.....................................................
Que bom que você entrou Convidado
Últimos assuntos
Quem está conectado
59 usuários online :: Nenhum usuário registrado, Nenhum Invisível e 59 Visitantes :: 2 Motores de busca

Nenhum

O recorde de usuários online foi de 2364 em Seg 19 Dez 2011, 5:49 pm
Consulta Bíblica
Ex: fé - Ex: Gn 1:1-10

O caso Datena e o retrocesso das instituições jurídicas

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O caso Datena e o retrocesso das instituições jurídicas

Mensagem por Eduardo em Qua 29 Dez 2010, 10:39 pm

O caso Datena e o retrocesso das instituições jurídicas

Dr. Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior
Hoje li a seguinte manchete: Datena é condenado em processo por “discriminação homofóbica”. Será que estamos diante de mais uma burrice judicial? De acordo com matéria do jornal Folha de S. Paulo:
“O apresentador José Luiz Datena foi condenado a uma advertência pela Secretaria da Justiça de SP, no processo administrativo que a Defensoria Pública move contra ele por “discriminação homofóbica”. O processo partiu de uma reportagem no programa “Brasil Urgente” durante a qual Datena usou expressões como “travecão butinudo do caramba” ao falar de um travesti. A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta segunda-feira (27). “Não houve discriminação. Falei sobre a agressão [depois da briga, o travesti empurrou o cinegrafista] e não sobre a opção sexual da pessoa”, diz Datena. A Defensoria vai recorrer pedindo que Datena seja multado em R$ 246 mil.” (1)
Não conheço a íntegra do processo que envolve o apresentador, mas gostaria de começar pela própria inconsistência conotativa da palavra “homofobia”, que é interpretada como “medo de homossexual”. Alguém em sã consciência acredita que Datena tenha medo de homossexuais?
Se o fundamento da condenação foi a frase “travecão butinudo do caramba”, conforme reportagem, o que seria então se afirmasse “travecão feio pra burro”? Ora, só mesmo qualificando como imbecil esse tipo de patrulhamento que se aproveita de qualquer gesto ou atitude minimamente suspeita com relação aos homossexuais para transformar o caso em uma apoteose pró-sodomia. Quando isso vai encontrar bom termo? Viva o bom senso, por favor.
Lembro-me de outro apresentador de televisão que foi “demitido por telefone” sob alegação similar e depois saiu da TV brasileira, mudando-se para Portugal. Há algum tempo em entrevista televisiva ele afirmou que dentre as “ajudantes de palco” no seu programa no Brasil existiam dois transexuais, coisa que ninguém sabia. Olha o paradoxo: o rapaz empregava legalmente dois homossexuais e era acusado de homofóbico. Vai entender…
Contudo, é possível sim entender: trata-se de um tipo orquestrado de histeria coletiva das chamadas “minorias pseudo-perseguidas”. Se isso vai ser a regra a partir de agora neste Brasil de pão e circo, que tal incluir dentre as tais minorias os judeus ortodoxos, os cristãos conservadores, os índios pataxos, os negros albinos, os orientais pintados com trejeitos de imbecis nas paródias no cinema e na televisão.
Ronald Dworkin disse:
“O Estado poderia então proibir a expressão vívida, visceral ou emotiva de qualquer opinião ou convicção que tivesse uma possibilidade razoável de ofender um grupo menos privilegiado. Poderia por na ilegalidade a apresentação da peça o mercador de Veneza, os filmes sobre mulheres que trabalham fora e não cuidam direito dos filhos e as caricaturas ou paródias de homossexuais nos shows de comediantes. Os tribunais teriam de pesar o valor dessas formas de expressão, enquanto contribuições culturais ou políticas, contra os danos que poderiam causar ao status ou à sensibilidade dos grupos atingidos”. (2)
O Grupo Gay da Bahia pode afirmar que Jesus Cristo era gay, porém quando os cristãos afirmam exatamente o inverso é discriminatório? Que justiça de dois pesos e duas medidas é esta? O que há é uma justiça oficial e vendida aos holofotes da mídia chique, que distribui Medalhas Oficiais para quem defende um circo de horrores em avenida pública, uma verdadeira defenestração da imagem humana, chamada “passeata gay”. Medalhas para quem defende a família e a monogamia não existem. Só cadeia e multa. Não é a toa que a nossa balança de exportação de aberrações sexuais seja superavitária, além de sermos um destino preferido para o turismo sexual, pedofílico principalmente. Aliás, desde a colonização, nada mudou neste sul do equador.
A questão é a seguinte: cada um tem o direito de defender a ideologia que quiser, seja ela pró ou contra qualquer coisa (desde que lícita). Mas o Estado não pode violentar a liberdade de pensamento e de expressão dos seus cidadãos, pois isso equivale a estabelecer um ilegítimo tribunal cultural. Conheço um líder cristão que está fora do Brasil, pois foi ameaçado por grupos homossexuais brasileiros que querem promover uma batalha de processos e violências contra ele. É o imperialismo gayizista que almeja CALAR toda voz discordante, enquanto tenta PURIFICAR com a Vara do Estado o mundo dos insuportáveis heterossexuais convictos. Aliás, quem ainda tem a coragem de possuir e defender convicções neste mundo de ambigüidades convenientes?
Sou contra qualquer incitação de violência ideológica ou física, porém cercear a livre manifestação do pensamento é um retorno à idade das trevas.
Deus nos livre destes radicais da mordaça. Viva a liberdade.
O Dr. Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior é advogado, professor de Direito Constitucional e Hermenêutica Jurídica, Mestre em Direito Pela UFPE, Mestre em Direitos Fundamentais (D.E.A.) Pela UBU/Espanha, doutorando (em fase de depósito de Tese) em Liberdades Públicas pela UBU/ Espanha. E-mail do autor: bsampaiojr@bol.com.br
1- http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2010/12/27/datena-e-condenado-em-processo-por-discriminacao-homofobica.jhtm
2- DWORKIN, Ronald. O direito da Liberdade: a leitura moral da Constituição norte-americana. Trad. M. Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
Fonte: www.juliosevero.com
Leia também do Dr. Belcorígenes Sampaio:
Liberdade religiosa versus liberdade de expressão


