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Guia Das Falácias

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Guia Das Falácias

Mensagem por Cal em Sex 29 Out 2010, 8:28 pm

Falácias
Há um certo número de “armadilhas” a serem evitadas quando se está construindo um argumento dedutivo; elas são conhecidas como falácias. Na linguagem do dia-a-dia, nós denominamos muitas crenças equivocadas como falácias, mas, na lógica, o termo possui significado mais específico: falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido.

(Além da consistência do argumento, também se podem criticar as intenções por detrás da argumentação.)

Argumentos contentores de falácias são denominados falaciosos. Freqüentemente parecem válidos e convincentes; às vezes, apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar a falha lógica.

A seguir está uma lista de algumas das falácias mais comuns e determinadas técnicas retóricas bastante utilizadas em debates. A intenção não foi criar uma lista exaustivamente grande, mas apenas ajuda-lo a reconhecer algumas das falácias mais comuns, evitando, assim, ser enganado por elas.

Ad Hoc
Como mencionado acima, argumentar e explicar são coisas diferentes. Se estivermos interessados em demonstrar A, e B é oferecido como evidência, a afirmação “A porque B” é um argumento. Se estivermos tentando demonstrar a veracidade de B, então “A porque B” não é um argumento, mas uma explicação.

A falácia Ad Hoc é explicar um fato após ter ocorrido, mas sem que essa explicação seja aplicável a outras situações. Freqüentemente a falácia Ad Hoc vem mascarada de argumento. Por exemplo, se admitirmos que Deus trata as pessoas igualmente, então esta seria uma explicação Ad Hoc:

“Eu fui curado de câncer”

“Agradeça a Deus, pois ele lhe curou”

“Então ele vai curar todas pessoas que têm câncer?”

“Hmm... talvez... os desígnios de Deus são misteriosos.”

Afirmação do Conseqüente
Essa falácia é um argumento na forma “A implica B, B é verdade, logo A é verdade”. Para entender por que isso é uma falácia, examine a tabela (acima) com as Regras de Implicação. Aqui está um exemplo:

“Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador.”

Esse argumento é o contrario da Negação do Antecedente.

Anfibolia
A Anfibolia ocorre quando as premissas usadas num argumento são ambíguas devido a negligência ou imprecisão gramatical. Por exemplo:

“Premissa: A crença em Deus preenche um vazio muito necessário.”

Evidência Anedótica
Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica. Por exemplo:

“Há abundantes provas da existência de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma garota que estava morrendo de câncer, então sua família inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi curada.”

É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado, mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.

Evidências Anedóticas podem parecer muito convincentes, especialmente queremos acreditar nelas.

Argumentum ad Antiquitatem
Essa é a falácia de afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou “sempre foi assim”. A falácia oposta é a Argumentum ad Novitatem.

“Cristãos acreditam em Jesus há milhares de anos. Se o Cristianismo não fosse verdadeiro, não teria perdurado tanto tempo”

Argumentum ad Baculum / Apelo à Força
Acontece quando alguém recorre à força (ou à ameaça) para tentar induzir outros a aceitarem uma conclusão. Essa falácia é freqüentemente utilizada por políticos, e pode ser sumarizada na expressão “o poder define os direitos”. A ameaça não precisa vir diretamente da pessoa que argumenta. Por exemplo:

“...assim, há amplas provas da veracidade da Bíblia, e todos que não aceitarem essa verdade queimarão no Inferno.”

“...em todo caso, sei seu telefone e endereço; já mencionei que possuo licença para portar armas?”

Argumentum ad Crumenam
É a falácia de acreditar que dinheiro é o critério da verdade; que indivíduos ricos têm mais chances de estarem certos. Trata-se do oposto ao Argumentum ad Lazarum. Exemplo:

“A Microsoft é indubitavelmente superior; por que outro motivo Bill Gates seria tão rico?”

Argumentum ad Hominen
Argumentum ad Hominemliteralmente significa “argumento direcionado ao homem”; há duas variedades.

A primeira é a falácia Argumentum ad Hominemabusiva: consiste em rejeitar uma afirmação e justificar a recusa criticando a pessoa que fez a afirmação. Por exemplo:

“Você diz que os ateus podem ser morais, mas descobri que você abandonou sua mulher e filhos.”

Isso é uma falácia porque a veracidade de uma asserção não depende das virtudes da pessoa que a propugna. Uma versão mais sutil do Argumentum ad Hominen é rejeitar uma proposição baseando-se no fato de ela também ser defendida por pessoas de caráter muito questionável. Por exemplo:

“Por isso nós deveríamos fechar a igreja? Hitler e Stálin concordariam com você.”

A segunda forma é tentar persuadir alguém a aceitar uma afirmação utilizando como referência as circunstâncias particulares da pessoa. Por exemplo:

“É perfeitamente aceitável matar animais para usar como alimento. Esperto que você não contrarie o que eu disse, pois parece bastante feliz em vestir seus sapatos de couro.”

Esta falácia é conhecida como Argumenutm ad Hominem circunstancial e também pode ser usada como uma desculpa para rejeitar uma conclusão. Por exemplo:

“É claro que a seu ver discriminação racial é absurda. Você é negro”

Essa forma em particular do Argumenutm ad Hominem, no qual você alega que alguém está defendendo uma conclusão por motivos egoístas, também é conhecida como “envenenar o poço”.

