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Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil

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Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil

Mensagem por Christiano em Sab 21 Jan 2017, 9:02 pm

Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil



Diego Toledo
Colaboração para o UOL, em São Paulo
21/01/201704h00


"Se você não acreditar em Deus, você tem o demônio no corpo." Assim o ator Gregorio Duvivier, 30, descreve a reação de boa parte da população religiosa brasileira diante de alguém que se declara ateu. O ator revela que nunca teve uma formação religiosa e, por isso, não enfrentou problemas em sua relação com amigos e familiares por ser alguém que questiona a existência de Deus.

Mas o próprio Gregorio faz coro a uma reclamação da maioria dos ateus no país: a de que, em geral, a sociedade brasileira tem dificuldades em entender e aceitar aqueles que não professam nenhuma fé religiosa. "O Brasil é um país difícil para os ateus porque nós somos uma minoria realmente pequena", avalia o ator. "É um país onde todas as pessoas têm não só uma religião, mas várias, e onde acreditar em qualquer coisa parece mais sensato do que não acreditar em nada."

Um dos criadores do grupo Porta dos Fundos, que já abordou diversas vezes a religião em seus vídeos na internet, Gregorio diz que é natural fazer humor com temas tabus e que o riso deveria ser uma arma contra o fanatismo. "Os cristãos têm bancada no Congresso e estão mais bem representados do que qualquer um", afirma. "Por isso, não vejo problema nenhum em rir deles, até porque você está rindo, em geral, dos fanáticos, dos falsos profetas."

Segundo pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2016, 1% dos brasileiros são ateus. O levantamento ouviu 2.828 maiores de 16 anos em 174 municípios e tem nível de confiança de 95%.

A dificuldade de aceitação de ateus pelos religiosos fez crescer nos últimos tempos o uso de uma expressão popularizada pelo movimento LGBT: o "sair do armário". Tradicionalmente associada à decisão de uma pessoa de assumir em público a sua orientação sexual, a expressão também passou a ser usada pelos ateus que resolvem tornar pública a sua postura em relação à religião.

"É uma metáfora boa. São pessoas que têm um entendimento de si que, em um certo momento da vida, resolvem tornar público, seja orientação sexual ou de ordem religiosa", afirma Rafael Quintanilha, pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que atualmente faz um mestrado na USP sobre os discursos ateístas no Brasil.

"A expressão é feliz também porque o movimento LGBT tem se mostrado um grande aliado do movimento ateísta nas suas reivindicações públicas", acrescenta. "Normalmente são agentes religiosos dentro da política que impõem certas propostas que restringem os direitos LGBT e, ao mesmo tempo, restringem a noção de Estado laico dos ateístas."

Pesquisas apontam rejeição

Fundador de um dos maiores grupos ateístas do país, a Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), o engenheiro civil Daniel Sottomayor aponta dois problemas como os principais obstáculos para os ateus no Brasil: a dificuldade de garantir, na prática, um Estado laico e de promover a aceitação pela sociedade daqueles que preferem não ter religião.

Uma pesquisa encomendada pela revista "Veja", em 2007, apontou que apenas 13% dos brasileiros votariam em um ateu para presidente da República. No mesmo levantamento, 84% disseram que aceitariam votar em um candidato negro; 57%, em uma mulher; e 32%, em um gay.

Outro estudo, realizado no ano seguinte pela Fundação Perseu Abramo, procurou dimensionar o grau de aversão dos brasileiros a determinados grupos sociais. Na pesquisa, 17% dos entrevistados disseram sentir "repulsa ou ódio" por ateus, e 25% manifestaram "antipatia". Para comparação, o outro grupo mais mal avaliado foi o de usuários de drogas, que também são alvo de "repulsa ou ódio" de 17%, e de "antipatia" por 24%.

"Essa rejeição pode significar, em um divórcio, problemas com a guarda dos filhos", afirma Sottomaior. "Tem casos de juízes que perguntam para os pais se eles acreditam em Deus. Querem saber se eles vão dar uma criação religiosa para as crianças para qualificar isso como um bom pai. Você pode perder um emprego, pode ser lançado ao ostracismo pela própria família."

"Ser ateu é quase uma afronta"

Na cidade de Chapadinha, no interior do Maranhão, um professor de língua portuguesa que se descobriu ateu ainda criança diz sentir na pele a rejeição à sua postura. "Moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 80 mil pessoas, e ser um professor ateu é quase uma afronta a uma sociedade basicamente católica", diz Natanael Silveira. "Fico chateado com o fato de uma pessoa me conhecer há anos, gostar do meu jeito de ser, da maneira como leciono e de como me relaciono com as pessoas e, ao saber que sou ateu, mudar tudo o que sente e pensa a meu respeito."

Os depoimentos de outros ateus que "saíram do armário" religioso são semelhantes. O analista de marketing digital Wellyngton Coelho, 28, se mudou para Goiânia há apenas três meses. Antes, viveu em cidades menores e diz ter sido muitas vezes alvo de olhares de reprovação e pré-julgamento por ser ateu. "Eu sempre tento e gosto de ter algum diálogo sobre o assunto com pessoas que têm argumentos contra, mas a maioria só tem insultos", reclama.

