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Daniel 8 fala de Roma e NÃO de Antíoco Epifânio

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Daniel 8 fala de Roma e NÃO de Antíoco Epifânio

Mensagem por Eduardo em Sex 29 Out 2010, 11:44 pm

DANIEL 8:9-14

Nesses versos, no que diz respeito ao rei Antíoco Epifânio, irei abordar alguns dos fatos: históricos e geográficos, políticos e militares e religiosos, na respectiva ordem apresentada no verso nove.

A Versão Almeida Revista e Atualiza (ARA) traduziu: “De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa”.

Nesse verso, é apresentada, por meio dos defensores de Antíoco (os redatores da Versão ARA também defendem a mesma idéia), a primeira falácia de um argumento na tradução: “chifres”. Não há esta palavra no verso nove. A palavra chifres foi acrescentada ao texto por inferência. “i. uma hipótese sem verificar com rigor as premissas”. (Dicionário Houaiss).

No verso oito foi dito que o grande chifre foi quebrado, e que em seu lugar surgiram quatro. Por isso, deduzem que a expressão: “de um deles” é uma referência a um dos quatro chifres. Mas esquecem que a última expressão do verso oito é: “os quatro ventos do céu”.

ARGUMENTO GRAMATICAL




No verso 8 temos: a palavra (qeren), "chifre", que é do gênero feminino. A palavra (’areba‘), “quatro” é do gênero masculino; a palavra (rûchot), "ventos", está no plural feminino; e yim), "amaa palavra (shdo céu" é masculina.

No verso 9 temos: (wû) uma conjunção, a expressão: min−hā’achat; (min) é uma preposição. O numeral (’achat) é feminino e vem substantivado com o artigo (hā).
O pronome (hem), é masculino, "eles". Além do mais, o pronome (hem) vem seguido da preposição (min). Então, a expressão "de + eles" corresponde à combinação: "deles".

O professor SCHOKEL, Luis Alonso (em seu Dicionário Bíblico Hebraico-Português. Edição brasileira. São Paulo - SP, Editora Paulus, 1997. p. 39.), afirma o seguinte: "O Numeral cardinal. Um/a. ... Seguido de 'min': um de".

Portanto, a expressão “de um deles”, sem dúvida é uma referência à última expressão do verso oito: “quatro ventos do céu”.

ARGUMENTO HISTÓRICO


Admitindo que alguém ainda não aceite esse argumento gramatical. Apresentarei outros. É inegável a existência histórica, política e militar de Antíoco, um personagem que teve seu lugar geográfico como rei da Síria. É evidente também pela própria História que ele jamais foi rei do Egito, jamais o Egito ficou sendo um reino vassalo e pagando impostos para Antíoco Epifânio. Quando ele tentou dominar o Egito foi humilhado e expulso pelos romanos. A profecia do verso nove, sobre a “ponta pequena”, declara:

“... e se tornou muito forte para o sul”.

Se esta expressão: “para o sul” for uma referência apenas ao Egito, fica claro, em função do que foi dito acima, que ela não se cumpriu com Antíoco Epifânio. E se for uma referência apenas geografia, aí mesmo é que ela não se cumpre com ele. O Egito está ao sudoeste da Síria (nesta época quem dominava política e militarmente a Ásia Menor era o Império Romano). A Ásia Menor, a atual Turquia está literalmente ao Norte do Egito. Por outro lado, é Israel que está literalmente ao sul da Síria.

Portanto, como entender que Antíoco se tornou forte “para o sul” se ele foi humilhado e expulso, pelos romanos, do Egito quando tentou dominá-lo? Não tem como.


ARGUMENTO GEOGRÁFICO (QUANTO A SEQÜENCIA)


A seqüência das conquistas e/ou fortalecimento da “ponta pequena” é: “se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa”.

Antíoco primeiro tentou conquistar o reino do Sul (o Egito); mas foi mal sucedido em seus planos por causa do Império Romano. Portanto, não se tornou forte para o sul (conquistando o reino do Sul).

Depois o verso diz que a “ponta pequena” iria se tornar forte “para o oriente”. Quando Antíoco foi humilhado e expulso do Egito ele revoltou-se contra Jerusalém e o Templo (saqueando-o, porque teria que pagar impostos aos romanos por sua ousadia em querer dominar o Egito).