Não é sempre inválido referir-se às circunstâncias de quem que faz uma afirmação. Um indivíduo certamente perde credibilidade como testemunha se tiver fama de mentiroso ou traidor; entretanto, isso não prova a falsidade de seu testemunho, nem altera a consistência de quaisquer de seus argumentos lógicos.

Argumentum ad Ignorantiam
Argumentum ad Ignorantiam significa “argumento da ignorância”. A falácia consiste em afirmar que algo é verdade simplesmente porque não provaram o contrário; ou, de modo equivalente, quando for dito que algo é falso porque não provaram sua veracidade.

(Nota: admitir que algo é falso até provarem o contrário não é a mesma coisa que afirmar. Nas leis, por exemplo, os indivíduos são considerados inocentes até que se prove o contrário.)

Abaixo estão dois exemplos:

“Obviamente a Bíblia é verdadeira. Ninguém pode provar o contrário.”

“Certamente a telepatia e os outros fenômenos psíquicos não existem. Ninguém jamais foi capaz de prová-los.”

Na investigação científica, sabe-se que um evento pode produzir certas evidências de sua ocorrência, e que a ausência dessas evidências pode ser validamente utilizada para inferir que o evento não ocorreu. No entanto, não prova com certeza.

Por exemplo:

“Para que ocorresse um dilúvio como o descrito pela Bíblia seria necessário um enorme volume de água. A Terra não possui nem um décimo da quantidade necessária, mesmo levando em conta a que está congelada nos pólos. Logo, o dilúvio não ocorreu.”

Certamente é possível que algum processo desconhecido tenha removido a água. A ciência, entretanto, exigiria teorias plausíveis e passíveis de experimentação para aceitar que o fato tenha ocorrido.

Infelizmente, a história da ciência é cheia de predições lógicas que se mostraram equivocadas. Em 1893, a Real Academia de Ciências da Inglaterra foi persuadida por Sir Robert Ball de que a comunicação com o planeta Marte era fisicamente impossível, pois necessitaria de uma antena do tamanho da Irlanda, e seria impossível fazê-la funcionar.

Veja também Mudando o Ônus da Prova.

Argumentum ad Lazarum
É a falácia de assumir que alguém pobre é mais íntegro ou virtuoso que alguém rico. Essa falácia é apõe-se à Argumentum ad Crumenam. Por exemplo:

“É mais provável que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram das distrações que o dinheiro possibilita.”

Argumentum ad Logicam
Essa é uma “falácia da falácia”. Consiste em argumentar que uma proposição é falsa porque foi apresentada como a conclusão de um argumento falacioso. Lembre-se que um argumento falacioso pode chegar a conclusões verdadeiras.

“Pegue a fração 16/64. Agora, cancelando-se o seis de cima e o seis debaixo, chegamos a 1/4.”

“Espere um segundo! Você não pode cancelar o seis!”

“Ah, então você quer dizer que 16/64 não é 1/4?”

Argumentum ad Misericordiam
É o apelo à piedade, também conhecida como Súplica Especial. A falácia é cometida quando alguém apela à compaixão a fim de que aceitem sua conclusão. Por exemplo:

“Eu não assassinei meus pais com um machado! Por favor, não me acuse; você não vê que já estou sofrendo o bastante por ter me tornado um órfão?”

Argumentum ad Nauseam
Consistem em crer, equivocadamente, que algo é tanto mais verdade, ou tem mais chances de ser, quanto mais for repetido. Um Argumentum ad Nauseamé aquele que afirma algo repetitivamente até a exaustão.

Argumentum ad Novitatem
Esse é o oposto do Argumentum ad Antiquitatem; é a falácia de afirmar que algo é melhor ou mais verdadeiro simplesmente porque é novo ou mais recente que alguma outra coisa.

“BeOS é, de longe, um sistema operacional superior ao OpenStep, pois possui um design muito mais atual.”

Argumentum ad Numerum
Falácia relacionada ao Argumentum ad Populum. Consiste em afirmar que quanto mais pessoas concordam ou acreditam numa certa proposição, mais provavelmente ela estará correta. Por exemplo:

“A grande maioria dos habitantes deste país acredita que a punição capital é bastante eficiente na diminuição dos delitos. Negar isso em face de tantas evidências é ridículo.”

“Milhares de pessoas acreditam nos poderes das pirâmides; ela deve ter algo de especial.”

Argumentum ad Populum
Também conhecida como apelo ao povo. Comete-se essa falácia ao tentar conquistar a aceitação de uma proposição apelando a um grande número de pessoas. Esse tipo de falácia é comumente caracterizado por uma linguagem emotiva. Por exemplo:

“A pornografia deve ser banida. É uma violência contra as mulheres.”

“Por milhares de anos pessoas têm acreditado na Bíblia e Jesus, e essa crença teve um enorme impacto sobre suas vida. De que outra evidência você precisa para se convencer de que Jesus é o filho de Deus? Você está dizendo que todas elas são apenas estúpidas pessoas enganadas?”

Argumentum ad Verecundiam
O Apelo à Autoridade usa a admiração a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirmação. Por exemplo:

“Isaac Newton foi um gênio e acreditava em Deus.”

