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Os perigos do evangelho pragmático

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Os perigos do evangelho pragmático

Mensagem por darkshi em Seg 17 Ago 2009, 9:59 pm

Escrito por:Valmir Nascimento Milomem

fonte:http://comoviveremos.com/2009/07/31/os-perigos-do-evangelho-pragmatico-1/

Parte 1


No tempo presente o pragmatismo é de longe um dos comportamentos mais em voga no ambiente social. Nesse contexto, a idéia de que os resultados, a praticidade, a utilidade e a funcionabilidade são os melhores indicadores da verdade, e, consequentemente, da melhor maneira de se viver, estão a nortear o
cotidiano das pessoas.

Para exemplificar, em Cartas de um diabo a seu aprendiz, de C. S. Lewis, o diabo instrutor Fitafuso aconselha seu sobrinho e aprendiz, Vermebile, sobre como afastar uma pessoa da verdade do evangelho. Na primeira epístola, Fitafuso desenvolve a idéia de que os humanos são mais propensos a aceitar pensamentos que tenham aplicação prática em suas vidas, ao invés de avaliar a validade das mesmas. Ele escreve: “Parta do princípio que sua vítima já se acostumou desde
criança a ter uma dúzia de filosofias diferentes dançando em sua cabeça. Ele não usa o critério de “verdadeiro” ou “falso” para conferir cada doutrina que lhe apareça (seja do Inimigo ou nossa). Ao invés disso, ele verifica se a doutrina é “Acadêmica” ou “Prática”, “Antiquada” ou “Atual”, “Aceitável” ou “Cruel”. O jargão e a expressão
feita (e não o argumento lógico) são seus melhores aliados para mantê-lo longe da Igreja. Não perca tempo tentando levá-lo a concluir que o Materialismo seja verdadeiro (sabemos que não é). Faça-o pensar que ele é Forte, Violento ou Corajoso – ou ainda, que é a Filosofia do Futuro! Este é o tipo de coisas que lhe despertarão a atenção”.

Francis Schaeffer, também, em 1976, quando escreveu How Should We Then Live (Como Viveremos?), chegou a afirmar que o pragmatismo era o pensamento dominante na época. Segundo ele, “tanto nos assuntos internacionais quanto no que diz respeito ao lar, o critério mais amplamente aceito é a conveniência –
manter-se a paz pessoal e a prosperidade do momento a qualquer preço”. Identicamente, o inglês John Stott afirma que “no mundo moderno
multiplicaram-se os pragmáticos, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?”, mas sim: “Será que funciona?”. (2001, p. 07).

Assim, é possível perceber as garras dessa doutrina sendo cravadas nas políticas públicas, na economia, na educação e até mesmo nas discussões judiciais. O ideário pragmático pode ser vislumbrado quando se coloca em debate assuntos como o aborto, drogas, pesquisas de células tronco, entre outros. Geralmente, quando esses assuntos são discutidos, a análise gira em torno dos benefícios imediatos que tais práticas podem trazer para o ser humano, sem se levar em conta valores morais e
princípios éticos.

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Re: Os perigos do evangelho pragmático

Mensagem por darkshi em Seg 17 Ago 2009, 10:01 pm

Parte 2



Teologia Pragmática Pós-moderna

No âmbito teológico o pragmatismo também vem ganhando espaço. Em A Sedução das Novas Teologias Silas Daniel descreve a forma como vários princípios da pós-modernidade estão invadindo as igrejas e afetando negativamente a Teologia. Ele cita um série de vertentes teológicas que foram criadas exatamente para atender as demandas do nosso tempo. Em suas palavras, “entorpecidos por essas falsas necessidades que nos são impostas, muitos cristãos no Ocidente estão flexibilizando sua fé, mudando sua mentalidade em relação à Bíblia, à Igreja e à Deus, e isso, infelizmente, já está acontecendo também no Brasil. Esses cristãos, cujo número cresce cada vez mais, são os seguidores do que denominamos teologias pós-modernas, que nada mais são do que tentativas de adaptar o evangelho a essas ditas “demandas”, ou seja, aos princípios da pós-modernidade“.

Na esteira desse raciocínio, outra espécie de demanda da geração atual pode ser vista na busca do homem por algo espiritual que funcione e lhe traga benefícios imediatos. O pensamento religioso vigente funda-se na idéia de que para ser válida uma crença necessita invariavelmente ser prática, útil e que atenda todas as suas expectativas. Infelizmente, com o propósito de atender essa falsa necessidade muitos ministérios cristãos acabaram por se curvar ao anseio social, adotando o que podemos chamar de teologia pragmática, recheada de discursos e métodos orientados fundamentalmente para os resultados e para a felicidade imediata.

Noutros termos, muitos ministérios evangélicos enveredaram-se pelo caminho das estratégias de mercado para arrebanhar mais seguidores, ou aderiram ao movimento chamado “a igreja ao gosto do freguês” conforme denominou T. A. McMahon ; o que segundo ele tem invadido muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing voltadas para os “consumidores espirituais”, enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do “consumidor” como seu principal ponto de interesse, cuja abordagem centra-se na gratificação imediata, nas bênçãos terrenas e no “sentir-se bem consigo mesmo”. Nesse compasso, as assim chamadas “megaigrejas” adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica, auditórios para concertos e produções teatrais e franquias do McDonalds tudo para agradar os seus “clientes”. Com isso, na liderança aparecem novos profetas/ungidos/visionários. Administradores de igreja, no lugar de pastores de ovelhas. Gerentes eclesiásticos, ao invés de servidores do próximo. Componentes de organizações ao invés de membros de um organismo. Personal Trainner Espiritual ao invés de ministros do evangelho. Gostam de números, não de vidas. Amam o status, não as almas.


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Re: Os perigos do evangelho pragmático

Mensagem por darkshi em Seg 17 Ago 2009, 10:03 pm

parte 3



Como
visto, o pragmatismo é um dos paradigmas nesta geração pós-moderna, inserindo-se inclusive no ambiente eclesiástico. Nesse caso, a adoção da teologia pragmática pode ser percebida tanto no discurso, onde o evangelho é enfatizado pelos seus benefícios terrenos, quanto na metodologia de trabalho do próprio ministério, por meio de práticas focadas em números e resultados em detrimento dos verdadeiros princípios bíblicos.


Aparentemente, a visão de benefícios, funcionabilidade e resultados pode não representar qualquer nocividade à fé cristã, porém, a utilização dos ideais pragmáticos na pregação do evangelho representam – sim – grandes perigos ao ministério pastoral, tanto quando usado no discurso, bem como no que se refere à metodologia empregada.

A importância da eficiência

Não podemos, é claro, desprezar a importância da prática em todas as esferas de atuação do homem. No casamento, na educação e na atuação profissional, por exemplo, existe um série de considerações do ponto de vista funcional que realmente precisam ser levados em conta. O princípio da eficiência, entendido como o emprego dos meios necessários para se atingir determinado fim, é fundamental no desempenho das atividade vitais do ser humano, inclusive no espaço eclesiástico.
Entretanto, a praticidade não pode ser o único ou o principal ponto a ser ponderado na realização de qualquer tarefa; e é exatamente aqui que
a filosofia pragmática erra, empurrando para a periferia uma série de princípios fundamentais e elege, como único fator relevante, a questão: “Isso funciona?”, sem considerar os aspectos morais, sociais e psicológicos que cercam o ato.


Dito isto, vejamos os perigos do pragmatismo, tanto no que se refere à pregação, bem como em referência à metodologia de trabalho:

O perigo de considerar o evangelho como produto e não como dádiva


Lourenço Stelio Rega, em artigo publicado na Revista Eclésia escreveu que “nestes primeiros anos do terceiro milênio, a fé cristã está entrando pelo mesmo principio básico da lei de consumo – obter as maiores recompensas por meio dos menores custos. E se não for possível conseguir as dádivas, busca-se por discurso compensadores que possam substituí-la”. Nessas palavras é possível perceber um dos perigos contidos no discurso dprque transforma o evangelho em uma espécie de
produto com vários benefícios àqueles que aceitarem a Cristo como Salvador. Esse evangelho de benefícios leva muitos a uma peregrinação de igreja em igreja, em busca daquela que lhe ofereça mais vantagens espirituais. A nocividade em transformar o evangelho em produto é que isso gera uma falsa expectativa naqueles que foram para as igrejas em virtude das “propagandas religiosas”. Prometeram-lhes felicidade, milagres e bênçãos terrenas. Acontece, então, que após tempos e tempos
de falsas promessas e benefícios não efetivados, pessoas há que desanimam da fé, da igreja e até mesmo de Deus; atribuindo a Ele o fracasso de suas vidas por não terem recebido a prosperidade que esperavam e que haviam prometido. O resultado são vidas machucadas, feridas, apostatas da fé que criam escudos protetores. É o medo de serem enganadas novamente, de que tomem mais uma vez seu dinheiro em troca de promessas com as quais Deus nunca se comprometeu.
Ser
cristão, levando em consideração somente os benefícios dessa vida não pode e nem deve ser o nosso principal alvo. Segundo a Bíblia, “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.