Visite-me no Fórum Adventista:

http://adventista.forumbrasil.net/

Eduardo
‎Moderador Adventista
‎Moderador Adventista

Número de Mensagens : 8396
Idade : 40
flag : Brasil
Data de inscrição : 17/10/2008

http://adventista.forumbrasil.net/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O caso Datena e o retrocesso das instituições jurídicas

Mensagem por Donatello em Ter 18 Jan 2011, 7:09 pm

Ao ler o título eu pensei que o texto fosse sobre a condenação do mesmo Datena por discriminação contra os ateus no episódio em que durante meia hora o sujeito desandou a repetir que apenas ateus cometem crimes hediondos e quem comete crimes hediondos e frequenta igreja é ateu disfarçado e que os crentes representam o bem e os ateus representam o mal e por aí foi.

Naquele caso a Band foi condenada a passar uma espécie de direito de resposta nos intervalos do programa do retardado em questão. Mais ou menos a mesma pena que a Rede TV recebeu pelos programas do João Kleber há alguns anos.

Bom, seja em relação às imbecilidades que o Datena diz sobre nós ateus ou sobre os homossexuais eu tenho me inclinado a compartilhar da idéia do Helio Schwarzman, articulista ateu militante da Folha de São Paulo, que frequentemente repete: o direito à liberdade de expressão vigora na Constituição exatamente para salvaguardar o direito de dizer coisas que ofendam aos outros. Se fosse só para dizer coisas com as quais ninguém se incomoda não haveria o menor sentido em uma lei que o garantisse.

O problema em se limitar a liberdade de expressão é de que cada um só vai aceitar e propor limitações às expressões que os ofendam a si mesmos. Mas todos, ao mesmo tempo, vão reconhecer como lícito o direito de se expressar de modo a que venha ofender alguém.

Os exemplos em torno da religião são numerosos: é pastor sendo condenado por ter chutado uma santa, é escola de samba sendo proibida de desfilar com um jesus cristo folião, é obra de artista plástica reproduzindo terço em forma de pênis sendo interditada, é Playboy contendo referência à mulher de José, o carpinteiro, sendo recolhida por ordem judicial.

Para mim o parágrafo central do texto é "O Grupo Gay da Bahia pode afirmar que Jesus Cristo era gay, porém quando os cristãos afirmam exatamente o inverso é discriminatório?". Este trecho poderia facilmente ser invertido em milhares de outros contextos, e continuaria fazendo o mesmo sentido: "Uma publicação religiosa "x" ou "y" ou "k"pode publicar uma capa com textos e imagens associando a falta de crença em deuses e o liberalismo sexual ao crescimento(sic) da maldade no mundo, porém quando uma artista plástica insinua através de uma imagem pintada num quadro exatamente o inverso é discriminatório?"

É por isso que me aproximo da idéia de que se emitir opiniões é necessário para mim e se no mais das vezes as minhas opiniões podem soar ofensivas a uns ou outros e se não quero ser preso nem levar 70 chibatadas por dizer que Maomé foi um maldito porco e que a estória de Maria, a mulher do carpinteiro, me parece muito mais com uma lenda indígena sobre botos encantados do que um milagre genuíno envolvendo espíritos e anjos e reis mágicos então eu tenho que aprender a conviver com opiniões que me soem absurdas ou incômodas como as de certo gordo caipira espertalhão que apresenta um programa sensacionalista direcionado a uma faixa de telespectadores notavelmente menos letrados.


"[b]Björk é uma deusa com uns 2% de DNA humano (é verdade)"

Tendes dúvida? Comproves, ó incrédulo: http://www.youtube.com/watch?v=G-SDIZhnqTo[/b]

Donatello
Safira
Safira

Número de Mensagens : 101
flag : Argentina
Data de inscrição : 15/01/2011

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum