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Christiano, David de Oliveira, irmão, Khwey

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Consulta Bíblica
Ex: fé - Ex: Gn 1:1-10

Alguns dos chamados "Pais da Igreja" eram anti-semitas

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Alguns dos chamados "Pais da Igreja" eram anti-semitas

Mensagem por Eduardo em Dom 09 Jan 2011, 11:50 pm

A perseguição inicial aos Judeus estava ligada à religião. A perseguição cesaria caso a pessoa se convertesse ao cristianismo.

Por volta de 160 d.C., Justino, o Mártir, condenou os judeus como "filhos de meretrizes".

Em 200 d.C., Tertuliano escreveu o primeiro manifesto cristão sistemático contra os judeus. Ele também já tinha passado a considerar a Igreja como sendo o verdadeiro e eterno Israel. Depois disso foram publicados muitos outros panfletos anti-judeus por Pais da Igreja.

250 EC:, Cipriano, um dos Pais da Igreja, escreveu: "O diabo é o pai dos judeus". Mais tarde, essa acusação passou a ser encontrada constantemente no anti-judaísmo cristão.

306: A Igreja Synod of Elvira proibiu casamento, relação sexual e relação comunitário entre Cristãos e Judeus.

315: Constantino publicou o Édito de Milan que extendia a tolerância religiosa aos Cristãos. Os Judeus perderam muitos direitos com este édito. A eles não era mais permitido viver em Jerusalém ou o proselitismo.

325: O concílio de Nicéia. Pela primeira vez em um concílio não foram convidados bispos judeus-cristãos. Esse concilio decidiu separar a celebração da Páscoa do Judeu. Eles declararam: “porque é inapropriado, além da medida, que nesta festa mais sagrada nós deveriamos seguir os costumes dos Judeus. De hoje em diante, vamos ter nada em comum com este povo odioso. Nós não devemos, portanto, ter qualquer coisa em comum com os Judeus. Nossa adoração segue um… curso mais conveniente…nós desejamos, amados irmãos, nos separar da detestável compania dos Judeus...Como, então, podemos seguir esses Judeus que são quase que certamente cegos.”

337: O Imperador Cristão Constantino criou a lei que tornou o casamento de um homem Judeu com uma critã pena de morte.

339: Conversão ao Judaísmo se tornou uma ofença criminal.

343-381: O concílio de Laodicéia aprovou o canon 29: “Não é direito para os Cristão, receber pão sem levedo dos Judeus, nem tão pouco ser participantes das suas impiedades.

367 - 376: São Hilario de Poitiers se referiu ao Judeu como povo perverso a quem Deus amaldiçoou para sempre. São Efraim se refere às sinagogas como bordéis.

379-395: Imperador Theodosius o Grande permitiu a destruição de sinagogas se ela service a um propósito religioso. Nesta ocasião, o Cristianismo se tornou a religiao do estado do Império Romano.

380: O bispo de Milão foi responsável por incendiar uma sinagoga; ele referiu a este ato como “um ato prazeroso a Deus”.

A festa da Páscoa foi transferida para o domingo após pessach (a páscoa judaica) com a justificativa: "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum com esse povo abominável".

387 EC: teve início a maior campanha de instigação cristã contra os judeus de que se tem notícia na Antiguidade – e ela foi patrocinada pelo Pai da Igreja João Crisóstomo, a partir de Antioquia (Síria). Ele disse, por exemplo, que a sinagoga era "lugar de blasfêmia, asilo do diabo e castelo de Satanás".

415: O Bispo de Alexandria, São Cyril, expulsou os Judeus da cidade Egipcia.

Em 415, o bispo Agostinho de Hipona escreveu que os judeus carregam eternamente a culpa pela morte de Jesus. Em decorrência, o monge Barzauma instigou uma perseguição aos judeus em Israel, quando inúmeras sinagogas foram destruídas.

415: São Augustine escreveu: "A verdadeira imagem dos Hebreus é a de Judas Iscariot, que vendeu o Senhor por prata. Os Judeus nunca poderão entender as Escrituras e para sempre carregarão a culpa pela morte de Jesus."

418: São Jerome, que criou a tradução Vulgata da Bíblia escreveu sobre as sinagogas: "se você chamar a sinagoga de bordel, um antro de vício, o refúgio do diabo, fortaleza de satanás, um lugar de depração da alma, um abísmo de todo desastre concebível, ou qualquer outra coisa mais que você disser, você aida estará dizendo menos do que ela merece."