Esse tipo de argumento não é sempre inválido; por exemplo, pode ser relevante fazer referência a um indivíduo famoso de um campo específico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:

“Hawking concluiu que os buracos negros geram radiação.”

“Penrose conclui que é impossível construir um computador inteligente.”

Hawking é um físico, então é razoável admitir que suas opiniões sobre os buracos negros são fundamentadas. Penrose é um matemático, então sua qualificação para falar sobre o assunto é bastante questionável.

Audiatur et Altera Pars
Freqüentemente pessoas argumentam partir de assunções omitidas. O princípio do Audiatur et Altera Pars diz que todas premissas de um argumento devem ser explicitadas. Estritamente, a omissão das premissas não é uma falácia; entretanto, é comumente vista como algo suspeito.

Bifurcação
“Preto e Branco” é outro nome dado a essa falácia. A Bifurcação ocorre se alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando na verdade existem ou podem existir outras. Por exemplo:

“Ou o homem foi criado, como diz a Bíblia, ou evoluiu casualmente de substâncias químicas inanimadas, como os cientistas dizem. Já que a segunda hipótese é incrivelmente improvável, então...”

Circulus in Demonstrando
Consiste em adotar como premissa uma conclusão à qual você está tentando chegar. Não raro, a proposição é reescrita para fazer com que tenha a aparência de um argumento válido. Por exemplo:

“Homossexuais não devem exercer cargos públicos. Ou seja, qualquer funcionário público que se revele um homossexual deve ser despedido. Por isso, eles farão qualquer coisa para esconder seu segredo, e assim ficarão totalmente sujeitos a chantagens. Conseqüentemente, não se deve permitir homossexuais em cargos públicos.”

Esse é um argumento completamente circular; a premissa e a conclusão são a mesma coisa. Um argumento como o acima foi realmente utilizado como um motivo para que todos os empregados homossexuais do Serviço Secreto Britânico fossem despedidos.

Infelizmente, argumentos circulares são surpreendentemente comuns. Após chegarmos a uma conclusão, é fácil que, acidentalmente, façamos asserções ao tentarmos explicar o raciocínio a alguém.

Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição
É a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo clássico é a pergunta capciosa:

“Você parou de bater em sua esposa?”

A questão pressupõe uma resposta definida a outra questão que não chegou a ser feita. Esse truque é bastante usado por advogados durante o interrogatório, quando fazem perguntas do tipo:

“Onde você escondeu o dinheiro que roubou?”

Similarmente, políticos também usam perguntas capciosas como:

“Até quando será permitida a intromissão dos EUA em nossos assuntos?”

“O Chanceller planeja continuar essa privatização ruinosa por dois anos ou mais?”

Outra forma dessa falácia é pedir a explicação de algo falso ou que ainda não foi discutido.

Falácias de Composição
A Falácia de Composição é concluir que uma propriedade compartilhada por um número de elementos em particular, também é compartilhada por um conjunto desses elementos; ou que as propriedades de uma parte do objeto devem ser as mesmas nele inteiro. Exemplos:

“Essa bicicleta é feita inteiramente de componentes de baixa densidade, logo é muito leve.”

“Um carro utiliza menos petroquímicos e causa menos poluição que um ônibus. Logo, os carros causam menos dano ambiental que os ônibus.”

Acidente Invertido / Generalização Grosseira
Essa é o inverso da Falácia do Acidente. Ela ocorre quando se cria uma regra geral examinando apenas poucos casos específicos que não representam todos os possíveis casos. Por exemplo:

“Jim Bakker foi um Cristão pérfido; logo, todos os cristãos também são.”

Convertendo uma Condicional
A falácia é um argumento na forma “Se A então B, logo se B então A”.

“Se os padrões educacionais forem abaixados, a qualidade dos argumentos vistos na internet diminui. Então, se vermos o nível dos debates na internet piorar, saberemos que os padrões educacionais estão caindo.”

Essa falácia é similar à Afirmação do Conseqüente, mas escrita como uma afirmação condicional.

Cum Hoc Ergo Propter Hoc
Essa falácia é similar à Post Hoc Ergo Propter Hoc. Consiste em afirmar que devido a dois eventos terem ocorrido concomitantemente, eles possuem uma relação de causalidade. Isso é uma falácia porque ignora outro(s) fator(es) que pode(m) ser a(s) causa(s) do(s) evento(s).

“Os índices de analfabetismo têm aumentado constantemente desde o advento da televisão. Obviamente ela compromete o aprendizado”

Essa falácia é um caso especial da Non Causa Pro Causa.

Negação do Antecedente
Trata-se de um argumento na forma “A implica B, A é falso, logo B é falso”. A tabela com as Regras de Implicação explica por que isso é uma falácia.

(Nota: A Non Causa Pro Causa é diferente dessa falácia. A Negação do Antecedente possui a forma “A implica B, A é falso, logo B é falso”, onde A não implica B em absoluto. O problema não é que a implicação seja inválida, mas que a falsidade de A não nos permite deduzir qualquer coisa sobre B.)

“Se o Deus bíblico aparecesse para mim pessoalmente, isso certamente provaria que o cristianismo é verdade. Mas ele não o fez, ou seja, a Bíblia não passa de ficção.”

Esse é oposto da falácia Afirmação do Conseqüente.

