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Os bons samaritanos ateus?

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Os bons samaritanos ateus?

Mensagem por E.Ramos em Qua 10 Abr 2013, 7:09 am

Os bons samaritanos ateus


Bondade não surge só da fé. É o que mostram as histórias de três ateístas que praticam o bem em trabalhos voluntários


Uma das passagens mais conhecidas da Bíblia, a parábola do bom
samaritano descreve um episódio narrado por Jesus no Evangelho de Lucas
(10: 25-37). Na história, um homem é atacado por ladrões que o espancam e
o deixam, nu e quase morto, na estrada. Por ali passam primeiramente um
sacerdote e um levita, homens dedicados à religião, que fingem não ver o
ferido. O terceiro a vir pela estrada é um samaritano. É ele quem
socorre o desconhecido, cuida dele, o leva a uma hospedaria e paga a
conta. O trecho é tão famoso que “bom samaritano” virou um sinônimo de
pessoas que fazem o bem.

“Como uma pessoa tão boa como você não acredita em Deus?”.
Esta é uma pergunta que a professora Erika Kodato, 40 anos, ouve com
frequência. Ateísta, ela vai toda semana a um abrigo de menores à espera
de adoção para dar não só aulas de reforço escolar, mas também carinho
de mãe. “Se você é ateu, não esperam de você atitudes de solidariedade. É
como se você fosse uma pessoa individualista ou materialista
simplesmente porque não crê em Deus”, diz ela.

Na entidade Casa São José, em Arujá (SP), Erika
trabalha com sete crianças entre 7 e 14 anos. Além do carinho, beijos e
abraços, a professora auxilia nas dúvidas da lição de casa, ensina
origami e faz atividades para desenvolver o apredizado. “É uma espécie
de reforço escolar mais individualizado. As crianças geralmente têm pai e
mãe para fazer isso, mas estas não têm”, explica.

Erika é ateísta desde sempre. O avô e o pai dela também
eram ateus, assim como três filhos da professora. Para ela, é muito
natural não crer em uma entidade divina. Mas Erika entende que isso soa
estranho em um país tão católico como o Brasil. “Até eu me pego usando
expresões do tipo ‘graças a Deus’. Faz parte da nossa cultura”, conta,
bem-humorada.

Embora o ateísmo já seja uma opção natural na família,
ela diz que não ficaria chateada se um dos filhos decidisse seguir uma
religião. “Vou achar legal, sinal que dei a eles liberdade suficiente
para fazer o que quiserem. Acreditar em Deus é um sentimento. Algumas
pessoas têm, outras não”.

Um ateu em favor do candomblé

Também ateu, o historiador Leonardo Dallacqua
de Carvalho, 25 anos, não vê cor, raça ou religião na hora de ajudar o
próximo. Voluntário no Instituto Zimbauê, onde realiza principalmente
palestras contra o preconceito racial, ele trabalha com temas
relacionados à cultura negra – inclusive na defesa de religiões
afro-brasileiras, como o candomblé. “O objetivo deste projeto é dar um
espaço igualitário para esta religião. Meu papel, mesmo não acreditando
em Deus, é buscar um espaço para que todos vivam em harmonia, onde os
preceitos não sejam livros sagrados, mas a constituição brasileira”,
diz.

Além deste trabalho realizado na cidade de Assis,
interior de São Paulo, onde mora atualmente, Leonardo também faz parte
da ONG Ágora, em Cândido Mota. Lá, ele dá aulas para adolescentes
carentes em um cursinho pré-vestibular gratuito. “A intenção é ajudar
pessoas que não têm recursos a ter uma educação com mais qualidade”. O professor Leonardo entra em
ação todos os sábados, dando aulas de história e geografia para cerca de
40 jovens.
De família cristã, Leonardo se tornou ateu por convicção.
“Sempre digo que a ética e o caráter são o que faz você se doar ao
outro, não a espera de uma recompensa divina. O ateu acredita apenas na
bondade”, esclarece.

Leonardo Dallacqua, à frente do grupo, em uma palestra do Instituto Zimbabuê
Curiosamente, Leonardo também chegou a dar aulas de educação religiosa
na rede pública. “Eu ensinava a história das religiões de maneira
igualitária e sem posições ideológicas”, diz ele que defende que este
tipo de aula deve ser facultativo.
Solidariedade nas favelas


Wendell da Costa Nascimento: depois de incêndio em favela, mobilização para arrecadar roupas e mantimentos
A notícia de um incêndio na Favela do Moinho, no centro
de São Paulo, em dezembro de 2011, despertou em Wendell da Costa
Nascimento o desejo de ajudar os mais carentes. Na época com 18 anos, o
técnico em informática se sensibilizou com a situação dos moradores após
a tragédia. “Resolvi arrecadar roupas e alimentos entre os amigos e
levei tudo para lá”, conta Wendell, que é ateu.

O ato voluntário que ajudou cerca de 30 famílias foi o
primeiro passo para que o trabalho fosse mais regular. Meses depois,
Wendell organizou mais uma ação em favela, desta vez no bairro de
Itaquera, também em São Paulo, após uma enchente, em 2012, quando
novamente levou roupas e mantimentos.

Além do trabalho focado nas favelas, Wendell também
participa de mutirões para distribuir comida a moradores de rua e ajuda
na organização de shows beneficentes em prol de instituições de
caridade.

Para ele, o fato de não acreditar em Deus não o impede de
praticar a caridade. Wendell diz que muitas vezes as pessoas veem com
desconfiança o trabalho realizado, mas isso não o aborrece. “Elas ficam
impressionadas e me perguntam como um ateu pode fazer isso”, relata.
Wendell enfrentou um certo desconforto na própria família ao se tornar
ateu, há dois anos. Apesar de os pais não terem religião, eles sempre
foram muito crentes em Deus. “Minha mãe se assustou um pouco, mas fui
explicando que são minhas atitutes que mostram quem eu sou realmente”,
conta. “Eu faço este trabalho porque me incomoda ver tanta desgraça, e
quero fazer algo para melhorar a vida dessas pessoas, dar esperança a
elas. Isso me deixa feliz”, conclui o jovem.
http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-04-09/os-bons-samaritanos-ateus.html

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Re: Os bons samaritanos ateus?

Mensagem por Felix Éber em Sex 24 Maio 2013, 8:19 pm

Cada atitude de bondade deles mostra a bondade do Deus em que não acreditam. Pois o mesmo Deus Criador derrama chuva e faz levantar o sol sobre todos, e não somente pelos que creem nele.

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