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Re: Alguns dos chamados "Pais da Igreja" eram anti-semitas

Mensagem por Eduardo em Dom 16 Jan 2011, 11:08 pm

lordakner escreveu:http://www.casaisrael.com/Historiadoanti-semitismocristao.htm

Onde Estavam o Amor e a Misericórdia?
A História do Anti-Semitismo Cristao ?



  • Você sabia que a igreja, em seus primórdios, era predominantemente judaica?
  • O que aconteceu que levou a igreja a romper com as raízes judaicas e criar
    quase que uma igreja totalmente de gentios?
  • Por que a igreja decretou tantas leis anti-judaicas?
  • É o povo judeu "assassino de Cristo", como alguns os têm chamado?
  • A igreja tomou o lugar de Israel?
  • Por que eventos históricos como as Cruzadas e Inquisição se preocupavam em perseguir os judeus?
  • Você sabia que Martinho Lutero tinha um
    relacionamento bastante positivo com a Comunidade Judaica, e depois
    veio a se tornar um dos anti-semitas mais desprezíveis na história?
  • Você sabia que Adolph Hitler encontrou precedentes para suas ações direto dos anais da história da igreja?
  • O que podemos fazer para mudar os últimos 1.800 anos de atitudes e ações históricas anti-semitas da igreja?

Nós, cristãos, cantamos o corinho: "Eles saberão que somos cristãos, pelo nosso amor, pelo nosso amor..." Em
Romanos 11, Paulo fala aos gentios cristãos acerca de nosso
relacionamento com relação ao povo judeu. Ele diz para não sermos "arrogantes com respeito a eles (v.20)", que eles são "amados por causa dos patriarcas (v.28)" e que "através da [nossa] misericórdia, eles alcancem misericórdia
(v.31)." Infelizmente, a comunidade judaica tem vivido bem perto dos
cristãos nos últimos 1.900 anos, e raramente sente amor ou respeito por
parte dos cristãos ou do Cristianismo. Para a maioria, no entanto,
recebeu ódio, desprezo, perseguição e até mesmo a morte das mãos dos
cristãos. Onde estava o amor e a misericórdia?
Geralmente, muito pouco desta história viva e trágica é
conhecida pela maioria dos cristãos. Mas, ela é bem conhecida pela
comunidade judaica, uma vez que eles lembram claramente os tristes
capítulos desta história. Ao invés de demonstrar amor e misericórdia ao
povo judeu, muitos cristãos transformaram a cruz em espada contra os
judeus. Foi dito pelo Dr. Edward Flannery, em seu livro, The Anguish of
the Jews ( A Agonia dos Judeus), que os únicos capítulos da história
cristã conhecidas pelos judeus, foram registrados nas páginas que a
igreja arrancou dos livros de história e a queimou. Quando estava
pesquisando a respeito deste artigo, verifiquei volumes e mais volumes
de livros, enciclopédias e dicionários da história da igreja, e quase
não foi possível encontrar referência acerca da grande quantidade de
material escrito pela igreja contra o povo judeu. Eles existem como
parte dos procedimentos e conclusões da maioria do concílio da igreja e
promulgam até este século, mas muitos escritores preferiram não escrever
sobre estas passagens por não ser lisonjeiro. Antes, temos varrido tudo
isto para debaixo do tapete por se tratar de algo bastante difícil de
se lidar.
É por isto que eu gostaria de fazer algo um pouco
diferente nos próximos dois estudos. Ao invés de nos determos em uma
interpretação e entendimento corretos das Escrituras, vamos ver os
resultados das interpretações erradas e, da destruição e confusão
provocadas. Por ser algo de tamanha importância para o relacionamento
cristão com Israel e a comunidade judaica, é bastante importante
estudarmos sobre isto juntos. Mesmo sendo um tópico muito longo, posso
assegurálo de que não ficará entediado.
Quando examinamos os últimos 2.000 anos na perspectiva
histórica, posso afirmar com segurança que organizações e indivíduos
cristãos que expressam solidariedade com o povo judeu, e que tem
ensinado a igreja a respeito das raízes judaicas da fé cristã, são uma
raridade histórica. Deixeme colocar algumas avaliações em perspectiva:
Durante aproximadamente 1.800 dos quase 2.000 anos de história da
igreja, qualquer tentativa de ensinar os cristãos sobre judeus,
judaísmo, raízes, as festas levíticas, resultava em cristãos sujeitos a
falatórios impiedosos ou na melhor das hipóteses, excomunhão e em muitos
casos, morte. E qualquer membro da comunidade judaica que participasse
seria considerado traidor e seria penalizado pelas autoridades da igreja
com punição e até morte. Certamente um artigo deste tipo não era
permitido. A história é algo complexo ( e houve certos momentos
históricos de liberdade religiosa), e esta consideração pode ser
encarada como uma generalização precisa. Felizmente, hoje somos livres
para discutir as raízes judaicas do Cristianismo, tanto quanto nossos
tristes registros contra os judeus, sem vingança. Podemos até nos juntar
a eles para aprendermos um do outro acerca destes tópicos. A mudança é
definitivamente positiva.
Este estudo não é simplesmente uma mera lição de
história, mas uma lição na história. Além do mais, não quero infligir
culpa em ninguém, uma vez que somos exceções da regra histórica. Por
outro lado, estou tentando incluir um senso de responsabilidade, para
que jamais permitamos que a história se repita.
Nesta apresentação, estarei me referindo aos sacerdotes
da igreja primitiva, à Igreja Católica, Martinho Lutero e outros líderes
da igreja. Por favor, não se sinta ofendido pelos fatos históricos
apresentados. Eles estarão sendo apresentados para nos ajudar a
aprender, crescer e prosseguir em nossa caminhada de fé, e não insultar
nenhum tipo de denominação ou grupo. Então, comecemos nossa viagem rumo
ao entendimento.