Falácia do Acidente / Generalização Absoluta / Dicto Simpliciter
Uma Generalização Absoluta ocorre quando uma regra geral é aplicada a uma situação em particular, mas as características da situação tornam regra inaplicável. O erro ocorre quando se vai do geral do específico. Por exemplo:

“Cristãos não gostam de ateus. Você é um Cristão, logo não gosta de ateus.”

Essa falácia é muito comum entre pessoas que tentam decidir questões legais e morais aplicando regras gerais mecanicamente.

Falácia da Divisão
Oposta à Falácia de Composição, consiste em assumir que a propriedade de um elemento deve aplicar-se às suas partes; ou que uma propriedade de um conjunto de elementos é compartilhada por todos.

“Você estuda num colégio rico. Logo, você é rico.”

“Formigas podem destruir uma árvore. Logo, essa formiga também pode.”

Equivocação / Falácia de Quatro Termos
A Equivocação ocorre quando uma palavra-chave é utilizada com dois um ou mais significados no mesmo argumento. Por exemplo:

“João é destro jogando futebol. Logo, também deve ser destro em outros esportes, apesar de ser canhoto.”

Uma forma de evitar essa falácia é escolher cuidadosamente a terminologia antes de formular o argumento, isso evita que palavras como “destro” possam ter vários significados (como “que usa preferencialmente a mão direita” ou “hábil, rápido”).

Analogia Estendida
A falácia da Analogia Estendida ocorre, geralmente, quando alguma regra geral está sendo discutida. Um caso típico é assumir que a menção de duas situações diferentes, num argumento sobre uma regra geral, significa que tais afirmações são análogas.

A seguir está um exemplo retirado de um debate sobre a legislação anticriptográfica.

“Eu acredito que é errado opor-se à lei violando-a.”

“Essa posição é execrável: implica que você não apoiaria Martin Luther King.”

“Você está dizendo que a legislação sobre criptografia é tão importante quando a luta pela igualdade dos homens? Como ousa!”

Ignorantio Elenchi / Conclusão Irrelevante
A Ignorantio Elenchi consiste em afirmar que um argumento suporta uma conclusão em particular, quando na verdade não possuem qualquer relação lógica.

Por exemplo, um Cristão pode começar alegando que os ensinamentos do Cristianismo são indubitavelmente verdadeiros. Se após isso ele tentar justificar suas afirmações dizendo que tais ensinamentos são muito benéficos às pessoas que os seguem, não importa quão eloqüente ou coerente seja sua argumentação, ela nunca vai provar a veracidade desses escritos.

Lamentavelmente, esse tipo de argumentação é quase sempre bem-sucedido, pois faz as pessoas enxergarem a suposta conclusão numa perspectiva mais benevolente.

Falácia da Lei Natural / Apelo à Natureza
O Apelo à Natureza é uma falácia comum em argumentos políticos. Uma versão consiste em estabelecer uma analogia entre uma conclusão em particular e algum aspecto do mundo natural, e então afirmar que tal conclusão é inevitável porque o mundo natural é similar:

“O mundo natural é caracterizado pela competição; animais lutam uns contra os outros pela posse de recursos naturais limitados. O capitalismo – luta pela posse de capital – é simplesmente um aspecto inevitável da natureza humana. É como o mundo funciona.”

Outra forma de Apelo à Natureza é argumentar que devido ao homem ser produto da natureza, deve se comportar como se ainda estivesse nela, pois do contrário estaria indo contra sua própria essência.

“Claro que o homossexualismo é inatural. Qual foi a última vez em que você viu animais do mesmo sexo copulando?”

Falácia “Nenhum Escocês de Verdade...”
Suponha que eu afirme “Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau”. Você contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus gosta de açúcar no mingau. Então eu digo “Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca”.

Esse é o exemplo de uma mudança Ad Hoc sendo feita para defender uma afirmação, combinada com uma tentativa de mudar o significado original das palavras; essa pode ser chamada uma combinação de falácias.

Non Causa Pro Causa
A falácia Non Causa Pro Causa ocorre quando algo é tomado como causa de um evento, mas sem que a relação causal seja demonstrada. Por exemplo:

“Eu tomei uma aspirina e rezei para que Deus a fizesse funcionar; então minha dor de cabeça desapareceu. Certamente Deus foi quem a curou.”

Essa é conhecida como a falácia da Causalidade Fictícia. Duas variações da Non Causa Pro Causa são as falácias Cum Hoc Ergo Propter Hoc e Post Hoc Ergo Propter Hoc.

Non Sequitur
Non Sequitur é um argumento onde a conclusão deriva das premissas sem qualquer conexão lógica. Por exemplo:

“Já que os egípcios fizeram muitas escavações durante a construção das pirâmides, então certamente eram peritos em paleontologia.”

Pretitio Principii / Implorando a Pergunta
Ocorre quando as premissas são pelo menos tão questionáveis quanto as conclusões atingidas. Por exemplo:

“A Bíblia é a palavra de Deus. A palavra de Deus não pode ser questionada; a Bíblia diz que ela mesma é verdadeira. Logo, sua veracidade é uma certeza absoluta.”

Pretitio Principii é similar ao Circulus in Demonstrando, onde a conclusão é a própria premissa.