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Re: Os perigos do evangelho pragmático

Mensagem por darkshi em Seg 17 Ago 2009, 10:06 pm

parte 4




O perigo de preparar o cristão somente para o ganho e nunca para a perda

O evangelho pragmático prepara o cristão somente para ganhar, mas não para perder. Esse é um problema sério. Cristãos gerados segundo esse presságio mantém a fé inabalável somente até a primeira adversidade em suas vidas. Quando o vento bate à porta eles logo devolvem suas credenciais e voltam de onde saíram: o
mundo. A Bíblia deixa evidente a importância de os discípulos de Cristo estarem preparados para a perda. Pelo visto, Paulo sabia dessa verdade.
Ele escreve: “Mas o que era para mim era ganho reputei-o perda por Cristo; e, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela
excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que
possa ganhar a Cristo” Fp. 3.7,8

Assim como o soldado não deseja a guerra, o cristão não deseja a perda. Por outro lado, da mesma forma como ele se prepara continuamente para a batalha, assim devemos nos preparar para os momento de dificuldade. Nancy Pearcey afirma que “quer o sofrimento seja físico, quer seja psicológico, o método que Deus usa
para vermos em que estamos fundamentando nossas vidas é a perda. Quando perdemos a saúde, ou a família, ou o trabalho, ou a reputação, e a vida
desmorona e nos sentimos perdidos e vazios, é quando percebemos o quanto nosso senso de propósito e identidade estava de fato ligado a
essas coisas. É por isso que temos estar dispostos a permitir que Ele tire essas coisas de nós. Temos de estar ‘dispostos a morrer’”.

O Apóstolo dos gentios disse ainda que precisamos nos gloriar na esperança da glória de Deus, quando nas tribulações, pois a tribulação produz a paciência; e a paciência a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Rm. 5.3-5).


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Re: Os perigos do evangelho pragmático

Mensagem por darkshi em Seg 17 Ago 2009, 10:06 pm

parte 5



O perigo de promover o relacionamento com Deus por aquilo que Ele faz e não por aquilo que Ele é

Eis, então, outro perigo da teologia pragmática: promover o relacionamento com Deus por aquilo que Ele faz e não por Aquilo que Ele é.
A gravidade reside no fato de vê-lo não como o Pai amoroso, mas como
alguém que simplesmente lhe proporciona benesses terrenas.

Quando o foco no relacionamento entre duas pessoas é
o que uma delas poderá ganhar, pode-se dizer que nesse caso não existe
verdadeiro relacionamento, mas simplesmente interesse de uma das partes
em busca de proveito próprio. Em outra palavras, temos a configuração
clara da espiritualidade filhas da sanguessuga, "Dá e Dá" (Pv. 30.15), as quais nunca se fartam.

A questão básica é que os ministérios cristãos que
adotaram a teologia pragmática como linha mestra de percurso sempre
usam em suas propagandas a oratória do "Deus cura, Deus dá, ou o Deus
prospera". A questão é que nem sempre Deus cura, dá ou prospera. Não
porque Ele não possa, mas porque à vezes ele não quer. Não se trata de
capacidade, e sim de vontade. Nesse caso, quando Ele não age da forma
como as pessoas gostariam, e se a comunhão com o Criador estiver
estribada somente nesses preceitos de dar e receber, a frustração
certamente virá.O amor pelo Pai deve proceder do íntimo dos nossos corações sem
esperar algo em troca. Mesmo porque o melhor presente Ele já nos
concedeu: seu Filho Unigênito (João. 3.16).



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Re: Os perigos do evangelho pragmático

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