Os Primeiros Quatro Séculos d.c.


No primeiro século d.C., a igreja estava bastante ligada às suas raízes
judaicas, e Jesus não pretendia que fosse de outra forma. Além disso,
Jesus é judeu e a base de seus ensinamentos é consistente com as
Escrituras hebraicas. Em Mateus 5:17-18, Ele afirma: "Não penseis que
vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para
cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem ,
nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra." É
sabido também que os autores do Novo Testamento, com exceção de Lucas,
eram judeus. Os apóstolos e os primeiros discípulos eram judeus. Eles
adoravam no Shabbat, celebravam as festas e freqüentavam a sinagoga. Até
mesmo a membresia da igreja primitiva em Jerusalém e arredores, Judéia,
Samaria e Galiléia era predominantemente judaica. Nós sabemos, por
exemplo, que nome de pessoas não judias apareceram na liderança da
igreja de Jerusalém somente após 135 d.C., quando então aparece um nome
grego. A seguir veremos porque isto aconteceu.
Congregações em outras partes do Império Romano também
tinham raízes judaicas e hebraicas relativamente fortes, uma vez que a
raiz de sua crença vinha da Escola de Pensamento de Jerusalém. E isto
era ilustrado pelos nomes de muitas das epístolas do Novo Testamento: As
cartas aos Coríntios, Romanos, Gálatas, Efésios, Filipenses,
Colossenses e Tessalonicenses originaram da comunidade de Jerusalém. Os
autores das outras epístolas estavam também ligados à congregação
judaico-cristã em Jerusalém.
Antes da Primeira Revolta Judaica no ano 66 d.C., o
cristianismo era basicamente um secto do Judaísmo, bem como os fariseus,
saduceus e essênios. Os cristãos eram também conhecidos como nazarenos.
Antes da revolta mencionada, que terminou com a destruição do Segundo
Templo e também de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C., houve então
espaço para debate dentro do Judaísmo na movimentada e cosmopolitana
cidade de Jerusalém. Então, o que exatamente causou a divisão entre
cristãos e comunidades judaicas, e que subsiste até hoje?