Plurium Interrogationum / Muitas Questões
Essa falácia ocorre quando alguém exige uma resposta simplista a uma questão complexa.

“Altos impostos impedem os negócios ou não? Sim ou não?”

Post Hoc Ergo Proter Hoc
A falácia Post Hoc Ergo Propter Hoc ocorre quando algo é admitido como causa de um evento meramente porque o antecedeu. Por exemplo:

“A União Soviética entrou em colapso após a instituição do ateísmo estatal; logo, o ateísmo deve ser evitado.”

Essa é outra versão da Falácia da Causalidade Fictícia.

Falácia “Olha o Avião”
Comete-se essa falácia quando alguém introduz material irrelevante à questão sendo discutida, fugindo do assunto e comprometendo a objetividade da conclusão.

“Você pode até dizer que a pena de morte é ineficiente no combate à criminalidade, mas e as vítimas? Como você acha que os pais se sentirão quando virem o assassino de seu filho vivendo às custas dos impostos que eles pagam? É justo que paguem pela comida do assassino de seu filho?”

Reificação
A Reificação ocorre quando um conceito abstrato é tratado como algo concreto.

“Você descreveu aquela pessoa como ‘maldosa'. Mas onde fica essa ‘maldade'? Dentro do cérebro? Cadê? Você não pode nem demonstrar o que diz, suas afirmações são infundadas.”

Mudando o Ônus da Prova
O ônus da prova sempre cabe à pessoa que afirma. Análoga ao Argumentum ad Ignorantiam, é a falácia de colocar o ônus da prova no indivíduo que nega ou questiona uma afirmação. O erro, obviamente, consiste em admitir que algo é verdade até que provem o contrário.

“Dizer que os alienígenas não estão controlando o mundo é fácil... eu quero que você prove.”

Declive Escorregadio
Consiste em dizer que a ocorrência de um evento acarretará conseqüências daninhas, mas sem apresentar provas para sustentar tal afirmação. Por exemplo:

“Se legalizarmos a maconha, então mais pessoas começarão a usar crack e heroína, e teríamos de legaliza-las também. Não levará muito tempo até que este país se transforme numa nação de viciados. Logo, não se deve legalizar a maconha.”

Espantalho
A falácia do Espantalho consiste em distorcer a posição de alguém para que possa ser atacada mais facilmente. O erro está no fato dela não lidar com os verdadeiros argumentos.

“Para ser ateu você precisa crer piamente na inexistência de Deus. Para convencer-se disso, é preciso vasculhar todo o Universo e todos os lugares onde Deus poderia estar. Já que obviamente você não fez isso, sua posição é indefensável.”

Uma vez por semana aparece alguém com esse argumento na Internet. Quem não consegue entender qual é a falha lógica deve ler a Introdução ao Ateísmo.

Tu Quoque
Essa é a famosa falácia “você também”. Ocorre quando se argumenta que uma ação é aceitável apenas porque seu oponente a fez. Por exemplo:

“Você está sendo agressivo em suas afirmações.”

“E daí? Você também.”

Isso é um ataque pessoal, sendo uma variante do caso Argumentum ad Hominem.


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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por famado em Sex 29 Out 2010, 9:55 pm

Ok, conheço as falácias. O problema é que quando vcs usam das mesmas, não admitem que o fazem. O Acidente invertido , o apelo à autoridade e a analogia estendida são as que vcs mais usam. Daí, quando eu mostro, vcs ficam com raiva. Inclusive, no CC, quando eu comecei a mostrar que os argumentos eram falaciosos, teve uns que deram chilique e outros que ameaçaram me expulsar.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por dedo-duro em Sex 29 Out 2010, 11:23 pm

Evidência Anedótica
Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica. Por exemplo:

“Há abundantes provas da existência de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma garota que estava morrendo de câncer, então sua família inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi curada.”

É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado, mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.

Esse argumento pode ser rechaçado pelo pensamento científico, mas no terreno psicológico, filosófico, pessoal, e teológico ele é válido. Se eu digo que sinto a presença de Jesus no meu cotidiano, dou um testemunho que pode ser verdade e, pelo simples fato de ser uma evidência menor, não quer dizer que seja falsa. Assim a ateuzada deve ficar esperta: os testemunhos de fé não foram falseados, logo não são desmentidos. Além disso é muita boa vontade de nossa parte, cristã, deixar nossos testemunhos falados, para a orientação dos que desconhecem a fé. O maior testemunho, é claro, é nossa vida correta e honesta.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por coldsnip em Sab 30 Out 2010, 2:37 am

isso deveria ser aprendido nas escolas...

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por lucas oliveira em Sab 30 Out 2010, 5:43 pm

He,he

O legal é que eu ja vi um monte de ateus usarem algumas dessas falácias.


Última edição por lucas oliveira em Sab 30 Out 2010, 5:51 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Cal em Sab 30 Out 2010, 5:45 pm

Sinta-se a vontade para corrigí-las, afinal é para isso que servem os debates e os tópicos, corrigir conceitos e idéias.


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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por lucas oliveira em Sab 30 Out 2010, 5:54 pm

Cal escreveu:Sinta-se a vontade para corrigí-las, afinal é para isso que servem os debates e os tópicos, corrigir conceitos e idéias.

