer inteligente por trás das mudanças, antecipando o futuro. No entanto, a criação de inúmeros produtos foi simplesmente algo não-intencional. Se hoje poucos acreditam na infalibilidade papal, muitos acreditam na infalibilidade dos diferentes “profetas”, especialmente se associados a alguma forma de autoridade, como um prêmio Nobel. O livro de Nassim Taleb é um ótimo antídoto contra essa doença, resgatando a humildade epistemológica presente em alguns pensadores da Antiga Grécia.

O conhecimento humano tem evoluído bastante, e isso é maravilhoso. Mas se o resultado desse maior conhecimento for a arrogância em relação ao futuro incerto, então seremos vítimas indefesas dos “cisnes negros” negativos, e também evitaremos muitos “cisnes negros” positivos. O conhecimento humano pode nos mostrar justamente os limites desse conhecimento, de nossa capacidade de prever o futuro. Como disse Hayek, “a razão humana não pode prever ou deliberadamente moldar seu próprio futuro; seus avanços consistem em descobrir onde esteve errada”. Basta encontrar apenas um cisne negro para derrubar uma crença milenar de que existem somente cisnes brancos!

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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Qui 27 Nov 2008, 7:08 pm

O que isso tem a ver com o texto "o mito do contexto"? :pens: Anyway...

Eu li a tradução desse livro, chamada "A lógica do cisne negro". O livro é excepcional, mas teima que a ciência, para assim o ser, deva ser dotada de capacidade de previsão, como a física. Nem toda ciência é deste tipo. Algumas são ciências históricas, como a teoria da evolução das espécies. Alguns epistemologistas já reduziram a ciência ao mero "fuçar".

Desprezar análises econômétricas peremptóriamente não condiz com a opinião do autor a respeito da imprevisibilidade. Um dia, mais cedo ou mais tarde, podem ser encontrados meios de previsão parcial na ciência econômica. Por outro lado ele acertou em reduzir o crédito da panacéia das medições econométricas atuais, vendidas como modelo dotado de muita capacidade de previsão.

Também no final do livro não achei muito clara a crítica do autor às curvas gráficas em forma de sino. Na sua tentativa de derrubar por completo a indução, Taleb recorre a um campo (ainda) meramente especulativo, chamado matemática fractual. A explicação do que seria tal matéria é superficial e está longe de suplantar os meios clássicos de estatística.

Apesar dos esforços do autor, o imprevisível continua imprevisivel. Alguém deveria escrever um livro exaltando a prudência da indução e seu valor retórico.

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Qui 27 Nov 2008, 7:42 pm

dedo-duro escreveu:O que isso tem a ver com o texto "o mito do contexto"? :pens: Anyway...

Na verdade, não tem a ver. Era para ter? Só postei por ser do mesmo autor com referência a Popper.

Sobre o método indutivista, gosto muito desse texto: Antes de mais nada, para tentar compreender o jogo da natureza é preciso acreditar que há regras para serem compreendidas. Assim como nosso alienígena visitante não podia ter certeza de que os jogadores no Maracanã não estavam simplemente correndo ao acaso atrás da bola, ou que as regras não mudariam do primeiro para o segundo tempo, nós também não podemos ter certeza de que a natureza possua uma ordem e que esta ordem seja imutável. Temos apenas fortes evidências disto: por exemplo, toda vez que encostamos algo quente em algo frio, o frio esquenta e o quente esfria; tem sido assim desde que o homem é capaz de se lembrar e tem sido assim em todos os lugares do universo aonde o homem já foi capaz de estender sua visão. Mas nada garante à ciência que vá continuar sendo assim amanhã ou que seja assim em algum confim desconhecido do universo.

Assim, para existir, o método científico parte do princípio da imutabilidade dos processos da natureza ou "o princípio da uniformidade da natureza", como denominava o filósofo Karl Popper. Ou nas palavras de Einstein (usadas num contexto ligeiramente diferente): "Deus é sutil mas não maldoso". Admitindo a existência de uma ordem universal e imutável torna-se possível prever o comportamento da natureza e este é o mais importante passo do método científico no que concerne à experiência física.