A SEPARAÇÃO COMEÇA:

Inicialmente, tudo começou como resultado de diferenças
sociais e religiosas. De acordo com o livro de David Raush, A Legacy of
Hatred (Um Legado de Ódio), houve vários fatores que contribuíram: 1) A
intrusão romana na Judéia e a ampla aceitação do Cristianismo pelos
gentios, complicaram a história do Cristianismo judeu; 2) As guerras
romanas contra os judeus não somente destruíram o Templo e Jerusalém,
mas também levou Jerusalém a abrir mão de sua posição como centro da fé
cristã no mundo romano, e; 3) Uma rápida aceitação do Cristianismo entre
os gentios levou a um conflito entre a igreja e a sinagoga. As viagens
missionárias de Paulo levaram a fé cristã ao mundo gentio, uma vez que o
número deles aumentou, e também sua influência, o que levou a uma
separação do Cristianismo de suas raízes judaicas.
Muitos cristãos gentios interpretaram a destruição do
Templo e de Jerusalém como um sinal de que Deus havia abandonado o
Judaísmo, e que Ele tinha dado aos gentios a liberdade de desenvolver
sua própria teologia cristã, livre da influência de Jerusalém.
Infelizmente, os cristãos judeus se desassociaram da guerra contra os
romanos e da tragédia que sobreveio à nação. Acreditando ser a guerra
com os romanos um sinal do fim, eles fugiram para Pella, a leste do rio
Jordão, deixando os companheiros judeus entregues a si mesmos.
Após a guerra e a destruição virtual de Jerusalém e do
Templo, os sábios judeus que sobreviveram à vitória romana, se reuniram
em Jabneh, uma cidade nas planícies de Sharom, perto de Joppa. Assim que
entraram no período pós Templo, eles entenderam que havia uma
necessidade de consolidar a prática do Judaísmo e halacha, ou lei. O
Judaísmo adotou a Escola Bet Hillel de práticas rabínicas, o qual era
mais próxima do secto do Judaísmo farisaico. Os ensinamentos farisaicos
estavam mais interessados no relacionamento de cada pessoa com Deus, e
encorajava as massas a uma santidade baseada numa observância cuidadosa
do Torá, contrário aos saduceus que eram mais interessados na prática
ritual do Templo. Embora o Judaísmo farisaico demonstrasse tolerância
com os cristãos judeus ou nazarenos antes da destruição do Templo,
aqueles que se achavam reunidos em Jabneh estavam buscando uma separação
entre Cristianismo e Judaísmo.

A CONTRIBUIÇÃO DE ADRIANO:



Mais tarde, no ano de 132 d.C, quando o judeu Zealot, Bar Kochba, organizou a
Segunda Revolta judaica contra Roma, os cristãos judeus tinham outra
razão para não participar. Bar Kochba foi proclamado messias por Rabbi
Akiva. Uma vez que os cristãos viram Jesus (Yeshua) como Messias, a
participação deles na revolta sob a liderança de Bar Kochba seria
considerado uma negação de sua crença. No ano de 135 d.C., quando a
revolta foi esmagada pelo imperador romano Adriano, ele então expulsou
todos os judeus de Jerusalém, permitindo que eles retornassem somente um
dia por ano, durante o Tisha B'Av, este dia é separado para se lamentar
a destruição do Templo. Esta proibição foi também para os judeus
cristãos, e assim encontramos registrado um nome grego, pela primeira
vez, na liderança da igreja em Jerusalém. Neste ponto, a influência
hebraica da igreja em Jerusalém havia perdido para o mundo cristão, o
qual influenciou a direção da igreja.
Adriano também reconstruiu Jerusalém numa cidade romana,
nomeandoa em sua própria homenagem, Aelia Capitolina, o sobrenome de sua
família era Aelius. Ele se considerava um deus por seus feitos, e isto
foi um grande insulto ao Deus de Israel, o qual escolheu Jerusalém como
Sua cidade. Adriano também mudou o nome de Judéia, Samaria e Galiléia
para Síria Palestina (Palestina), atribuindo assim à terra o nome que
está relacionado com os arquiinimigos do povo judeu, os filisteus.
Adriano fez isto na tentativa de apagar qualquer relação judaica com a
cidade de Jerusalém e a terra de Israel. Este legado continua
assombrando Israel ainda hoje.

