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Ciência e espiritualidade: um breve manifesto

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n?o Ciência e espiritualidade: um breve manifesto

Mensagem por Luís em Ter 30 Dez 2008, 1:35 pm

A união de dois mundos opostos é possível? Para nosso colunista, a mágica da vida reside nela mesma. Marcelo Gleiser

Na opinião popular, o título deste texto representa um paradoxo. Ciência e
espiritualidade habitam mundos diferentes, que em geral entram em
conflito ao se aproximarem. A primeira é vista como uma atividade
exclusivamente racional, reducionista, materialista e fria, sem
qualquer interesse por questões espirituais. Já a segunda, bem mais
difícil de ser definida, representa uma busca pessoal, uma relação com
uma realidade que transcende o imediato, que nos conecta com o que vai
além do material. Por isso a espiritualidade é considerada a antítese
da ciência.

Para piorar, a busca espiritual costuma adotar uma
posição que não só é contrária ao materialismo científico, mas que o
confronta. Ela passa a ser quase que uma "vingança" para quem está
desiludido com um mundo cada vez mais explicável, destituído de mágica
e poesia. O movimento romântico do início do século 19 foi uma resposta
direta ao racionalismo extremo do século 18. O poeta John Keats acusou
Isaac Newton de ter "desfiado o arco-íris", de ter roubado a sua beleza
com suas explicações precisas sobre o comportamento da luz. Nada
poderia ser menos verdadeiro.

Quem fecha os olhos para as
descobertas da ciência moderna e se fia na ocorrência de fenômenos
sobrenaturais, paranormais, astrológicos, quem acredita que duendes
povoam florestas, quem jura que almas circulam pelo mundo dos vivos sem
serem percebidas, faz o mesmo que o poeta: nega-se a apreciar a poesia
e a beleza que a ciência nos revela, preferindo pensar como nossos
antepassados. E sua credulidade é explorada por oportunistas.

Existe
mágica de sobra no mundo que podemos ver com nossos olhos e com os
instrumentos que inventamos para ampliar a nossa visão da realidade.
Não é preciso se fiar numa realidade invisível e sobrenatural, cuja
existência depende de relatos individuais e que é sujeita à fé. Quando
queremos muito acreditar em algo, isso se torna mais real. O querer
acreditar compromete nossa habilidade de decidir imparcialmente - ou
quase - se uma asserção é ou não verdadeira.


Se meu pai está doente e a medicina moderna não pode fazer nada por ele, por que não
levá-lo a um curandeiro, alguém com supostos poderes de exercer curas
milagrosas e inexplicáveis? A morte assusta, foge ao nosso controle,
rouba aqueles que amamos. É difícil aceitar a postura materialista de
que ela é mesmo o fim, que essa faísca que anima a matéria e nos faz
amar e chorar se esvai por completo num piscar de olhos. Nosso dilema é
termos consciência de que temos os dias contados. Aceitar esse fato é
tão difícil que fazemos de tudo para driblá-lo, criando mecanismos que
vão além do que podemos provar. Talvez isso ajude muitos a aceitarem
seus destinos. O triste é que os que estão convictos da existência
dessa dimensão sobrenatural fechem os olhos para o que a ciência mostra.


Prefiro viver de olhos bem abertos e aceitar a pré-condição da vida, a
não-vida. Ignorar o que a natureza nos mostra todos os dias é viver
menos, é se apegar a contos de fadas para evitar o confronto com a
nossa condição humana. Saber morrer é saber viver, é saber aceitar o
quanto são preciosos esses breves momentos que temos para amar, chorar,
apreciar a beleza do arco-íris, vibrar com um gol e ter medo de perder
quem amamos. É na brevidade da vida que reside o seu segredo: saber
viver sem medo de morrer. Isso não é nada fácil, e não acredito que
tenha conquistado o meu próprio medo. Mas prefiro viver com ele a me
iludir com algo que nunca saberei se está certo ou não.

Ninguém
gosta da idéia de morrer ou de sofrer. Ninguém gosta de ver o
sofrimento de tantos no mundo. Porém, se a alternativa é achar que tudo
isso vai ser diferente no "além", que forças ocultas regem nossas vidas
e podem ser controladas por meio de crenças místicas, ela me parece
criar uma sociedade que não enfrenta os desafios que tem pela frente,
escondendo-se nas promessas de um mundo inescrutável e inexistente.


Para mim, a mágica ocorre a cada momento em que estamos vivos, que
podemos amar e sofrer, que podemos refletir sobre quem somos e sobre como
podemos melhorar as nossas vidas e as dos que estão à nossa volta.
Perceber essa mágica é abraçar a espiritualidade da ciência. Com ela
aprendemos quem somos e como nos relacionamos com o mundo e com o
Universo. Entre os caminhos que temos para enfrentar nossos desafios,
não vejo outro que possa mostrar o quanto a vida é preciosa e rara, que
celebre de forma mais clara a mágica da existência.

MARCELO
GLEISER é astrofísico, professor do Dartmouth College, nos Estados
Unidos, e autor de cinco livros sobre ciência e conhecimento

Fonte:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG...


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