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Quem é o teu Deus, o bom ou o mau?

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Quem é o teu Deus, o bom ou o mau?

Mensagem por David de Oliveira em Sab 16 Jan 2010, 2:49 pm

Os sinos dobram no meu aniversário
Ricardo Gondim
Hoje, 14 de janeiro, celebro meu aniversário com a bandeira hasteada a meio
pau. Ouço sinos a dobrar no horizonte e me pergunto: Por quem dobram os
sinos? A resposta ressoa em um uivo melancólico: Eles dobram pelo povo
do Haiti, e por ti.
Celebro a minha existência com o sabor amargo de uma catástrofe que engasga a
alma. Meu sorriso não disfarça o desalento. Sinto-me no vórtice desse
evento trágico que aflige o povo famigerado do Haiti. O badalar dos
sinos lembra o poeta inglês do século XVI, John Donne. Suas palavras
tingem meu aniversário de um baço consternado: “A morte de qualquer
homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca
procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
O Haiti consta entre os mais miseráveis do planeta. Não tem um Estado que
gerencie minimamente o dia a dia dos cidadãos. Sem Corpo de Bombeiros,
não tem qualquer serviço de ambulância; os hospitais, precaríssimos
matam mais do que curam. Embora localizado nas barbas dos Estados
Unidos, por anos contou com uma ajuda “humanitária” insignificante,
migalhas que caem da mesa dos filhos preferidos de Deus. Pingos de
creolina para um oceano de fezes. O mundo não teve dificuldades de
encontrar bilhões para resgatar mega corporações financeiras, mas joga
sobejos para os haitianos que rastejam na absoluta desgraça.
Já estou preparado para ouvir os argumentos dos arautos do conservadorismo
teológico: “Deus, em sua presciência e eterna sabedoria, pré-ordenou
todas as coisas. Ele organizou o mundo de tal maneira que até a
desgraça de milhões traz glória para seu santo nome”. Fundamentados na
literalidade de textos dos genocídios, limpezas étnicas e pragas
atribuídas ao furor divino, os arautos da Reta Doutrina fazem de Deus
não só o autor, mas o gerente de calamidades tão dantescas.
Sim, os relatos da Bíblia hebraica revelam uma Divindade que, uma vez
ofendida, não hesita em destruir tudo e todos os que se interpõem ao
seu propósito. O pensamento que transforma Deus no autor de calamidades
elabora da seguinte maneira: “Deus é bom, mas também justo. E se no
passado matou cidades inteiras, crianças, animais, idosos, também tem o
direito arrasar com milhões de pessoas nos dias atuais. E ninguém seria
sábio ou misericordioso o suficiente para questioná-lo”. Entendo que
este tipo de leitura da Bíblia se sustenta, porque possui uma lógica
interna rigorosa – alguns desses pensadores são pós-doutores em
teologia.
Contudo, eu já me despedi da racionalidade desse pacote. Não tolero que as
conclusões medievais de Santo Anselmo calcem o meu chão teológico. Ele
pensou a partir da ideia sinistra de que a Divindade estava ofendida
pelo pecado da humanidade. Praga bubônica, tsunamis, devastação de
colheitas por secas e inundações ainda são insuficientes para aplacar o
ódio do Senhor – segundo o calvinismo, as crianças já chegam ao mundo
condenadas; devido ao pecado original, “nascem debaixo da ira de Deus”.
Antecipo dizerem que vez por outra Deus precisa mesmo dar uma mexidinha
nas placas tectônicas para mostrar seu grau de cólera com a humanidade.
Não refuto tais argumentos. Eles fecham o esquema lógico do raciocínio
daqueles que se autodenominam Reformados. Porém, como acreditar em um
Deus que escolheria exatamente os haitianos para revelar o tamanho de
sua ofensa? Por que exatamente sobre um povo já esquecido em sua
indigência? Os calvinistas que fiquem com esta divindade, eu não posso
acreditar que exista um Deus que sempre começa a sua vingança com os
indefesos.
Claro que os ricos se protegem melhor das tragédias enviadas pelo Altíssimo.
No Japão, um terremoto dessa magnitude traria sérias consequências, mas
os danos seriam minorados pela belíssima infra estrutura do país –
ressalte-se que a maioria de japoneses é secularizada, e como outros
povos abastados, não se interesse muito pelo Deus dos cristãos. Se o
Todo Poderoso castigou a pequena ilha do Caribe devido a sua idolatria
primitiva e grosseira, porque não pune os Países do Primeiro Mundo pela
idolatria sofisticada e dissimulada do materialismo?
Que Deus é esse que permite que ricos se defendam de sua ira extrema? New
Orleans está conseguindo voltar ao normal depois do Catrina. Para os
haitianos condenados ao charco pútrido, as mortes continuarão por
décadas. O que lhes acontecerá quando o próximo furacão voltar a
açoitar sem misericórdia?
Acredito em um Deus que se relaciona com a humanidade em outras bases. Deus é
amor. A bonança e a tempestade são elementos da Contingência, espaços
para a liberdade. Não creio na teologia da Providência (se não conhecer
o seu significado, bastar pesquisar nos melhores manuais calvinistas).
Aceito que Deus amorosamente participa nas iniciativas de bondade e nos
movimentos de justiça que um cataclismo possa desencadear. Não imagino
que o Deus de Jesus Cristo possa estar por detrás de um acidente tão
horrendo. Ele é luz e interpela homens e mulheres de bem para que se
façam presentes na catástrofe, minorando o sofrimento dos pobres.
Descreio das lógicas que transformam os pensamentos divinos em
maldição. Deus é o Deus da paz.
As lágrimas de Deus pelo Haiti são semelhantes às de Jesus diante da
sepultura de Lázaro. Seu lamento ressoa no repique dos sinos que devem
bater mansos, hoje, 14 de janeiro. No meu aniversário, partilho a dor
dos negros, pardos e brancos que choram a morte de seus queridos ainda
debaixo de escombros em Port-au-Prince.
Soli Deo Gloria


 Jucá: “Conversei ontem com alguns ministros do Supremo (Tribunal), os caras dizem: Ooh! Só tem condições sem ela (Dilma), enquanto ela (Dilma) estiver ali, a Imprensa, os caras querem tirar ela, esse negócio não vai parar nunca entendeu estou conversando com os generais, comandantes militares está tudo tranqüilo, os caras dizem que vão garantir...” .

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