Na verdade só queria dizer que muitos ateus usam algumas dessas falácias, até editei meu post anterior.

Mas um detalhe: É mencionado que se Deus tratasse todos igualmente Ele curaria todos de câncer, mas todo cristão sabe que devemos primeiro crer nele e em seguida seguirmos Sua palavra para recebermos essas bênçãos.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Cal em Sab 20 Nov 2010, 4:38 pm

coldsnip escreveu:isso deveria ser aprendido nas escolas...
Com certeza, se fossem ensinadas nas escolas logo cedo nós não veríamos as pérolas sem sentido que alguns escrevem no vestibular.


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Falácia.

Mensagem por Elder Henrique de Souza em Ter 07 Jun 2011, 5:41 pm

Falácia

Este texto foi tirado da Wikipédia, é de grande valor, postei para completar o excelente tópico de Silvamelo "Regras da desinformação", o qual sugiro a todos ler, este tópico ira servir como um pequeno dicionário de falácias para quem precisar contra-argumenta-las, visto que é muito comum o uso de falácias neste fórum.

É longo, mas vale apena ler.

Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.

Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica ou emotiva, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.

É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida sua argumentação. Ninguém pode dizer: "Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar errado".

A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só este argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso. Por exemplo, se alguém diz:

"O fogo é quente e sei disto por dois motivos: 1. Ele é vermelho e, 2. Medi sua temperatura com um termômetro".

Neste exemplo, foi de fato comprovado que o fogo é quente por meio do argumento 2. O argumento 1 deve ser descartado como falacioso, mas a argumentação não está de todo destruída.

Tipologia das falácias - com exemplos

Alguns dos nomes usados estão em latim.

Acentuação:

É uma forma de falácia devido à mudança de significado pela entonação. O significado é mudado dependendo da ênfase das palavras.

Ex: compare: "Não devemos falar MAL dos nossos amigos." com: "Não devemos falar mal dos nossos AMIGOS".

Acidente:

Quando considera-se essencial o que é apenas acidental.

Ex: "A maior parte dos políticos são corruptos. Então a política é corrupta."

Afirmação do consequente:

Esta falácia ocorre quando se tentar construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens(afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
B
Então A.

Ex: "Se há carros então há poluição. Há poluição. Logo, há carros."

Anfibologia ou Ambiguidade:

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.

Ex: "Venceu o Brasil a Argentina." ou "Ele levou o pai ao médico em seu carro."

Apelo à autoridade anônima:

Fazer afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.

Ex: "Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela."

Apelo à emoção:

Recorrer à emoção para validar o argumento.

Ex: "Apelo ao júri para que contemple a condição do réu. Um homem sofrido que agora passa pelo transtorno de ser julgado em tribunal."

Apelo à novidade:

Argumentar que o novo é sempre melhor.

Ex: "Na filosofia, Sócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente."

Apelo à vaidade:

Provocar a vaidade do oponente para vencê-lo.

Ex: "Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nesta teoria."
Apelo ao preconceito:

Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.

Ex: "Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo."

Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.

Ex:
1. "Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila!"

2. "Realmente acreditas em Adão e Eva? É apenas mais uma lenda de um conjunto de mitos antigos, sem fundamento, escritas por homens ignorantes e machistas."

Argumentum ad antiquitatem (Argumento de antiguidade ou tradição):

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou "sempre foi assim".

Ex: "Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade."

Argumentum ad baculum (Apelo à Força):

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex: "Acredite no que eu digo; não se esqueça de quem é que paga o seu salário."

Argumentum ad consequentiam :

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência desejada.

Ex:
1. "Se Deus existe, então temos direito à vida eterna. Cobiçamos a vida eterna. Então Deus existe."

2. "Se Deus não existe, não precisamos temer punições no pós-vida. Não cobiçamos penas no pós-vida. Então Deus não existe."

Argumentum ad crumenam:

Esta falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex: "O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser."

Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador):

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex: "Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo".

Argumentum ad ignorantiam:

Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade.

Ex: "Ninguém conseguiu provar que Deus não existe; logo, ele existe."

Argumentum ad lapidem:

Desqualificar uma afirmação como absurda.

Ex: "João, ministro da educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: 'Esta acusação é um disparate'".

Argumentum ad Lazarum:

Oposto ao "ad Crumenam". Esta é a falácia de assumir que apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex: "Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito."

Argumentum ad metum:

Apelar ao medo para validar o argumento.

Ex: "Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta."

Argumentum ad misericordiam (argumento baseado na compaixão):

Consiste no recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja relacionada com o assunto ou com a conclusão do argumento.

Do argumento ad misericordiam deriva o argumentum ad infantium ("Faça isso pelas crianças".)

A emoção é usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.

Argumentum ad Nauseam:

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex: "Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é."
Argumentum ad populum (Apelo ao Povo):

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.
Ex: "Inúmeras pessoas acreditam em Deus; portanto Deus existe."

Argumentum ad temperantiam:

Recorrer ao meio-termo.

Ex: "Não temos relógio, mas alguns estão dizendo que são dez horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são oito horas."

Argumentum ad Verecundiam (Apelo à autoridade) ou Magister Dixit (Meu mestre disse):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex: "Se Aristóteles disse isto, então é verdade."