Percebe-se mais uma vez que a profecia não se cumpre com Antíoco Epifânio. Depois do sul a ponta pequena deveria fortalecer-se para o oriente e não para Jerusalém. Portanto, é evidente que ocorre uma inversão da seqüência geográfica (direção das conquistas de Antíoco). Diante disso, analisando a direção apenas no sentido geográfico, mais uma vez Antíoco não satisfaz os requisitos da profecia.

Após fazer o que fez em Jerusalém e no Templo, Antíoco dirigiu-se para o Oriente, e morreu por lá.

Por último o verso nove diz que a “ponta pequena” iria se fortalecer para a “glória” ou “em direção a glória”. Todas as Versões ou quase todas traduzem: “terra gloriosa” ou “terra formosa” ou “país do Esplendor”.

ARGUMENTO POLÍTICO E MILITAR


É evidente que Antíoco Epifânio não conquistou nada para o Sul (exceto Israel, que teve que ficar pagando imposto por alguns anos), no que diz respeito ao rei do Sul – Egito. Também não conquistou nenhum reino no Oriente, nem mesmo ao oriente da Síria.

A breve conquista de Antíoco Epifânio sobre o Egito, o rei do sul, não caracteriza o crescimento, pois, logo depois, Antíoco IV foi derrotado pelos romanos. Relato do livro primeiro Macabeus:

"Entrou em combate com o rei do Egito, Ptolomeu, o qual recuou diante dele e fugiu, muitos tombando feridos. As cidades fortificadas do Egito foram tomadas e Antíoco apoderou-se dos despojos do país. Tendo assim vencido o Egito
no ano cento e quarenta e três e empreendendo o caminho da volta, subiu contra Israel e contra Jerusalém com um exército numeroso
". (1Macabeus 118-20 - BJ).

Percebam que é este o ano (
cento e quarenta e três
) em que, pela primeira vez, o Santuário de Jerusalém foi profanado por Antíoco Epifãnio.

Sobre a tentativa de Antíoco Epifânio conquistar o Egito, assim relatou um escritor:

"Antíoco Epifânio, depois de um fugaz triunfo no 'sul' (Egito),
foi totalmente derrotado nesse país quando o embaixador romano, C. Popílio Laenas, meramente lhe informou que o Senado Romano queria que ele se retirasse. O inflexível romano traçou com sua bengala um círculo em torno de Antíoco e exigiu deste uma decisão antes que ele saísse de dentro do círculo
". (MAXWElL, C. Mervyn. Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel. Tatuí - SP, CPB, 1996. p. 159.).

Sobre os acontecimentos que envolveram o Senado Romano e Antíoco IV, um outro escritor, diz o seguinte:

"
Na Síria, o sucessor de Antíoco III, Antíoco IV, garantia que os 'decretos do Senado eram para ele como ordens dos deuses
'". (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 3. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. p. 719.).

Portanto, como o próprio relato bíblico, acima, deixou claro, Antíoco Epifânio foi primeiro contra os egípcios, e depois contra Jerusalém. Como já foi citado acima. Então, foi somente mais tarde que ele se dirigiu para as regiões da Pérsia. Não para fazer uma conquista, mas para cobrar os impostos das províncias do seu reino.
E um dos limites do seu reino chegava até à fronteira com o Egito
.

Dois anos depois, o rei enviou para as cidades de Judá o Misarca
, que veio a Jerusalém com um grande exército. Dirigindo-se aos habitantes com palavras enganosas de paz, ganhou-lhes a confiança e, de repente, caiu sobre a cidade, golpeou-a duramente e chacinou a muitos de Israel. Saqueada a cidade, entregou-a às chamas e destruiu-lhe as casas e as muralhas”. (1Macabeus 1:29-31).

A expressão: “
Dois anos depois
”, é uma referência ao ano em que Antíoco Epifânio profanou o Santuário, saqueando-o.

Tendo assim vencido o Egito no ano cento e quarenta e três e empreendendo o caminho de volta, subiu contra Israel e contra Jerusalém com um exército numeroso. Entrando com arrogância no Santuário,
apoderou-se do altar de ouro, do candelabro com todos os seus acessórios, da mesa da proposição, das vasilhas para as libações, das taças, dos incensórios de ouro, do véu, das coroas, da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. Tomou, além disso, a prata, o ouro, os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir. Carregando tudo isso, partiu para o seu país
, depois de ter derramado muito sangue e proferido palavras de extrema arrogância”. (1Macabeus 1:20-24).