A designer Priscilla Bittencourt mora em Manaus e se declara agnóstica ateia há mais de dez anos, mas admite que evita discutir o assunto com a família, principalmente com a mãe. "Eles sabem, mas minha mãe é bem intolerante com esse assunto, então, para não criar problemas, nem entro em detalhes."

Priscilla revela que se sente atraída por discussões nas redes sociais e diz que procura usar a internet para influenciar as pessoas a ter um pensamento crítico sobre determinados assuntos. "Vejo um movimento forte na internet", aponta a designer. "Muito do que sei hoje é graças a divulgadores, documentários, vlogueiros, blogueiros, pesquisa e leitura de artigos, livros e palestras."

Já a designer de interiores mineira Thaís Destefani, 24, diz que, depois de muita conversa, conseguiu fazer a mãe aceitar o seu ateísmo. "Porém, aceitar e compreender ainda não andam de mãos dadas", ressalva. E, com o namorado católico, o diálogo sobre o assunto é difícil. "Ele acha isso completamente besteira, é um assunto proibido e tabu entre nós."

Thaís também conta que mudou de postura para seguir se sentindo livre para expressar seu ateísmo. "Eu já fui chata, debatia, batia o pé e me irritava", revela. "Hoje, eu simplesmente não absorvo essas críticas (sobre religião). Eu quero ter o livre direito para dizer que sou ateia, com um sorriso no rosto. Para isso, tem que vir de mim não criticar a fé alheia."
No dia 25 de dezembro,"feliz Newtal"

Os hábitos de uma formação, em geral, religiosa também criam situações inusitadas. "Eu sou mineira, né?! Toda hora falo 'Nooooossa Senhora', bem longo mesmo, quase cantado. Já tentei me policiar mais sobre isso, hoje eu entendo que é somente uma expressão que está tão entranhada em mim quanto o 'uai'", afirma Thaís.

No fim de ano, em meio às celebrações de Natal, há ateus que participam da festa sem considerar o significado religioso ou por respeito às tradições de família. Mas há também os que preferem trocar cumprimentos pelo 25 de dezembro com um "Feliz Newtal", em uma referência à data de nascimento do cientista Isaac Newton, de acordo com o antigo calendário juliano.

Ateísmo como uma postura pública

No exterior, é mais comum encontrar grupos que evitam o termo ateísmo e dão preferência à palavra "humanista" - a União Internacional Ética e Humanista, inclusive, tem entre seus membros a LiHS (Liga Humanista Secular do Brasil). Outro exemplo é o movimento Brights, que defende uma visão de mundo livre de elementos místicos e sobrenaturais e tem no cientista Richard Dawkins um de seus membros mais famosos.

"Há uma ideia de que a palavra ateísta é uma palavra negativa por si só, então os ateus têm de buscar algo além do que simplesmente ser contrário a alguma coisa. E aí eles buscam uma identidade, formam grupos, reuniões", analisa o pesquisador Rafael Quintanilha.

Autor do livro "Deus, um Delírio" e criador do termo "meme", Dawkins participou de uma série de iniciativas para ajudar ateus em todo o mundo a assumir uma posição cética em relação à religião. "Há uma grande população de ateus que precisam sair do armário", chegou a dizer o cientista, em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, em 2008.

"O fenômeno do ateísmo como uma postura pública é muito recente no Brasil. As pessoas não sabem o que é isso. É uma posição pouco legitimada, uma posição nova", afirma Quintanilha. "Isso causa bastante estranhamento e dificulta a aceitação como uma possibilidade de identificação."
Fonte: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/01/21/ateus-saem-do-armario-religioso-e-reclamam-de-dificil-aceitacao-no-brasil.htm?cmpid=fb-uolnot-left


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Re: Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil

Mensagem por David de Oliveira em Dom 22 Jan 2017, 1:17 pm

Eu, volta e meia digo isso aqui: A maioria dos ateus, diz que o são por causa das religiões. Eu não sou religioso, mas nem por isso deixei de ser crente. Não creio em Deus pela religião, e mais, não creio em Deus pelo Velho Testamento.
Não considero as pessoas vindas de algumas religiões como legítimas ateias, mas, pessoas que estão a passar por uma transição de decepção religiosa. Religião não é necessariamente "teísmo", é lá nesses refúgios que estão os maiores e consolidados ateus. 
O ateu da religião pertence ao um grupo dos chamados desigrejados que poderão vir a ser ateus um dia. 
Desigrejaram-se por causa dos mercenários dos "templos/igrejas", os ditos "pastores ou assemelhados"; esses indivíduos estão conseguindo a maior debandada da história das instituições religiosas! Isso, a meu ver é ótimo! Era preciso que eles se manifestassem da forma mais persuasiva de rejeição, para que os mais ingênuos percebessem.