A SEPARAÇÃO DO CRISTIANISMO E DO JUDAÍSMO:



Neste momento a igreja já tinha se separado efetivamente do Judaísmo. O poder
político e teológico mudou dos líderes cristãos judeus para os centros
de liderança dos cristãos gentios tais como: Alexandria, Roma e
Antioquia. É importante entender esta mudança porque ela influenciou os
patriarcas da igreja a fazer declarações anti-judaicas, pelo fato do
Cristianismo ter começado a se separar de suas raízes judaicas.
Tendo se espalhado por toda a parte dentro do Império
Romano, e tendo como membros uma grande quantia de não-judeus,
pensamentos gregos e romanos começaram a se infiltrar e a mudar
totalmente a orientação bíblica para um pensamento grego, não
considerando o pensamento hebraico e judaico. Esta seria a causa das
heresias que apareceram na igreja, algumas das quais ainda são
praticadas hoje.
Após tomar caminhos diferentes, a distância entre o
Cristianismo e o Judaísmo começou a se tornar cada vez maior. Os romanos
suprimiram efetivamente o Judaísmo; entretanto, o Cristianismo se
espalhava rapidamente. E esta se tornou a maior preocupação de Roma, e
as últimas pressões políticas se tornavam a principal causa do
distanciamento entre cristãos e judeus.
Sob a lei romana, o Judaísmo era considerado religio
licita, uma religião legal, uma vez que esta precedeu Roma. Para que o
Império Romano fosse unificado, todos eram obrigados a adorar e
sacrificar aos deuses romanos, e isto incluía o imperador, que era
considerado um deus. Obviamente que os cristãos não aceitavam este tipo
de adoração pagã, e então se recusavam a compactuar, o que resultava no
enfurecimento da autoridade romana. O Cristianismo apareceu após Roma, e
por isto era considerado religio ilicita. A prática do Cristianismo era
passível de punição. Durante este tempo, encontramos cristãos sendo
usados como objetos nos coliseus romanos, circos, como gladiadores ou
até mesmo atirados para os leões e outras bestas. O Imperador Nero
chegou até a usar alguns cristãos como tochas humanas para iluminar seu
jardim à noite. Alguns cristãos foram mergulhados em asfalto, amarrados
nos postes e incendiados. Como medida de segurança, o símbolo do peixe
foi adotado pelos cristãos, ao invés do óbvio símbolo da cruz, como um
sinal de identificação neste período. O anagrama grego do slogan, "Jesus
Cristo, Filho de Deus, Salvador" aparece nas letras da palavra ICTHUS,
ou peixe em grego.
Na tentativa de aliviar esta perseguição, defensores do
Cristianismo tentaram, em vão, convencer Roma de que o Cristianismo era
uma extensão do Judaísmo. Entretanto, Roma não foi convencida. As
perseguições e a frustração dos cristãos criaram um clima de animosidade
com relação a comunidade judaica, a qual estava livre para adorar a
Deus, sem perseguição. Mais tarde, quando a Igreja se tornou a religião
do estado, as leis foram passadas contra os judeus em retribuição.

A TEOLOGIA DA SUBSTITUIÇÃO:

Esta animosidade refletiu nos escritos dos primeiros pais
da igreja. Por exemplo: Justin Martyr (d.C. 160) falando a um judeu:
"As escrituras não pertencem a vocês, mas a nós." Irineu, bispo de Lyon
(d.C. 177) declarou: "Os judeus foram deserdados da graça de Deus."
Tertuliano (d.C. 160-230), em seu tratado "contra os judeus", anunciou
que Deus havia rejeitado os judeus em favor dos cristãos. Nos primórdios
do 4o século, Eusébio escreveu que as promessas das Escrituras
hebraicas eram para os cristãos e não para os judeus, e as maldições
para os judeus. Ele afirmou que a igreja era a continuação do Velho
Testamento e desta forma substituía o Judaísmo. A jovem igreja declarava
ser a verdade de Israel, ou "Israel de acordo com o Espírito", herdeira
das promessas divinas. Eles achavam essencial desacreditar o "Israel
segundo a carne" para provar que Deus havia abandonado Seu povo e
transferido Seu amor para os cristãos.
Desta forma, encontramos o princípio da TEOLOGIA DA
SUBSTITUIÇÃO, a qual colocou a Igreja triunfante sobre Israel e o
vencido Judaísmo. Esta teoria se tornou uma das principais fundações
sobre as quais o anti-semitismo cristão se baseou, até mesmo nos dias de
hoje. Por falar nisso, o Novo Testamento fala do relacionamento da
igreja com Israel e suas alianças como sendo "enxertados", "aproximados"
(Efésios 2:13), "descendência de Abraão (pela fé)" (Rom. 4:16), e
"participantes" (Rom. 15:27), não usurpadores da aliança e substitutos
do Israel físico. Nós, gentios cristãos, nos unimos ao que Deus tinha
estado fazendo em Israel e Deus não quebrou Suas promessas com Israel
(Rom.11:29).

