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Nascidas para morrer

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Nascidas para morrer

Mensagem por Iane em Seg 12 Jan 2009, 12:42 am

Nascidas para morrer
Por Andrea Dip
andrea.dip@folhauniversal.com.br

A cada mil crianças nascidas no Brasil, 23 morrem antes de completar 1 ano. O índice assustador faz parte do relatório do Fundo de População da Organização das Nações Unidas (ONU), que chamou a atenção por deixar o País entre as piores estatísticas de mortalidade infantil da América Latina, na frente apenas da Bolívia (45 mortes a cada mil) e do Paraguai (32 mortes). Em 2007, o Brasil perdeu mais de 35 mil bebês por causas que poderiam ser evitadas, como desnutrição, diarréia por falta de saneamento básico, falta de vacinas, infecções respiratórias e má qualidade de atendimento no serviço de saúde.

Gabriela*, de 38 anos, faz parte desse levantamento. Mas a dor de ter perdido o bebê não entra em cálculo algum. “Eu tenho um filho de 13 anos e não pensava em ter mais filhos. Mas meu menino começou a solicitar um irmãozinho.

Tive uma gravidez muito tumultuada”, lembra. Ela conta que 5 dias antes de ir para o hospital esteve no médico e disse que achava que estava acontecendo algo de errado, mas ele não deu importância à reclamação. “No dia 20 de agosto fui internada com dois dedos de dilatação, e fiquei lá até que a Eduarda nascesse no dia 27 de agosto de 2007. Ela parecia perfeita, com 1,590 quilos e 49 centímetros, sem nenhum problema aparente. Dois dias depois, me informaram que tinha uma infecção e que estava sendo tratada. No dia 1º de setembro ficamos sabendo que ela teve duas paradas cardíacas e faleceu.

A causa da morte foi septicemia”, diz. A septicemia é uma infecção no sangue causada por bactérias comuns na flora intestinal que pode provocar a morte de bebês nos primeiros dias de vida. “Agora, estou grávida novamente. Ainda me sinto muito insegura por causa do que passei”, diz Gabriela.

Mortes podem ser evitadas
Para o infectologista Eugenio Scannavino Netto – que conseguiu diminuir em 40% o índice da mortalidade infantil em Santarém, no Pará (veja entrevista na página 16), com medidas simples de orientação e kits de saneamento de R$ 5 –, o que falta é investir em prevenção. “Gasta-se muito com ações curativas, os hospitais ficam entupidos, quando muitas das causas que matam crianças poderiam ser evitadas em casa. Hoje, é inadmissível que um bebê morra de diarreia por falta de água tratada e de informação”.

Inadmissível, sim, porém mais real do que nunca. Segundo o relatório Situação Mundial da Infância, lançado anualmente pela Unicef, a cada dia, em média, mais de 26 mil crianças menores de 5 anos morrem em todas as partes do mundo, 30% delas durante o primeiro mês de vida, geralmente em casa e sem acesso a serviços de saúde essenciais e recursos básicos que poderiam salvá-las. “Algumas crianças sucumbem a infecções respiratórias ou diarreicas que, atualmente, já não constituem ameaças nos países industrializados. Ou, então, morrem devido a doenças da primeira infância, como o sarampo, que podem ser facilmente evitadas por meio de vacinas”, diz o documento.

O relatório aponta também que 50% das mortes nessa faixa etária são causadas pela desnutrição. Gravidez precoce, falta de higiene e o analfabetismo das mães também aparecem na lista dos principais fatores.

Mas, apesar do cenário assustador, Cristina Albuquerque, coordenadora do Programa de Sobrevivência e Desenvolvimento da Unicef, diz que o Brasil deve alcançar a meta do milênio, estipulada pela ONU, que determina a redução da mortalidade infantil em dois terços até 2015. “Nos últimos 10 anos, o País reduziu 50%, em média, as taxas da mortalidade na infância.

Vamos atingir o objetivo do milênio. O que nos preocupa agora não é a média nacional, mas os contrastes entre regiões, raças e etnias. Hoje, as crianças afro-descendentes têm o dobro de chances de morrer do que as crianças brancas. E as indígenas têm 100% a mais de chances. O desafio não é que todas as crianças, mas que cada criança tenha a garantia de vida e os demais direitos assegurados”, explica Cristina.

O bom exemplo
“Faz muitos anos que a gente não vê um recém-nascido morrer na comunidade. O índice aqui agora é zero”, comemora Ana Silva, “nascida e criada na comunidade quilombola de Alto Alegre, com muito orgulho”, como costuma dizer. Há 5 anos, Ana se juntou com outras mulheres do Quilombo, que fica no município Horizonte, no Ceará, para conseguir atendimento médico de melhor qualidade, informação para as gestantes e vacinas. O que era um trabalho voluntário ganhou apoio da Unicef e, há 3 meses, virou um projeto oficial, o Raiz do Quilombo, com o selo de qualidade da ONU. Para ela, o que mata as crianças é mesmo a falta de informação. “Há pouco tempo tivemos uma mãe que estava amamentando o filho de forma incorreta e a criança estava começando a ficar desnutrida. Levamos mãe e a criança ao médico, orientamos, e hoje o bebê alcançou o peso, está ótimo”, se orgulha.

Para Cristina Albuquerque, o desmame também é um fator importante na desnutrição infantil. “O Brasil exporta tecnologia de bancos de leite humano, mas apenas 45% das brasileiras dão o peito para os bebês até 3 meses”, diz. Para ela, o ideal seria que o sistema de saúde chegasse 9 meses antes do parto e assegurasse a saúde da mãe e do bebê até pelo menos 9 meses depois. “Quando isso acontecer, certamente veremos uma queda substancial tanto da mortalidade materna (veja texto abaixo) quanto da mortalidade
infantil”, conclui.

Enquanto isso não acontece, o descaso e a falta de informação continuam tirando os bebês dos braços das mães. Se não houver uma redução drástica desses números, estima-se que em 2015, 4,3 milhões de crianças morrerão no mundo todo antes de completar 5 anos de idade.

*Nome fictício a pedido do entrevistado

http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=988&cod=142966&edicao=875


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