Se isso não foi uma profanação do Santuário, o que poderemos chamar de profanação
? Ou apenas quando o porco foi sacrificado no Altar de Holocausto, é que deve ser considerada a primeira profanação?

Por que Antíoco Epifânio entrou com arrogância no Santuário? Porque ele sofrera uma humilhação no Egito.

Antíocos IV, agressor do Egito,
é intimado pelo Senado a retirar-se; o círculo de Popílio; Antíocos cede; suas tropas evacuam o Egito e Chipre.” - (Sumário do Livro: História - Livro XXIX, 26-27.) - (POLÍBIOS, 200-120 a. C. – Editores: REINER, Lúcio e RIGUEIRA, Wânia de Aragão Costa. HISTÓRIA. 1ª ed.. Brasília – DF, Editora Universidade de Brasília, 1985. p. 25.).
ARGUMENTO RELIGIOSO


Não se pode negar que Antíoco Epifânio também faça parte de uma profecia em Daniel. No entanto, tal profecia não diz respeito a Dan. 8:9-14; e sim Dan. 9:25, quando o profeta diz: “e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos”. (ARA).

Os defensores dos 1.150 dias ou 2.300 sacrifícios defendem a literalidade do número de dias, mas isso não ocorre quando analisamos os livros de 1º e 2º Macabeus. Só pra deixar claro outra falácia dos defensores de tal idéia, é a inclusão da palavra “sacrifício”, nas traduções de Dan. 8:11-12, e conseqüentemente no verso 14.

COMENTÁRIOS BASEADOS EM 1º E 2º MACABEUS


Agora, vamos fazer os cálculos, a partir da data que eles têm por base, para chegarmos aonde eles afirmam que terminou a purificação do Santuário.

Dizem que o início é “No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano cento e quarenta e cinco”, conforme 1Macabeus 1:54. E o final é “No décimo terceiro dia do mês de Adar”, conforme 1Macabeus 7:43 e 49 – BJ. O qual corresponde ao
ano cento e cinqüenta e um. Portanto, nessa contagem, eles não levam em conta a data da purificação, conforme foi declarada:

No dia vinte e cinco do nono mês – chamado Casleu – do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído.... E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria
”. (1Macabeus 4:52-59 – BJ).

O mês de Adar corresponde aos nossos meses de fevereiro/março. Porque abrange, o começo do nosso mês de fevereiro e o final abrande o mês de março.

Do dia 15 do mês de Casleu do ano 145, até
o dia 15 do mês de Casleu do ano 151
, temos 06 (seis) anos. O que corresponde a 2.160 (duas mil cento e sessenta) tardes e manhãs literais; ou 1.080 sacrifícios como eles defendem.

Depois do mês de Casleu (novembro/dezembro), temos o mês de Tebete (dezembro/janeiro), o mês de Sebate (janeiro/fevereiro) e o mês de Adar (fevereiro/março).

De 15 de Casleu, até 15 de Tebete, 30 dias.

De 15 de Tebete, até 15 de Sebate, 30 dias.

De 15 de Sebate, até 13 de Adar, 28 dias.

Se começarmos a contar, a partir do ano
143 e concluirmos no dia 25 de Casleu do ano 148, não chegaríamos ao total de 2.300 tardes e manhãs; e se a contagem começar a partir do ano 143 e concluirmos no dia 13 de Adar do ano 151
, teríamos praticamente (contando-se apenas um mês do ano cento e quarenta e três), no mínimo mais 370 (trezentos e setenta) dias. Ultrapassando o tempo especificado de 2.300 tardes e manhãs.

Do dia 15 do mês de Casleu do ano 151, até o dia 13 do mês de Adar
, temos quase 03 (três) meses. Na realidade, temos 88 (oitenta e oito) dias. O que nos dá um total de 2.160 dias + 88 dias = 2.248 dias. Faltando 52 dias para as 2.300 tardes e manhãs.