Ao observar que todo homem e toda mulher cedo ou tarde morrem, pode-se estabelecer uma regra geral: "todo ser humano é mortal". Esta forma de raciocínio lógico que extrai uma verdade geral a partir da observação de um grupo particular é chamada de indução. A partir desta regra geral, ou desta lei natural, estabelecida pela observação do mesmo resultado repetidas vezes, pode-se então deduzir (dedução é a forma de raciocínio que extrai uma verdade particular de uma verdade geral) que se Fulano é um ser humano - e já que todos os seres humanos são mortais - então Fulano é mortal.

Note entretanto que a indução é totalmente apoiada na repetição da experiência e na crença na imutabilidade dos processos naturais. Sobre isso Bertrand Russel nos traz o seguinte exemplo: imagine um peru que recebe sua ração todos os dias do ano, exatamente às 9:00h da manhã. No início o peru é cauteloso, mas depois de perceber que esta experiência se repete por um considerável período de tempo, todos os dias da semana inclusive sábados domingos e feriados, faça chuva ou faça sol, este peru finalmente conclui por indução a regra geral: "sou sempre alimentado às 9:00 da manhã!". Infelizmente, para o peru indutivista, no dia de Natal a regra não se revela verdadeira...

O método indutivo apresenta, portanto, uma limitação. Se estabelecemos uma regra geral a partir de um determinado número de observações, surge a pergunta: quantas observações são suficientes para justificar a regra? Cem, mil, milhões? Como saberemos se temos um número suficiente de observações e - muito importante - em condições suficientemente variadas para alegar que aquela regra é realmente universal?

Este problema foi contornado por Karl Popper, que apresentou o conceito de falsificabilidade, segundo o qual uma hipótese só é considerada científica se for falsicável ou seja, se por meio de algum experimento real ou imaginário for possível provar sua falsidade. A hipótese "Deus existe" não é uma hipótese que possa ser julgada pela ciência pois não existe nenhuma experiência imaginável que possa provar que "Deus NÃO existe". Por outro lado as hipóteses "O tempo passa mais rapidamente nos lugares altos" e "O futuro pode ser previsto pela posição dos astros nos céu" são falsicáveis e portanto estão dentro do escopo da ciência.

Qual a vantagem disto? Isto leva uma mudança de atitude. Em vez da ciência se basear nas observações que reforçam uma teoria, ela passa a buscar observações que a falsifiquem. Quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a nossa confiança em sua veracidade, mas não existem teorias comprovadas, apenas teorias que ainda não foram derrubadas. E quando é provado que uma determinada teoria está errada, isto é a melhor coisa que pode acontecer, porque é nessas situações que a ciência progride.

Assim, ao contrário do que muitos pensam, o objetivo dos cientistas não é defender o status quo ou proteger as leis científicas contra contestações. Seu objetivo é justamente tentar contestar estas leis! Um cientista que tenha realizado cinqüenta milhões de experiências comprovando a teoria de Newton não foi muito útil. Mas alguém que prove que Newton estava errado.... você já ouviu falar de Einstein, não?

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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Qui 27 Nov 2008, 7:57 pm

A histórinha do peru tem no livro também. A indução é falha, mas até agora não encontraram melhor método para lidar com o imprevisível.

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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Qui 27 Nov 2008, 7:58 pm

Na verdade, não tem a ver. Era para ter?

E ainda pergunta... oh my

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Qui 27 Nov 2008, 9:45 pm

dedo-duro escreveu:
Na verdade, não tem a ver. Era para ter?

E ainda pergunta... oh my

Ah, não olha assim. Questão de economia. Por causa do texto que você citou, fui lá no blog do cara, li um bocado de texto e achei esse legal. Como é do mesmo cara, citando o mesmo cara, emendei... pode? oh my


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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sex 28 Nov 2008, 12:58 am

Dando uma relida, encontrei isso.

Quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a nossa confiança em sua veracidade,

Frase temerária para uma pessoa que não vê racionalidade na indução. Medir uma teoria pelo número de testes que ela sobrevive, é essencialmente indutivo. Se o autor for pensar assim, deveria até hoje seguir a física newtoniana: a teoria que mais fugiu ao falseamento na história da humanidade.

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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sex 28 Nov 2008, 1:01 am

Ser Humano escreveu:
dedo-duro escreveu:
Na verdade, não tem a ver. Era para ter?

E ainda pergunta... oh my

Ah, não olha assim. Questão de economia. Por causa do texto que você citou, fui lá no blog do cara, li um bocado de texto e achei esse legal. Como é do mesmo cara, citando o mesmo cara, emendei... pode? oh my

Pode, né. Já está feito...

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Jarbas em Sex 28 Nov 2008, 4:43 am

..........

E aí ? chegaram a um consenso? hummm


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"Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem."  (Lucas 21 : 36)

"Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados;"  (II Pedro 2 : 9)


"PERECE o justo, e não há quem considere isso em seu coração, e os homens compassivos são recolhidos, sem que alguém considere que o justo é levado antes do mal."  (Isaías 57 : 1)


"O temor do SENHOR é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio."
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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Sex 28 Nov 2008, 9:30 am

dedo-duro escreveu:Dando uma relida, encontrei isso.

Quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a nossa confiança em sua veracidade,

Frase temerária para uma pessoa que não vê racionalidade na indução. Medir uma teoria pelo número de testes que ela sobrevive, é essencialmente indutivo. Se o autor for pensar assim, deveria até hoje seguir a física newtoniana: a teoria que mais fugiu ao falseamento na história da humanidade.

Na verdade, não. Veja a diferença:

Um martelo cai mais rápido do que uma pena. Raciocínio indutivo: a velocidade dos corpos é proporcional a sua massa (Aristóteles). Raciocínio dedutivo: uma bola de chumbo de 10kg cairá 10 vezes mais rápido que uma bola de chumbo de 1kg. Experiência: joga-se ambas as bolas e nota-se que a de 10kg cai apenas um pouco mais rápido que a de 1kg e não 10 vezes mais rápido. Revisão da hipótese: a velocidade de queda dos corpos não é proporcional à sua massa, mas sofre a influência da resistência do ar. Previsão: Num meio sem ar uma pena e um martelo cairão ao mesmo tempo (Galileu). Experiência: na superfície da Lua, onde não há atmosfera, um martelo e uma pena são soltos e atingem a superfície ao mesmo tempo. "O Sr. Galileu estava certo" diz o astronalta David R. Scott que realizou o experimento em 1971.

Como diz o texto, isso leva uma uma mudança de atitude. A Ciência passa a buscar fatos que falseiem suas hipóteses e não que as comprovem. Um único "cisne preto" falseia um milhão de "cisnes brancos" onde a hipótese é "todos os cisnes são brancos". Da mesma forma, o tempo relativo de Einstein falseia o tempo absoluto de Newton.

Dedo duro, se preferir, podemos pedir para dividir o tópico. positivinho


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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sex 28 Nov 2008, 12:36 pm

Não precisava chover no molhado, Ser humano.

Sim, o raciocínio da pessoas é indutivo. Reveja a frase:

Quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a nossa confiança em sua veracidade,

Indução: de casos particulares se retira uma lei geral.

Pondo a nú o raciocínio: Já que a teoria tem respondido a vários casos particulares, devemos confiar nela, de maneira geral.

Acreditar que uma teoria está correta devido a capacidade preditiva crescente não é um raciocínio dedutivo. Portanto, também não é válido para a espistemilogia popperiana.

Certinho, agora?

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Sex 28 Nov 2008, 1:06 pm

dedo-duro escreveu:Não precisava chover no molhado, Ser humano.

Sim, o raciocínio da pessoas é indutivo. Reveja a frase:

Quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a nossa confiança em sua veracidade,

Indução: de casos particulares se retira uma lei geral.

Pondo a nú o raciocínio: Já que a teoria tem respondido a vários casos particulares, devemos confiar nela, de maneira geral.

Acreditar que uma teoria está correta devido a capacidade preditiva crescente não é um raciocínio dedutivo. Portanto, também não é válido para a espistemilogia popperiana.

Certinho, agora?

cabeça-du... er... quero dizer... dedo-duro (brincadeira) aqui procê vamos tentar de OUTRA FORMA:

O “Método Indutivo”, ou simplesmente Indução, já não é considerado rigorosamente como parte da metodologia científica, pois parte de eventos particulares, ou amostras, para derivar teorias gerais. Assim, não podemos nunca afirmar que o que veio de uma indução seja verdadeiro simplesmente por ter vindo de uma indução. Por exemplo: “Todos os gansos que observei na minha vida são brancos, então posso concluir que todos os gansos são brancos?” Não pode; “O Sol aparece todos os dias desde que a humanidade existe. Posso concluir que isso sempre vai ocorrer?” Também não pode.