A IGREJA TRIUNFANTE:



No começo do 4o século, um evento monumental ocorreu para a igreja. No ano
306 d.C., Constantino se tornou o primeiro imperador romano cristão. A
princípio, ele tinha uma visão bastante pluralista e concedia aos judeus
os mesmos direitos religiosos dos cristãos. Entretanto, no ano 321
d.C., ele decretou o Cristianismo como a religião oficial do Império.
Isto marcou o fim da perseguição aos cristãos, mas o começo da
discriminação e perseguição ao povo judeu. Já no ano 305 d.C., em Elvira
(Espanha), declarações foram feitas para manter judeus e cristãos
separados, incluindo ordens para que os cristãos não comessem com os
judeus, não se casassem com judeus, não usassem os judeus para abençoar
seus campos e não observassem o Sabbath.
A Roma Imperial, no ano de 313 d.C., lançou o Edito de
Milão, o qual garantia favor ao Cristianismo, enquanto as sinagogas eram
excluídas. A seguir, no ano 315 d.C., outro edito permitia que judeus
fossem queimados caso fossem condenados por infringir as leis. Já que o
Cristianismo estava se tornando a religião do Estado, leis futuras foram
passadas contra os judeus:

  • A jurisdição rabínica foi abolida e severamente limitada;
  • Proselitismo foi proibido e feito punição por morte;
  • Judeus foram excluídos de abraçarem cargos burocráticos e carreira militar.

Estas e outras restrições foram confirmadas repetidas vezes pelos vários conselheiros da Igreja nos 1000 anos seguintes.
No ano de 321 d.C., Constantino decretou que todo
trabalho deveria cessar no "honrado dia do sol", substituindo, então, o
Sábado pelo Domingo como sendo o dia que os cristãos deveriam adorar,
ele avançou a separação ainda mais. Esta controvérsia do Sabbath
judeu/Domingo cristão também surgiu no primeiro conselho ecumênico de
Nicea (325 d.C.), o qual concluiu que o Domingo seria o dia de descanso,
embora isto tenha sido bastante debatido após aquela data.
Da noite para o dia, o Cristianismo recebeu o poder do
Estado Imperial, e os imperadores começaram a aplicar os conceitos e
reinvidicações de teólogos cristãos contra os judeus e o Judaísmo na
prática. Ao invés da Igreja aproveitar a oportunidade de espalhar a
mensagem do evangelho em amor, ela verdadeiramente se tornou a Igreja
Triunfante, pronta para acabar com seus adversários. Após o ano 321, os
escritos dos Pais da Igreja mudaram seu conteúdo. Não era mais defensivo
e apologético, mas agressivo, destilando seu veneno contra todos
aqueles que estavam "fora do rebanho", em particular o povo judeu, os
quais podiam ser encontrados em quase toda comunidade e nação.

A Idade Média

Vamos dar agora uma olhada nos próximos 700 anos de história, da época de Constantino até a Primeira Cruzada, em 1096 d.C.
Este período é conhecido como Idade Média ou Idade das
Trevas. O Santo Império Romano buscava expandir a nova fé nas tribos
pagãs da Europa ocidental, os ostrogodos ao norte e leste, os visigodos a
oeste, e o Império Franco o qual incluía uma área que circunvizinha a
França hoje. Durante este período, encontramos mais exemplos de
preconceitos anti-semitas na literatura da Igreja escrita pelos líderes
da igreja:

  • Hilary de Poitiers (291-371 d.C.) escreveu: "Os judeus são um povo perverso, amaldiçoa dos por Deus para sempre."
  • Gregory de Hyssa (morreu em 394 d.C.), Bispo de
    Capadócia: "Os judeus são uma raça de víboras, que odeiam a
    bondade..."
  • São Jerônimo (374-407 d.C.) descreveu os judeus
    como "... serpentes, vestindo a imagem de Judas, seus salmos e
    orações são como berro dos jumentos."