Eles têm por base o décimo quinto dia do mês de Casleu do ano cento e quarenta e cinco.
Não o ano 143
, quando foram roubados todos os objetos do Santuário, que estão vinculados ao Tamîd.

Portanto, essa contagem não satisfaz a literalidade da profecia, em função de dias literais
.

Em Dan. 8:11, o Texto, literalmente, diz que depois de “
ser arrebatado (exaltado) o Tamid”, “foi derrubado o alicerce (a base) do Seu Santuário
”.

Isso, de forma alguma se aplica nem a Antíoco Epifãnio nem ao seu tempo.


DAN. 8:9 SEQÜÊNCIA LITERAL


“... um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa”.

Se você quiser interpretar esta seqüência de forma literal, no que diz respeito aos aspectos, históricos, geográficos, políticos e religioso, apenas o Império Romano cumpre perfeitamente tal profecia. Por mais que alguns queiram colocar Roma Papal em Daniel 8:9, ela também não se encaixa nessa profecia.

O Império Romano conseguiu fortalecer-se quando enfrentou e venceu um poderoso rival: Cartago que literalmente ficava ao Sul de Roma. Depois o Império Romano cresceu em direção ao reino do Sul – Egito, depois cresceu em direção ao Oriente (Ásia Menor), inclusive sobre a Síria que se tornou uma província romana. E finalmente, o Império Romano cresceu (tornou-se forte) em direção a Jerusalém. Onde parou em frente a mulher (Apoc. 12:3-4).

Para concluir, foi Tito com seu exército que destruiu o Santuário e derrubou o seu alicerce após ser arrebatado (exaltado) o Tamid.


+++
“A teoria de Antíoco não teve origem cristã. Foi um pagão e inimigo do cristianismo chamado Porfírio, conhecido pela alcunha de ‘Sofista’ (que morreu no ano 304 d.C.) o inventor da teoria. Ele a forjou com o intuito de desacreditar o livro de Daniel, e tentar provar que aquele livro foi escrito depois de terem ocorrido os fatos apontados pela profecia.” A.B. Christianini, Rev. Adventista 4/73, pág. 7.

O livro de Daniel, como é sabido, estava “selado” desde o sexto século a.C. (Daniel 12:9). E se está selado, está mesmo. Somente seria aberto no Tempo do Fim (Daniel 12: 4,9), e não pode haver dois tempos do fim, o dos selêucidas (Antíoco Epifânio) e o nosso (século XX). Na época de Antíoco, o livro de Daniel estava no pergaminho, e “selado”, pois que, nesta ocasião não lhe deram especial atenção nem a ciência havia sido multiplicada, como são as características exigidas em Daniel 12: 4 e que ocorreriam matematicamente no Tempo do Fim.

http://www.jesusvoltara.com.br/ados/pag42.htm

A Profecia de Daniel 8

O livro de Daniel é revelador e muito importante para o povo de Deus de todas as eras. Como Adventistas do 7º Dia, nossa herança histórica está intimamente ligada ao capítulo 8 de Daniel, especialmente a profecia do verso 14, que trata da purificação do Santuário.
É necessário conhecermos melhor alguns detalhes da profecia, para não ficarmos em dúvida quanto ao nosso legado histórico e teológico, e nos sentirmos seguros para defender nossa identidade profética.


O CHIFRE PEQUENO


I. Quem é o chifre pequeno de Daniel 8?

O bode se engrandeceu sobremaneira; e, na sua força, quebrou-lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatro ventos do céu. De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou. Depois, ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados? Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado .” – 8:8-14.


O bode de que trata a profecia é a Grécia (vv. 21-22). Os 4 chifres notáveis do império grego foram os 4 generais que sucederam Alexandre, o Grande: Ptolomeu, Cassandro, Lisímaco e Selêuco.

Na versão Almeida Revista e Atualizada (uma das mais utilizadas no Brasil), o v. 9 começa com a expressão: “de um dos chifres”. Porém, o original hebraico traz o seguinte: “de um deles”. Esta tradução é confirmada pela respeitada King James Version , em inglês.