Apesar disso, não podemos jogar o “método indutivo” no ostracismo, pois, mesmo não sendo muito confiável, ele nos fornece pistas importantes para conectarmos nossa mente com a realidade.

Se considerarmos o “Método Indutivo”, não como um critério de prova de teorias científicas, mas sim como um método de fornecer hipóteses ou idéias para teorias, ele pode ser considerado válido.

“O Método Dedutivo”

O Método dedutivo segue do postulado que o Universo é Lógico, assim as inferências lógicas podem ser aplicadas às teorias científicas para se extrair outras teorias que, por conseqüência lógica, também deverão ter o mesmo grau de confiabilidade. Exemplo: “Se todos os gansos são brancos” e minha tia tem um ganso, posso concluir que ele é branco. Assim, a partir da teoria geral: “todos os gansos são brancos” podemos extrair a teoria particular: “o ganso da minha tia é branco”.

“O Método Hipotético Dedutivo”

Uma das mais importantes regras do método científico, “O Método Hipotético-Dedutivo” é baseada na Tautologia Lógica conhecida como “Modus Tollens”. Exemplo: Se “todos os gansos são brancos” isso implica que o ganso da minha tia deve ser branco, mas se, contudo, minha tia tem um ganso vermelho, posso concluir que ‘todos os gansos são brancos’ é uma teoria falsa.


Última edição por Ser Humano em Sex 28 Nov 2008, 1:35 pm, editado 2 vez(es)


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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Sex 28 Nov 2008, 1:21 pm

Resumindo:

O método indutivo extrai uma hipótese universal de um caso particular.

O método dedutivo extrai um caso partircular de uma hipótese universal.

O método hipotético-dedutivo propõe casos particulares que refutem ou possam refutar hipóteses consideradas universais.


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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sex 28 Nov 2008, 1:41 pm

Estou falando de um dos problemas mais graves da epistemologia do Popper e você aí... com repetecos e platitudes. que chato! Tenho um livro que fala sobre este problema da capacidade preditiva crescente, mas, como me chamou de cabeça dura, não vou digitar nenhum trecho. Se quiser verifique por si mesma:

Karl Popper - Filosofia e problemas: Anthony O´Hear

Veja a pág. 28.

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Sex 28 Nov 2008, 1:48 pm

dedo-duro escreveu:Estou falando de um dos problemas mais graves da epistemologia do Popper e você aí... com repetecos e platitudes. que chato! Tenho um livro que fala sobre este problema da capacidade preditiva crescente, mas, como me chamou de cabeça dura, não vou digitar nenhum trecho. Se quiser verifique por si mesma:

Karl Popper - Filosofia e problemas: Anthony O´Hear

Veja a pág. 28.

Ahhh, não fique bravo. Eu estava só brincando. namoro Digita, sim! positivinho


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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sex 28 Nov 2008, 2:21 pm

“ “Seria uma coincidência altamente improvável se uma teoria como a de Einstein pudesse prever corretamente mensurações muito bem precisas não previstas por seus antecessores, a menos que possuísse… um grau maior de verossimilhança do que o de seus rivais, que levavam a predições menos bem sucedidas.” (obs: citação ao Popper)

Comentário da citação:

Popper notou que pode haver um sopro de indutivismo nesse argumento. È mais que um sopro é um vendaval de indução. Popper, assim, vê-se diante de um dilema devastador. Ou se aceita esse argumento indutivista para justificar a tese do progresso, ou não se vê a ciência como paradigma de racionalidade. Claramente somente um argumento indutivista resolve o problema. Pois não existe arguemento dedutivo ligando o que observamos osbre a ciência – sobre seu sucesso preditivo e manipulativo – à sua verossimilhança crescente significa, aqui, verdade crescente no nível teórico. Mas se admitirmos a legitimidade da indução neste caso, por que não admití-la em outros lugares? Tendo aceito qualquer argumento indutivo como legítimo, temos o falseamento do grande experimento popperiano.