Argumentum verbosium (prova por verbosidade):

Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material: superficialmente o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório, que pode acabar por ser aceite sem ser contestado.

Bola de neve:

Elaborar uma sussessão de conclusões que conduzem ao absurdo.

Ex: "Se aprovarmos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas."

Bulverismo:

Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.
Ex:

1. "Você está dizendo que a Bíblia é correta? Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciênciacomprovadamente explica tudo corretamente."

2. "Se você não acredita que a Bíblia é infalível já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é."

Causa complexa:

Supervalorizar uma causa quando há várias, ou um sistema de causas.
Ex: "O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto."

Causa diminuta:

Apontar uma causa irrelevante.

Ex: "Fumar causa a poluição do ar em Edmonton." (A causa maior é a poluição industrial e dos automóveis)

Conclusão irrelevante:

Obter uma conclusão que nem todos concordam.

Ex: "A lei deve estipular um sistema de cotas nas eleições para que as mulheres possam ocupar mais cargos políticos. Os cargos são dominados por homens e não fazer algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais igualitária."

Cum hoc ergo propter hoc (Falsa causa):

Afirma que apenas porque dois eventos ocorreram juntos eles estão relacionados.

Ex: "Nota-se uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das redes sociais e o uso dointernetês. O advento das redes sociais vem degenerando o uso do português correto."

Definição circular:

Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido.
Ex: "A Bíblia é a Palavra de Deus porque ela diz que é."

Definição contraditória:

Definir algo com termos que se contradizem.

Ex: "Para serem livres, submetam-se a mim."

Definição muito ampla:

Ex: "Uma maçã é um objeto vermelho e redondo."

Definição muito restrita:

Ex: "A Terra é um pálido ponto azul no espaço."

Definição obscura:

Definir algo em termos imprecisos ou incompreensíveis.

Ex: "Vida é a borboleta sublime que bate suas asas dentro de nós."

Dicto Simpliciter (Regra geral):

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex: "Se você matou alguém, deve ir para a cadeia." (não se aplica a certos casos)

Distorção de fatos:

Mascarar os verdadeiros fatos.

Ex: "O segredo da minha força são os cabelos."

Egocentrismo ideológico:

Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa.

Ex: "O comunismo é o ideal, pois Trotsky disse que..."

Ênfase:

Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.

Ex: "Hoje, o capitão estava sóbrio". (sugerindo embriaguês)

Equívoco:

Usar uma afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.
Ex: "Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças".

Estilo sem substância:

Validar um argumento por sua beleza estética.

Ex: "Trudeau sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão."

Explicação incompleta:

Ex: "As pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros funcionam separadas."

Explicação superficial:

Usar classificações para tirar conclusões.

Ex: "A minha gata gosta de atum porque é uma gata."

Falácia da Divisão (Tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição. Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.
Ex: "Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos."

Falácia da Pressuposição :

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex: "Você já parou de bater na sua esposa?"

Falácia de Composição (Tomar o todo pela parte):

É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.

Ex: "Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve."

Falácia do espantalho:

Consiste em criar ideias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Ex: "Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira." Ou ainda, "Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo radical, e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece."

Falácia genética:

Consiste em aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem.

Ex: "Você gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava."

Falacia non causae ut causae (tratar como prova o que não é prova):

Consiste na declaração de vitória, servindo-se de respostas fracas ou incompletamente respondidas pelo adversário, quando efectivamente os argumentos próprios não provaram logicamente a posição.

Falácias tipo "A" baseado em "B" (Outro tipo de Conclusão Sofismática):

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex:
1. "O Islamismo é baseado na fé."
2. "O Cristianismo é baseado na fé."
3. "Logo o islamismo é similar ao cristianismo."

Falsa dicotomia (bifurcação):

Também conhecida como "falácia do branco e preto". Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex: "Se você não está a favor de mim então está contra mim."

Generalização Apressada (Falsa indução):

É o oposto do Dicto Simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Ex: "Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição."

Ignoratio Elenchi (Conclusão sofismática): Ou "Falácia da Conclusão Irrelevante".

Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex: "Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentar boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os EUA ganharem a corrida espacial contra a União Soviética pois o povo americano é superior ao povo russo."

Inconsistência:

Construir um raciocínio com premissas contraditórias.

Ex: "John é maior do que Jake e Jake é maior do que Fred, enquanto Fred é maior do que John."

Invenção de fatos:

Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.

Ex: "A causa da gripe é o consumo de arroz."

Inversão de causa e efeito:

Considerar um efeito como uma causa.

Ex: "A propagação da SIDA foi provocada pela educação sexual."

Inversão do acidente:

Tomar uma exceção como regra.

Ex: "Se deixarmos os doentes terminais usarem heroína, devemos deixar todos usá-la."

Inversão do Ônus da Prova:

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Ex: "Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem."

Também pode ser utilizado para afirmações negativas, como segue: "Dragões não existem, porque ninguém conseguiu provar que eles existem."

Negação do antecedente:

Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens(afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
Não A
Então não B.

Ex: "Se há carros então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição."

Non sequitur (Não segue):

Tipo de falácia na qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Ex: "Que nome complicado tem este futebolista. Deve jogar muita bola!"

Pergunta complexa:

Insinuação por meio de pergunta.

Ex: "Apóias a liberdade e o direito de andar armado?"