É importante analisarmos o detalhe acima, porque o texto em português dá a entender que o chifre pequeno surgiu “dos outros 4 chifres”, ou seja, ele seria proveniente do império grego. Os que defendem esta teoria (os chamados preteristas ), como a maioria dos evangélicos e católicos, dizem que este chifre pequeno é representado por ANTÍOCO EFIFÂNIO. Eles apresentam os seguintes argumentos:


a) Antíoco foi um rei selêucida - Como membro desta dinastia de reis, ele surgiu de um dos 4 chifres mencionados em Dn 8:8, pois esta foi a origem do chifre pequeno.

b) A sucessão de Antíoco foi irregular - Este argumento está baseado no v. 24 do cap. 8.

c) Antíoco perseguiu os judeus.

d) Ele contaminou o templo de Jerusalém e interrompeu seus serviços.


Porém, um estudo mais acurado da Bíblia e da história nos mostra que Antíoco não satisfaz os requisitos para o poder representado pelo chifre pequeno de Daniel. A natureza do chifre pequeno rejeita Antíoco como sua identidade:

a) Grandeza comparativa do chifre pequeno.

O verbo “engrandecer” (GADAL) aparece somente uma vez em relação com
à Pérsia e somente uma vez com relação à Grécia. Porém, aparece 3 vezes relacionando-se ao chifre pequeno. Mostra-se que o chifre teria um poder progressivo e crescente, até o tempo do fim (vv. 17, 19, 26).

b) Atividades do chifre pequeno: conquistas, atividades anti-templo.

c) Fatores de tempo para o chifre pequeno: origem, duração, fim.

Antíoco permaneceu no poder por pouco tempo (de 175 a.C. até 164/3 a.C.). Era o 8º de uma dinastia de mais de 20 reis selêucidas.

d) Natureza do chifre pequeno – conforme a profecia, este chifre seria “quebrado sem esforço de mãos humanas” (v. 25). Isto mostra a maneira singular com que o chifre seria derrotado. Ou seja, o próprio Deus intervirá para colocar um fim à perseguição de Seu povo, produzida por este poder blasfemo e arrogante. O que não ocorreu com Antíoco, que morreu de causas naturais durante uma campanha pelo Oriente.

e) Origem do chifre pequeno.

Como mencionado acima, há um problema na tradução do início do verso 9, pois o original hebraico afirma que o chifre pequeno sairia “de um deles”, fazendo referência aos 4 ventos citados no final do verso 8.

A tradução correta do texto sugere que o chifre pequeno sairia de um dos 4 ventos, ou seja, de um dos 4 pontos cardeais. Roma veio do lado Oeste, e cumpre todos os demais requisitos para que o chifre pequeno seja identificado com sua fase papal, principalmente.


II. Algumas Características Importantes (Dn 8:19-26)

1. Ele sobe no meio dos 10 chifres do animal, após derrubar 3 deles – o chifre surgiria do império romano, e abateria 3 dos 10 reinos que formaram este império (foram 3 destes 4 reinos: Visigodos, Vândalos, Hérulos e Ostrogodos).

2. Ele possuía olhos, como os de homem, bem como uma boca “arrogante” e “insolente” – o poder representado pelo chifre pequeno é um poder temporal, religioso e com pensamentos arrogantes e orgulhosos relativos ao seu alcance de dominação mundial.

3. O chifre pequeno parecia mais “robusto” do que os seus “companheiros” – ele conseguiria em certo momento dominar até mesmo o poder temporal, bem como o religioso.

4. Fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles – seria um perseguidor daqueles que desejassem permanecer fiéis às leis de Deus, e rejeitarem a contrafação que o chifre pequeno apresentaria ao mundo.

5. Proferiria palavras contra Deus – sua pretensão seria tal que até mesmo as prerrogativas divinas este poder tomaria para si.

6. Magoaria os santos de Deus – a perseguição seria feroz e grande.

7. Mudaria os tempos e a lei – o sábado da lei de Deus seria alterado por um outro dia de guarda, em obediência total ao poder do chifre pequeno.

8. Dominaria os santos por 3,5 tempos (1260 anos. Cf. Dn 4:16, 23, 25, 32; 7:25; 11:13; 12:7; Ap 11:2, 3; 12:6, 13; 13:5) - durante este período de tempo, os santos estariam quase que totalmente à mercê das sangrentas perseguições do chifre pequeno (538 AD a 1798 AD).