(…) nesse sentido ele não poderia nem mesmo reconhecer que Einstein é mais bem sucedido do que Newton. Suponhamos que Einstein passou por um número muito maior de tentativas de falseamento que Newton, e que Einstein não tenha falhado em nenhum teste, até o momento. Supor, com base nisso, que Einstein é, do ponto de vista preditivo, melhor, é raciocinar indutivamente É supor que o conjunto de testes constitui uma amostragem razoável da totalidade de testes conduzidos por um ser onisciente. Mas esse é um argumento indutivo. Pois é logicamente possível que, a despeito dessas observações, Newton seja melhor. Estamos utilizando nossas observações locais como uma amostragem confiável para todo o universo. Talvez existam vastas regiões nas quais Newton se saia melhor que Einstein."

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Re: O mito do contexto

Mensagem por Ser Humano em Sab 29 Nov 2008, 1:39 pm

Muito interessante!

Bom, se com isso Taleb alega que o que chamamos de dedutivo tem, na verdade, uma estrutura semelhante ao inditivismo, concordo. O que modifica, de fato, é a perspectiva científica, até onde entendo. Na minha opinião e, é claro que posso estar enganada, a Filosofia de Popper propõe mais uma mudança de mentalidade do que de metodologia, propriamente. A falseabilidade é mais uma ferramenta de demarcação, não apenas para distinguir o que é do que não é Ciência, mas também qualificando diferentes áreas da Ciência por grau de confiabilidade.

Dentro da perspectiva positivista predomina a idéia de coletar dados que comprovam a veracidade da Teoria. O problema desse método é que ele tem maior potencial de induzir ao erro por desconsiderar comumente aqueles dados que refutam sua veracidade universal. Quando os fatos não se adequam a Teoria, deduz-se que o problema está nos fatos e não na teoria, bucando assim, uma forma de ajustar os fatos à Teoria em vez de buscar suas possíveis falhas ou mesmo novos conhecimentos.

Buscar a verdade visando o acerto é uma atitude menos cuidadosa do que buscá-la pela eliminação dos erros, pois tende a mascará-los. A atitude crítica, deve ser antes de tudo auto-crítica - buscando possíveis erros. O acerto é consequência. Por essa perspectiva a Ciência abandona o dogma do absoluto, tornando-se finalmente, o que hoje entendemos por Ciência - a Ciência Moderna. A mentalidade de que todo o conhecimento adquiro está sempre sujeito a novas descobertas, que podem, inclusive, modificá-los radicalmente abre um horizonte de possibilidades ao desmistificar o tom "sagrado" de autoridade.

Fora da Ciência, o quotidiano é um bom exemplo de como a indução é falha, pois leva, quase sempre, à generalização. Pode ser um bom ponto de partida, mas a partir daí, torna-se muito pouco confiável. É preciso deduzir a partir da observação, não basta observar. Hipotetizar possíveis consequências e verificar se elas de fato ocorrem.

É importante observar, no entanto, que a metodologia científica provém diretamente do postulado de que o Universo comporta-se logicamente. Se não fosse assim, nem o método hipotético-dedutivo nem o método-dedutivo poderiam ser justificados.

De qualquer forma, fiquei entusiasmada. Vou procurar ler o livro. Estive fazendo uma pesquisa e parece, realmente, muito interessante. positivinho


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Re: O mito do contexto

Mensagem por dedo-duro em Sab 29 Nov 2008, 2:23 pm

Concordo com o que disse. Apesar desse teto de vidro, o método hipotético dedutivo,creio eu, tem uma influência positiva no saber. Só há um problema: não podemos esperar que da cabeça do cientista criador de uma teoria saia também o falseamento da mesma. A outro, possivelmente, caberá a tarefa. Nisso temos o caráter o social da ciência.

____________//__________________

Embora as generalizações não sejam garantia de novas teorias, a coleta de dados indutivistas tem um papel importante no crescimento do saber. Enquanto não chega o novo paradigma, os dados coletados indutivamente servem para o falseamento da teoria em voga.

____________//_________________

E esclarecendo o trecho do projeto ockam, não escolhemos uma teoria devido a sua capacidade crescente de previsão. Devemos escolher a nova teoria, pois, sendo falseada a antiga, a nova teoria tem a possibilidade de estar correta.

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Re: O mito do contexto

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