JOÃO CRISÓSTOMO: No final do 4o século, o bispo de Antioquia, João
Crisóstomo, o grande orador, escreveu uma séria de oito sermões contra
os judeus. Ele tinha visto cristãos conversando com o povo judeu,
fazendo votos na frente da Arca e alguns estavam guardando as festas
judaicas. Ele queria que isto parasse. Na tentativa de trazer seu povo
de volta para o que ele chamava de "a fé verdadeira", os judeus se
tornaram o alvo de seus sermões. Segundo ele, "a sinagoga não é somente
um bordel e um teatro; mas também um covil de ladrões e um alojamento de
bestasferas. Nenhum judeu adora a Deus... judeus são assassinos
inveterados, possuídos pelo diabo, sua orgia e bebedice dão a eles os
modos de um porco. Eles matam e mutilam uns aos outros..."
Qualquer um pode ver que um judeu-cristão que quisesse
continuar sua herança, ou um cristão gentio que quisesse aprender mais
sobre o cristianismo, teria uma imensa dificuldade sob tanta pressão.
Mais tarde, Crisóstomo procurou separar totalmente o Cristianismo do
Judaísmo. Ele escreveu em seu 4o discurso, "Eu já disse o suficiente
contra aqueles que dizem estar do nosso lado, mas estão ansiosos em
seguir os costumes judaicos... é contra os judeus que quero armar minha
batalha... judeus são abandonados por Deus e pelo crime de deidade, não
há expiação possível."
Crisóstomo era conhecido por sua ardente pregação contra
aquilo que ele julgava como ameaça ao seu rebanho, incluindo riqueza,
diversão, privilégio e adornos exteriores. Entretanto, sua pregação
contra a comunidade judaica, a qual ele acreditava ter uma influência
negativa nos cristãos, é indesculpável e obviamente anti-semita em seu
conteúdo.

OS ASSASSÍNOS DE CRISTO:



Outra infeliz contribuição que Crisóstomo fez ao anti-semitismo cristão, foi a
de considerar todo o povo judeu culpado pela morte de Cristo. O rótulo
de "assassinos de Cristo", aplicado ao povo judeu, foi reafirmado pelos
anti-semitas pelos 16 séculos seguintes.
Vamos dar uma olhada neste assunto por um momento e
finalizálo de uma vez por todas. Para justificar este rótulo, Mateus
27:25 foi citado. Nesta passagem, o povo judeu é mostrado admitindo sua
responsabilidade coletiva pela crucificação de Jesus, "E o povo todo
respondeu: caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!"
Primeiro, a responsabilidade coletiva de todo um povo por
todas as gerações não pode ser validado pelas palavras de alguns. Eles
estavam falando por eles mesmos, não por todo o Israel ou por todo o
povo judeu.
Segundo, se eles foram considerados responsáveis pela
morte de Jesus por sua participação, então o mundo não-judeu é também
culpado da mesma responsabilidade, pois foram os soldados romanos
gentios que, na verdade, efetuaram a crucificação, pregaram os cravos em
Jesus e O penduraram na cruz. Bem, se não todos os gentios, pelo menos
podemos considerar isto contra todos os italianos!! Você pode agora ver
quão absurdo é este argumento.
Terceiro, Jesus se deu pelos pecados da humanidade. Em
última análise, foi o nosso pecado que o pregou na cruz ? não uma
multidão de judeus ou um exército romano.
Quarto, antes de Jesus morrer, Ele disse: "Pai
perdoalhes, pois não sabem o que fazem." (Lucas 23:34). Se Jesus perdoou
a ambos, judeus e romanos, então quem somos nós para fazermos menos?

OS JUDEUS COMO UM POVO TESTEMUNHA:

Seguindo adiante neste período da Idade Média,
encontramos alguns líderes da igreja perplexos. Se os judeus e o
Judaísmo foram amaldiçoados por Deus, como foi ensinado por séculos,
então como se explica sua existência?
Agostinho falou sobre este assunto em seu "sermão contra
os judeus". Ele afirma que, embora os judeus merecessem a mais severa
punição por ter levado Jesus à morte, eles têm sido mantidos vivos por
Divina
Providência para servir, juntos com suas Escrituras, como
testemunhas da verdade do Cristianismo. Sua existência foi futuramente
justificada pelo serviço prestado à verdade cristã, em atestar através
de sua humilhação, o triunfo da igreja sobre a sinagoga. Eles foram
destinados a ser "povo testemunha"- escravos e servos que deveriam ser
humilhados.
Os monarcas do Santo Império Romano consideravam os
judeus como servos da câmara (servi camerae) e os utilizavam como
bibliotecários escravos para guardar os estudos hebraicos. Eles também
utilizavam os serviços dos judeus em um outro empreendimento ? usura de
empréstimo de dinheiro.
O empréstimo de dinheiro era necessário para uma economia
em crescimento. Entretanto, a usura era considerada como perigosa para a
salvação eterna do cristão e era então proibida. Então, a igreja
endossou a prática do empréstimo de dinheiro usado pelos judeus, pois,
de acordo com o entendimento deles, as almas dos judeus estavam perdidas
de todo jeito. Mais tarde, o povo judeu foi usado pelos países
ocidentais como agentes de negócios no comércio e desta forma entendemos
como o povo judeu encontrou o caminho das áreas bancárias e comerciais.
Por volta da Idade Média, o arsenal ideológico do
anti-semitismo cristão estava completamente estabelecido. Isto foi mais
tarde manifestado em uma variedade de eventos dentro da igreja, tais
como o Patriarca Cyril, bispo de Alexandria que expulsou os judeus e deu
suas propriedades para a plebe cristã. Do ponto de vista social, a
deterioração da posição dos judeus na sociedade estava somente começando
seu declínio. Durante este período, a "judeufobia" estava limitada ao
clero que estava sempre tentando manter seu rebanho longe dos judeus.
Entretanto, mais tarde, a crescente classe média viria a ser a principal
fonte de atividade anti-semita.

Conclusão

Fizemos então uma revisão dos primeiros 1000 anos do
cristianismo, eu penso que você pode perceber a tragédia que foi a
quebra do relacionamento entre a igreja e o povo judeu. Paulo fala sobre
eles em Romanos 11:28-31, "... amados por causa dos patriarcas; porque
os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis... (e que) pela sua
misericórdia, eles alcancem misericórdia." Esta é uma mensagem que a
igreja nunca pregou até recentemente.
Na segunda parte, daremos uma olhada nos outro 1000 anos
de história da igreja em relação ao povo judeu. Descobriremos porque a
igreja obrigou os judeus a usar crachás de identificação que os acusavam
de "difamadores sanguinários" e "hóstias de profanadores" e os lançavam
no gueto. Veremos também como os judeus sofreram com as Cruzadas, a
Inquisição e a Reforma inspirada pelos escritos bastante anti-semitas de
Martinho Lutero, os pogrons e o horror do holocausto.
Entendo que esta afirmação é bastante difícil de se ler,
nós cristãos conheceremos agora o que muitos judeus já sabem sobre o
Cristianismo e seu relacionamento com o povo judeu. Não é de se admirar
que eles tenham medo de nós, não é verdade? Esta lição, enquanto
histórica e pósbíblica, nos mostra como podemos usar mal as Escrituras.
E, agora que o dano está feito, veremos na conclusão do nosso próximo
estudo, algumas sugestões sobre o que podemos fazer para apresentar uma
expressão positiva do Cristianismo para Israel e a comunidade judaica ao
nosso redor.
No estudo anterior nós exploramos os primeiros 1.000 anos
da história cristã em relação a Israel e ao povo judeu. Os primeiros
1.000 anos mostraram a judeufobia, a qual se limitava ao clérigo, que
estava sempre preocupado em manter seu rebanho longe dos judeus.
Entretanto, um pouco mais tarde a classe média crescente se tornaria a
principal fonte das atividades anti-semitas, incitada pela Igreja e seus
editos. O padrão havia sido estabelecido.
Neste estudo, estaremos considerando as seguintes
questões: . Por que eventos históricos tais como as Cruzadas e
Inquisição se preocupavam em perseguir os judeus?
. Você sabia que Martinho Lutero era simpatizante em
relação ao povo judeu e que veio a ser mais tarde uma fonte vil de
anti-semitismo? . Você sabia que Adolfo Hitler encontrou precedentes
para suas ações contra o povo judeu direto dos anais da história da
Igreja?
Então, continuemos nossa caminhada neste rastro de desprezo.


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Eduardo
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