9. Seria julgado pelo tribunal divino, e destruído – chegará o momento em que Deus mesmo intervirá definitivamente, e o chifre pequeno com todos os seus seguidores serão destruídos ante a autoridade do Deus Eterno.


Não há como fugir da realidade histórica de que apenas um pode encaixa-se nas características reveladas em Daniel sobre a identidade do chifre pequeno: ROMA, EM SUAS FAS ES PAGÃ E PAPAL: 1. Veio após o império grego; 2. Foi um poder forte e dominador; 3. Conseguiu prevalecer sobre o reino temporal e religioso; 4. Dominou o mundo por 1260 anos de perseguição religiosa; 5. Colocou um sistema de intercessão para obscurecer o sistema do Santuário de Israel; 6. Proferiu blasfêmias e arrogâncias, ostentando-se como possuidor das prerrogativas da Divindade; 7. Alterou a própria lei de Deus, exatamente no elemento de tempo da lei – o sábado (Êxo. 20:8-11).


Mais uma vez, os Adventistas saem ganhando por utilizarem o mesmo método que Jesus utilizava para interpretar as Escrituras, ou seja, O MÉTODO GRAMÁTICO-HISTÓRICO, que permite que a própria Bíblia se revele no estudo da história das nações.

Os preteristas, que colocam os cumprimentos de Daniel e de Apocalipse, quase que totalmente no passado, não resistem a um estudo cuidadoso e profundo das profecias.

Vivemos no limiar dos últimos dias, quando aquela “pedra” de Daniel 2 será jogada dos céus, e um reino eterno será instituído, cujo poder e autoridade permanecerão pelos séculos dos séculos. Amém!


Pr. Gilson Medeiros

Distrito de Guarabira

Junho/2005

Dn 8:14 - A Maior Profecia da Bíblia
- Parte II -




No estudo anterior, analisamos como o poder papal alterou o sistema de interseção e mediação de Cristo, e colocou um outro sistema em seu lugar. O ente celestial anunciou que esta usurpação duraria 2300 anos, chegando até o tempo do fim. Na presente lição veremos os detalhes sobre o início, desenvolvimento e fim dos 2300 anos, e a profetizada vindicação do santuário celestial.

INÍCIO DOS 2300 ANOS
Daniel não entendeu o significado completo da visão que recebera, e isso trouxe um sentimento de enfraquecimento físico e mental sobre ele (cf. 8:27). O capítulo 9 inicia com uma oração de Daniel para que o Senhor o ilumine sobre o significado do importante período de dominação do “chifre pequeno” (poder papal) sobre o povo de Deus. E o Senhor o orienta sobre isso.
O anjo Gabriel, o mesmo que anunciou a visão inicialmente (cf. 8:16), é agora enviado para explicar mais detalhadamente o desenvolvimento da visão dos 2300 anos para Daniel. Como um “selo” sobre a profecia, encontramos um período especial de tempo de 70 semanas (ou 490 anos) que seriam “determinados” (do heb. CHATHAK) sobre o povo de Israel. Estas 70 semanas marcariam o início dos 2300 anos, selando a visão e a profecia (9:24).

“desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém” (v. 25).
Houveram 3 decretos principais de restauração sobre Jerusalém, que na época de Daniel estava em ruínas, devido às invasões babilônicas de 605 a.C., 597 a.C. e 586 a.C.:
1º decreto : de Ciro, em 537/538 a.C., que concede permissão para reconstruir o templo em Jerusalém (Esdras 1:1-3)
2º decreto : de Dario I Histaspes, em 519/520 a.C., que dá autorização para que se continue a reconstrução, porém com garantias financeiras (Esdras 6)
3º decreto : de Artaxerxes I Longímano, em 457 a.C., que liberta completamente o povo judeu da servidão à Pérsia, dando-lhes autoridade para reconstruir o Estado israelita (Esdras 7:1-13)
* Artaxerxes ainda promulgou um decreto extra, em 444 a.C. (cf. Neemias 1 e 2), apenas complementando o de 457 a.C.

Qual o decreto que deve ser utilizado para o início da profecia de Dn 8:14?

Apenas o 3º decreto, o de 457 a.C., concedeu a Jerusalém o seu renascimento legal, pois autorizou a indicação de magistrados e juízes e, em particular, restabeleceu as leis judaicas como base do governo local, restaurando Jerusalém como capital do reino.