Petitio principii:

Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.

Ex: "É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade."

Plurium Interrogationum:

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex: "O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?"

Post hoc ergo propter hoc:

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade.

Ex: "O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos EUA. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares."

Red Herring:

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex: "Será que o palhaço é o assassino? No ano passado um palhaço matou uma criança."

Reductio ad Hitlerum:

Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.

Ex: "Hitler acreditava em Deus, então os crentes não devem ser boas pessoas."

Reificação:

Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex: "A tristeza de Joãozinho é a culpada por tudo."

Teoria irrefutável:

Informar um argumento que não pode ser testado.

Ex: "Ganhei na loteria porque estava escrito no livro do destino."

Terceira causa:

Ignorar a existência de uma terceira causa não levada em conta nas premissas.
Ex: "Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é provocado por por um baixo consumo."

Tu quoque (Você Também):

Falácia do "mas você também". Ocorre quando uma ação se torna aceitável pois outra pessoa também a cometeu.

Ex:
1. "Você está sendo abusivo."
2. "E daí? Você também está."


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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Cal em Ter 07 Jun 2011, 5:55 pm

Tópicos unidos por terem temas semelhantes.

A Moderação.


A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Elder Henrique de Souza em Ter 07 Jun 2011, 6:13 pm

Cal escreveu:Tópicos unidos por terem temas semelhantes.

A Moderação.

muito bom, mas não vi este antes! onde estava?

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Cal em Ter 07 Jun 2011, 6:13 pm

No fórum de ateísmo página 9.


A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Elder Henrique de Souza em Ter 07 Jun 2011, 8:36 pm

Cal escreveu:No fórum de ateísmo página 9.

Valeu!

No seu texto parece ter muitas diferentes e algumas mais detalhadas.
seria uma boa idéia você compilar as duas e melhorar o texto para consultas rápidas como num dicionário.

juntar os exemplos.

gostei muito.

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falacias

Mensagem por sabino-sp em Ter 07 Jun 2011, 10:12 pm

Cal escreveu:
coldsnip escreveu:isso deveria ser aprendido nas escolas...
Com certeza, se fossem ensinadas nas escolas logo cedo nós não veríamos as pérolas sem sentido que alguns escrevem no vestibular.

desta vz você judiou em cal
se for responder tudo vc postou da muito trabalho as pessoas vão perder interesse
pelo menos aprendi o que é falácia confesso que não tinha me dado o trabalho de procurar
só um comentário sobre diluvio
pode ter ocorrido num determinado lugar e não necessariamente no mundo todo o que se tinha de noção de mundo na época éra mais o que se via vivia conhecia é minha opinião ja vi documentários a respeito


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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por EVANGELISTA/RJ/MSN em Qua 18 Set 2013, 10:32 pm

gostaria de comentar uma situaçao de debate.

Estou participando de um outro forum na qual um debatente usa de "argumento circulante", onde se treplica sempre pedindo "a fonte da informação" mesmo que ela tenha sido implicitada no debate

exemplo:

membro 1: pago 2500 reais na prestação do meu carro e 6000 mil de seguro anualmente

membro 2: entao voce deve ganhar bem para sustentar este custo com o veiculo

membro 3 (quotando a frase do membro 2): fonte?

membro 1: sim, sou um pequeno micro empresario

membro 2: ah sim por isto que voce consegue sustentar o custo

membro 3 (quotando a frase do membro 2): fonte?

membro 2 (treplicando a frase do membro 3): a propria frase do membro 1 afirmando que é micro empresario

membro 3 (treplicando a frase acima do membro 2): fonte?

ou seja vira um debate de argumentação circulante, que tipo de falácia é esta? e como combate-la de forma eficaz?

veja que a intenção nao é questionar a origem, e sim cansar o debatente com insistencia em um argumento circular que nunca chega ao fim.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por Khwey em Qui 19 Set 2013, 12:16 am

Se for diferente disto, então não é debate.

"Debate é uma discussão entre duas ou mais pessoas que queiram apenas colocar suas ideias em questão ou discordar das demais, sempre tentando prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas.

Geralmente debates são longos, e raramente se chega a alguma conclusão, porém é uma prática considerada saudável onde uma pessoa pode ver vários lados de uma mesma questão, desta forma, as pessoas que participam, aprendem concomitantemente sobre algo que uma e a outra não sabiam."

Conceito retirado da internet, o qual eu creio ser difícil de ser encontrado com outra ideia.

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por EVANGELISTA/RJ/MSN em Seg 15 Ago 2016, 1:20 pm

ha alguma outra falacia em que se encaixe a "Lei de Godwin"?

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por gusto em Ter 16 Ago 2016, 9:31 pm

Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.
Apelo ao ridículo é muiiiiiito usada por moderadores. :risadinha:

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Re: Guia Das Falácias

Mensagem por hardfinger em Sab 03 Set 2016, 9:17 am

Puxa, Quantas falácias! Há mais falácias que argumentos válidos. Aliás, só conheço dois: o silogismo e o "modus tollens". De qualquer maneira, excluindo toda bobajada falaciosa, bem como o vazio do silogismo, a verdade só pode ser obtida pelo teste empírico reprodutível.


"Deixem que nossas ideias morram em nosso lugar".

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Re: Guia Das Falácias

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