Lula tem 25%, Marina 15% e Aécio 11%, aponta pesquisa Datafolha ...

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Re: Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil

Mensagem por thynno em Qua 28 Jun 2017, 11:21 am

O Criador possui várias moradas, e não se manifesta a um só homem e nem possui um só filho. Até mesmo os Ateus são filhos da criação que se manifesta a cada dia, mas que não conduz o pensamento humano. Não é obra do criador nem do Diabo conduzir ninguém. As pessoas possuem responsabilidade sobre seus atos, e quanto mais conhecimento adquirem, mais responsabilidades são adquiridas. Porque não se pode responsabilizar aquele que não teve acesso ao conhecimento, mas se pode responsabilizar aquele que despreza a sabedoria. Deste modo, não é o fato de ser Ateu ou cristão que vai condenar uma pessoa. Mas o desprezo ao conhecimento, sim.


Interessante que muitos dizem ser Ateus porque não acreditam em Deus, e sim em Buda, ou em Tupã, ou em qualquer outra denominação humana para um ser espiritual de comando da criação.


Em verdade, Ateu é aquele que não está nem aí para este assunto. Ele não combate o que não teve acesso (não acredita). Ele não possui qualquer sentimento de criação ou de criatura. Se acha obra do acaso e não se preocupa com nenhuma religião. Está despido de qualquer sensação de fé, sendo a matéria a única resposta para tudo o que lhe rodeia. Não acredita em cura espiritual nem em força de vontade, se submetendo à ciência humana apenas. Não despreza e nem critica quem busca a fé para se tratar, pois acredita que o efeito placebo ajuda na autorrecuperação. Sempre tem uma resposta nunca em contraposição à fé, mas em explicar seus resultado, pois não acreditando, não possui ao que combater.


Diferente do Ateu é o antiTeu, aquele sujeito incomodado com o sentimento alheio e que quer se meter na vida de todo mundo para criticar e dizer que as pessoas estão erradas. Ela não se preocupa em ver se algo deu certo, mas em provar que a fé não serve de nada. Que as pessoas de fé estão perdendo tempo, e que nem efeito placebo pode ser aproveitado. Quer provar por A+B que aquele que vê na fé um meio de caminhar com ética, respeito, fazendo a caridade, está errado porque historicamente aproveitadores da fé (antiTeu) usaram da mesma fé para cometer atrocidades.


AntiTeus que não permitiam ao povo conhecer nem mesmo o texto bíblico no idioma de cada país. Os antiTeus não propaga o alcorão como deveria propagar, e nem sabe que "Buda" se chamava Sidarta Gautama, e que o termo Buda significa "O Iluminado". Os antiTeus não querem que o povo entenda que quando Moisés pediu ao povo para não comer carne de porco, era porque aquela carne, como era produzida na época, não possuía tratamento e propagava doenças


Os antiTeus não querem saber que os animais citados por moisés como sendo de carne imunda, transmitem até hoje a tênia, caso sejam consumidas sem tratamento adequado. Os antiTeus não querem entender que o sábado era obrigatório para que o povo Ebreu permitisse um dia de descanso aos cativos. Que Buda proibia a música e a dança, para impedir a vadiagem. Para que todo o povo produzisse e impedisse a cumulação de riquezas por um pequeno grupo social, tendo a simplicidade e o trabalho como meio que pacificação social.


Podemos observar que não se trata apenas de fé, mas de sabedoria.


Olhemos os Estados Unidos, país mais rico do mundo, que mais produz música, filmes (Dentre eles o maior produtor de filmes pornográficos) onde o mundo consome com eles, que vendem arte e comem quase toda matéria prima do mundo. Acumulam riqueza vendendo prostituição e corrupção.


Será que os Ateus (sem Deus, despidos de fé), verdadeiramente não percebem que a corrupção humana conduz à desigualdade e exploração (escravidão)? Percebem e se incomodam com a ignorância humana, não aderindo a fé alguma, mas não a combate. Combate a corrupção do mundo, a prostituição, a venda de indulgências, a  ignorância, mas não a fé.


Então surgem pessoas vestidas de preto, usando piercing, adorando a morte e ao Diabo, e se dizendo Ateus. Eles são malucos. Acreditam no Diabo, Satanás, belzebu e demônios, em bruxarias, simpatias e vudus, pregam combates às igrejas e templos no mundo todo e se dizem Ateus? Porque se incomodam se dizem que não acreditam? Se são ateus, deveria botar a cabeça no travesseiro e dormir, e não ficar incomodado com a vida alheia. Mas não. . Os antiTeus não querem que o povo tenha fé alguma. Não são céticos, mas antiéticos. Eles são antiTeus.


Quem é que se incomoda com quem não acredita em nada? Não acredita em Cristianismo, nem espiritismo, nem Budismo, etc? Ninguém liga para quem não acredita, mas liga se tiver a sua fé questionada por um antiTeu, porque a fé pertente ao íntimo de cada um.


Então não acredito nesta pesquisa, pois confunde Ateu com antiTeu.

thynno
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Re: Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil

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