Há 4 linhas de evidências históricas que permitem definir com precisão a data do decreto de Artaxerxes:
a) As olimpíadas
b) O cânon de Ptolomeu
c) O Papiro Elefantino
d) Os tabletes cuneiformes babilônicos

Portanto, a profecia de Dn 8:14 tem seu início no ano de 457 a.C.

DESENVOLVIMENTO DAS 70 SEMANAS


As 70 semanas (490 anos) cobririam vários eventos históricos que confirmariam a precisão da profecia. O período é simbólico porque os eventos abrangidos são de ampla margem temporal, indo até o Messias, o que descarta a possibilidade de um período literal de 490 dias.

“tempos de angústia” (v. 25)
As nações vizinhas a Israel foram fortes inimigos para a reconstrução da nação, pois Israel estava enfraquecida psicológica e militarmente pelo exílio em Babilônia (cf. Esdras 4).

“o ungido” (v. 25)
O Messias vindouro – Jesus.

“o messias será morto” (v. 26)
Ele não viria para reinar, mas para morrer. Jesus cumpriu cabalmente a profecia.

“o príncipe”, “o povo” (v. 26)
O Príncipe é Jesus, e o povo é Israel.

“o povo de um príncipe que há de vir”, “dilúvio” (v. 26)
Jerusalém seria violentamente destruída, o que ocorreu no ano 70 d.C., quando os romanos invadiram a cidade de forma sangrenta e destrutiva.

“fará firme aliança com muitos por uma semana” (v. 27)
Na última das 70 semanas, o Messias firmaria Sua aliança com os judeus. Aceitando o Messias, eles se livrariam das terríveis conseqüências profetizadas.

“santo dos santos” (v. 24)
Esta expressão (QOD ES H QOD ES HIM) é usada 30 vezes no AT, sempre em relação com o santuário, e nunca é usada em relação a pessoas (exceto em 1Cr 23:13). Trata-se aqui de uma referência ao santuário celestial.



Ano 457 a.C. : início da profecia
Ano 27 d.C. : fim das 69 semanas iniciais. Data do batismo de Jesus, o Ungido (v. 25)
Ano 34 d.C. : fim da última semana, completando as 70, e foi o ano do apedrejamento do 1º mártir cristão – Estêvão.

FINAL DOS 2300 ANOS


Vimos que as 70 semanas eram um “selo” sobre a profecia, pois acompanhando os eventos históricos que ocorreriam neste período, poderíamos comprovar os demais eventos que teriam lugar no céu, longe da vista do homem.





Em 1844 d.C. completou-se o período profético de 2300 anos de Dn 8:14, e nesta data ocorreu a “purificação” ou “vindicação” do santuário celestial, como vimos no estudo anterior.
Nesta data, Jesus iniciou a obra de vindicação do santuário, cumprindo o simbolismo que ocorria no Dia da Expiação do santuário de Israel (ver Lev. 16). Em 1844 Jesus passou do lugar Santo, ao Santíssimo, iniciando a obra de Sumo-Sacerdote em nosso lugar. Ele não deixou de ser nosso Intercessor, nem o passou a ser apenas em 1844; mas agora Ele “acumula” a função de Sumo-Sacerdote, como ocorria com os filhos de Arão no Dia da Expiação.
Como estava profetizado (Dn 8:13-14), em 1844 iniciou a restauração do santuário, ou seja, as pessoas passaram a estudar e entender melhor este importante tema bíblico. Isto levou ao surgimento do Movimento Adventista, que por sua vez deu origem à Igreja Adventista do Sétimo Dia, oficializada em 1863.

Vemos que esta importante profecia nos conduz de forma precisa e confiante até os eventos que cobririam a vida terrestre de Jesus, o Messias. Com a confirmação de todos estes eventos, podemos ficar certos de que o restante da profecia (a purificação e vindicação do santuário) também ocorreu de modo preciso, e em 1844 iniciou-se o chamado Juízo Investigativo, como ocorria no Dia da Expiação, e que traz libertação para o povo de Deus, logo antes da volta de Jesus.

Confiantemente, podemos dizer:
MARANATA!


