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Coréia do Norte proíbe mulheres de dirigir por serem barbeiras

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aleluia Coréia do Norte proíbe mulheres de dirigir por serem barbeiras

Mensagem por EVANGELISTA/RJ/MSN em Seg 26 Abr 2010, 10:50 pm



23/04/2010 - 08h28
Coreia do Norte alega
"barbeiragem" e proíbe mulheres de dirigir

SÉRGIO RANGEL

Enviado
especial a Pyongyang

As mulheres trabalham pesado na sociedade
norte-coreana, mas não têm os mesmos direitos que os homens. Elas não
dirigem carros nem bicicleta na capital norte-coreana. Também não podem
fumar no país. A alegação oficial para a proibição das mulheres no
trânsito é que elas já provocaram muitos acidentes em Pyongyang.

A
proibição foi determinada há cerca de dez anos pelo "querido líder" Kim
Jong-Il, filho e sucessor do "pai da nação'', o "presidente eterno" Kim
Il-Sung, morto em 1994.

Ao mesmo tempo são elas que tentam
organizar o trânsito local, que tem ruas pouco movimentadas --a Coreia
do Norte tem uma das menores frotas de carro do mundo.

Mulheres-semáforos

As
ruas da capital norte-coreana não têm sinais de trânsito, provavelmente
por causa da carência de energia elétrica no país. Com movimentos
ininterruptos, mulheres uniformizadas sinalizam para onde os carros
devem seguir. Em quase todos os cruzamentos de Pyongyang, há
mulheres-semáforos. Elas chamam a atenção pela beleza, pelas roupas bem
cortadas e pela frenética coreografia, repetida mecanicamente mesmo
quando as ruas estão vazias.

As guardas levantam e abaixam os
braços, rodopiam e giram a cabeça sem parar, numa coreografia mecânica.
De noite, elas são substituídas por homens, que mantêm o balé de braços e
pernas com um bastão luminoso para serem visto em meio à escuridão da
cidade.

A Folha não conseguiu entrevistar nenhuma das
mulheres-semáforos nos sete dias em que permaneceu na capital
norte-coreana. Elas só deixam os seus postos em dias de fortes chuvas ou
de calor intenso. Nessas épocas, os poucos semáforos são ligados na
capital norte-coreana.

Quatro rodas

O
país começa agora a produzir os seus primeiros carros. Quase todos os
que circulam são importados e estão nas mãos de estrangeiros ou da elite
política da capital. Com a carência enorme de carros, qualquer coisa
que tenha motor e ande em cima de quatro rodas está liberada para
circular pelas ruas e estrada do país. Carros com a direção na direita
andam livremente. A bicicleta é o principal meio de transporte do país.
Já no interior, as mulheres podem subir nas bicicletas.

Os ônibus
também não são conduzidos pelas mulheres. Quase todos herdados da
antiga Alemanha Oriental, os ônibus só andam superlotados pela capital.
As filas são imensas durante todo o dia.

Como encontrar carro é
raro numa estrada, eles são capazes de começar a buzinar quando avistam o
outro, mesmo que ele esteja distante mais de 500 metros. Os motoristas
também sempre buzinam ao ver uma pessoa andando pelo acostamento, o que é
comum no país que praticamente se locomove com os pés.

Quarentena

Apesar
da discriminação, as mulheres trabalham muito. Viajando pelo interior
do país, é possível ver grupos femininos trabalhando pesado na terra.
Elas também fazem reparos nas obras. Podem estudar, mas dificilmente
chegar numa posição de comando no governo local.

A maternidade na
Coreia do Norte não é controlada pelo Estado, segundo os guias. No
principal hospital da capital, as mulheres ficam isoladas dos maridos
por cerca de uma semana depois de ter filhos. O chefe do hospital
justificou que a "quarentena'' é uma tentativa do governo para reduzir
uma possível contaminação das crianças. Neste período, os pais se
comunicam por um telefone e podem ver a imagem da crianças e da mãe nas
televisões instaladas no setor de visita.

Veto a calças

Até
na forma de vestir das mulheres, o governo dá ordens. No ano passado,
ativistas norte coreanos informaram que as mulheres do país seriam
condenadas a trabalhos forçados se forem pegas usando calças em vez de
saias pela nova regra do regime comunista.

Segundo o grupo de
defesa dos Direitos Humanos "Good Friends", elas podem ser punidas com
horas de trabalho forçado ou fiança de 700 won (moeda local), o que
equivale a quase uma semana do salário médio de um trabalhador. Apesar
da decisão governamental, as mulheres andavam livremente de calça pela
capital nesta semana.

A campanha irritou as mulheres, que veem as
saias como menos práticas que as calças, disse o diretor do grupo Good
Friends, Lee Seung-Yong. Na época, Uriminzokkiri, um site oficial
norte-coreano, divulgou que o presidente Kim já havia publicado um
decreto, em 1986, obrigando as mulheres a usarem o traje tradicional
coreano.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u724566.shtml

EVANGELISTA/RJ/MSN
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