Pr. Gilson Medeiros

Distrito de Guarabira

Junho/2005




http://www.advir.com.br/sermoes/sermoes_c_A%20Profecia%20de%20Daniel%208.asp


Daniel 8: Por Que Roma e NÃO Antíoco Epifânio?

Daniel 8 fala-nos a respeito da controvérsia entre o bem e o mal e do triunfo final de Deus. Esse capítulo revela que no espaço decorrido entre a inauguração do ministério sumo-sacerdotal de Cristo e a purificação do santuário celestial, um poder terrestre haveria de obscurecer o ministério de Cristo.

O carneiro da visão representava o império Medo-Persa (Dan. 8:2) - sendo que dos dois chifres, o mais alto apareceu por último, retratando claramente as duas fases do império, em que os persas dominantes entraram em cena por último. Conforme Daniel predissera, esse reino oriental exaltaria o seu poder "para o ocidente, e para o norte, e para o sul", e assim se engrandeceria (Dan. 8:4).

O bode macho que vinha do ocidente simbolizava a Grécia, com o seu grande chifre, o "rei primeiro" representando Alexandre o Grande (Dan. 8:21). Provindo "do ocidente", Alexandre rapidamente derrotou os persas. Depois, dentro de poucos anos após sua morte, o império foi dividido em "quatro reinos" (Dan. 8:8 e 22) - os reinos de Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu.

"No fim do seu reinado" (Dan. 8:23), ou, em outras palavras, próximo ao fim do dividido império grego, erguer-se-ia um chifre pequeno" (Dan. 8:9). Alguns consideram Antíoco Epifânio, um rei sírio que governou sobre a Palestina durante curto período no segundo século A. C., como sendo o cumprimento desta porção da profecia. Outros, incluindo a maioria dos reformadores, têm identificado este chifre pequeno como Roma, tanto em sua fase pagã quanto na fase papal. Esta última interpretação corresponde exatamente às especificações dadas por Daniel, ao passo que a outra não o faz. Observe os seguintes pontos:

a. O poder do chifre pequeno estende-se desde a queda do império grego até o "tempo do fim" (Dan. 8:17). Somente Roma, pagã e papal, preenche essas especificações quanto ao tempo.



b. As profecias de Daniel 2, 7 e 8 correm paralelamente. Os quatro metais da imagem de Daniel 2, assim como as quatro bestas de Daniel 7 representam os mesmos impérios mundiais: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Tanto os pés de ferro e barro como os dez chifres do quarto animal representam as divisões do império romano; esses estados divididos deveriam continuar até o Segundo Advento. Observe que ambas as profecias indicam que Roma sucederia a Grécia, e que ela seria o último império antes da Segunda Vinda de Cristo e do julgamento final. O chifre pequeno de Daniel 8 encaixa-se na mesma moldura; sucede a Grécia e é destruído de modo sobrenatural, ou "sem mão humana" (Dan. 8:25; cf. Dan. 2:34).

c. A Medo-Pérsia é identificada como "grande", a Grécia é apresentada como "muito grande" e o chifre pequeno como "excessivamente grande" (Dan. 8:4,8 e 9). Roma, um dos maiores impérios mundiais, preenche bem esta especificação.

d. Somente Roma expandiu seu império para o sul (Egito), para o leste (Macedônia e Asia Menor) e para a "terra gloriosa" (Palestina), exatamente como predissera a profecia (Dan. 8:9).

e. Roma ergueu-se contra o "príncipe do exército", o "Príncipe dos príncipes" (Dan. 8:11 e 25), que é ninguém menos que Jesus Cristo. "Contra Ele e Seu povo, assim como contra o Seu santuário, o poder de Roma desenvolveu a mais extraordinária guerra. Esta descrição cobre tanto a fase pagã quanto a fase papal de Roma. Enquanto Roma pagã atingiu a Cristo e até mesmo destruiu o templo de Jerusalém, Roma papal efetivamente obscureceu o ministério mediatório, sacerdotal de Cristo em favor dos pecadores no santuário celestial (veja Heb. 8:1 e 2), ao instituir um sacerdócio que pretende oferecer perdão através da mediação humana." Esse poder apóstata alcançaria bastante êxito, pois "deitou por terra a verdade; fez isto e prosperou." (Dan. 8:12). -- Nisto Cremos, págs. 419-420, 451.


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